Oficina o casaco de Marx:

entre a moda, o design, a antropologia e a semiótica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/25944630432020045

Resumo

O artigo tem como objetivo analisar a oficina “O casaco de Marx”, elaborada e coordenada
por Maira Gouveia, ação performática contingente inspirada nas imbricações poéticas da
vestimenta com seus usuários relatadas no livro homônimo do historiador Peter Stallybrass
(2012). Como metodologia, a oficina possui um caráter prático-reflexivo e propõe exercícios
que dialogam com os campos da semiótica e da antropologia, utilizando questionamentos e
apontamentos da moda e do design para tecer uma leitura crítico-reflexiva sobre as possibilidades
de relações a serem construídas com os objetos do cotidiano. Ao longo da investigação,
foi possível observar modos de ocorrência de diálogos entre os campos do design, da
moda, da antropologia e da semiótica, para repensar o nosso olhar sobre a cultura material e
propor uma relação mais significativa com os artefatos que nos circundam, a partir da compreensão
do realismo agencial de Karen Barad. Ou seja, pensar na oficina a possibilidade de
compreensão dos objetos como agentes sociais enquanto cocriadores de nossos modos de
existência.

Biografia do Autor

Maira Pereira Gouveia Coelho, Universidade do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG

Com especial interesse na pesquisa sobre a relação entre corpo e objeto, possui graduação em Design de Moda na Universidade Federal de Minas Gerais (2014). Tem experiência como docente na Índia na faculdade Arch Academy of Design (2016-2017), onde, além de trabalhar como educadora através do método Pearson BTEC, Level 5 nos departamentos de Design Foundation e Fashion Design também contribuiu coorientando trabalhos de conclusão de curso, desenvolvendo workshops para promoção do campo do Design, instalações para o campus, escrevendo artigos para a revista da instituição e organizando visitas de campo em diversos locais do estado do Rajastão. Também ministra desde 2011 diversos projetos e cursos de curta duração na área de arte-educação em diferentes países da Ásia e da América Latina. Em 2012 foi uma das 30 designers selecionada para IV Bienal Brasileira de Design com a obra Casca, no mesmo ano ganhou o Prêmio de Melhor Portfólio Acadêmico na XVI Semana de Conhecimento da UFMG, além de participação em outras diversas mostras e exposições ao longo de sua carreira. 

Juliana de Oliveira Rocha Franco, Universidade do Estado de Minas Gerais

Juliana Rocha Franco é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC- SP. Realizou estágio de doutorado na University of Maryland. Após o doutorado, trabalhou como pesquisadora de Pós-Doutorado no Programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital da PUC-SP. Em seguida, atuou como Professora Visitante no Programa de Pós-Graduação em Cognição, Tecnologias e Instituições da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA). Atualmente é professora da Escola de Design da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e do programa de Pós-Graduação em Design da UEMG (PPGD-UEMG). Tem experiência nas áreas de Comunicação, Semiótica e Design. Se divide em duas frentes de trabalho, uma mais específica visando a leitura aprofundada do sistema filosófico de Charles S. Peirce e uma mais aberta, que busca compreender e analisar processos de percepção e produção de sentido na contemporaneidade.

Referências

BARAD, Karen. Meeting the Universe Halfway: Quantum Physics and the Entanglement of Matter and Meaning. London: Duke University Press, 2007.

BARROS, Manoel de. Livro sobre nada. Rio de Janeiro: Editora Record, 1996.

FLUSSER, Vilém. O mundo codificado. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

FRANCO, Juliana Rocha. Cartografias criativas: da razão cartográfica às mídias móveis. Curitiba: Appris, 2019.

FRANCO, Juliana Rocha; BORGES, Priscila Monteiro. O real na filosofia de C. S. Peirce. Teccogs: Revista Digital de Tecnologias Cognitivas, TIDD | PUC-SP, São Paulo, n. 12, p. 66-91, jul-dez. 2015.

FRANCO, J. , NEVES B. The distributed performance of artefactual representation by mobile video in Brazil. Janus 2017- A comunicação mundializada. 2017.

GELL, Alfred. Arte e Agência. São Paulo: Ubu, 2018.

INGOLD, Tim. Trazendo as coisas de volta à vida: Emaranhados criativos num mundo de materiais. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 18, n. 37, p. 25-44, jan./jun. 2012.

________, Bruno. Um Prometeu cauteloso? Alguns passos rumo a uma filosofia do design. Agitprop n.58 (ano 6), 2009.

LE BRETON, David. Adeus ao Corpo: Antropologia e Sociedade. Campinas:

Papirus, 2003.

MEARLEAU PONTY, Maurice. Fenomenologia da Percepção. São Paulo:

Martins Fontes, 1999.

MILLER, Daniel. Trecos, troços e coisas: estudos antropológicos sobre a cultura

material. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

PLAZA, Julio. Tradução Intersemiótica. São Paulo: Perspectiva, 2003.

SANTAELLA, Lucia. Teoria Geral dos Signos: Semiose e autogeração. São Paulo: Cengage Learning, 1995.

SANTAELLA, Lucia et al. Por uma semiótica não-tergiversante: análise do site Conductor-MTA. me. LÍBERO. ISSN impresso: 1517-3283/ISSN online: 2525-3166, n. 28, p. 37-76, 2011.

SARAMAGO, José. Objecto- Quase. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

STALLYBRASS, Peter. O casaco de Marx: roupas, memória, dor. - 3. ed. - Belo

Horizonte: Autêntica Editora, 2008.

TILLEY, Chris. Do corpo ao lugar à paisagem: uma perspectiva fenomenológica. Belo Horizonte: Vestígios, n 8, vol 1. jan-jun, 2014.

UEXKÜLL, Thure von. The Theory of Meaning. Trad. inglesa de Thure von Uexküll. Semiotica,2010.

Publicado

2020-10-02 — Atualizado em 2020-10-01

Versões