Rachar as palavras em aulas de matemática: (com)posições de sentidos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/2357724X08172020180

Palavras-chave:

Linguagem, Ensino de matemática, Significação, Nietzsche, Deleuze

Resumo

Este texto tem como objetivo tensionar o uso das palavras em aulas de matemática. Discute-se a potência de rachar as palavras, discuti-las em âmbito etimológico, léxico-semântico, histórico. Para isso, trabalha-se com o procedimento genealógico no exercício de debruçar-se sobre as palavras e seus significados. Dos lugares provisórios de estar docente, docenciar-se, questiona-se quais os efeitos produzidos pelo deslocamento de uma posição estruturalista para um âmbito pós-estruturalista, especialmente com autores das filosofias da diferença, para pensar o atravessamento da linguagem – e atravessar a linguagem, em imanência – em aulas de matemática. Sob angulações do filósofo Friedrich Nietzsche, distanciamo-nos da concepção neutra e transparente da linguagem a fim de estabelecer relações menos estreitas e criar condições outras de pensamento com aulas de matemática. A ampliação de vocabulário, a formação de palavras por meio de um radical comum ou por prefixação/sufixação e a polissemia se apresentam como ferramentas para pensar um uso menos automático e mais compositivo das palavras, tomado aqui como uma atitude ética de inserção da docência em solo movente, no dinamismo que lhe é próprio.

Biografia do Autor

Virgínia Crivellaro Sanchotene, UFRGS; Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA)

Doutoranda em Educação.

Mestra em Educação.

Professora de Matemática. 

Gilberto Silva dos Santos, UFRGS; Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA)

Doutorando em Educação em Ciências.

Mestre em Educação em Ciências

Professor de Matemática da RME/PMPA

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Publicado

2020-11-30