Restrições matemáticas e criação literária: o paradoxo do pensamento da diferença na Literatura Potencial

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DOI:

https://doi.org/10.5965/2357724X08172020090

Palavras-chave:

Literatura Potencial, Matemática, Filosofias da Diferença

Resumo

É contemporânea nossa necessidade de pensar no modo como a matemática e a Educação Matemática podem ser perspectivadas pelas filosofias da diferença e, por meio desse texto, pretendemos mostrar a força do pensamento da diferença na Literatura Potencial. A Literatura Potencial, produzida pelo grupo OuLiPo, propõe o uso de restrições matemáticas para produção de seus textos. A matemática, nesse sentido, funciona como matéria de criação literária, sendo que a Literatura Potencial deve ser percebida como um paradoxo: ao mesmo tempo que restringe por meio da matemática, multiplica as possibilidades de criação de escrita e de sentidos. O caminho investigativo frente à Literatura Potencial se fez em três tempos: i) o estudo do livro OULIPO: ejercicios de literatura potencial (Queneau et.al., 2016); ii) revisão de literatura no Repositório Digital Lume da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; iii) proposta de exercícios matemático-literários. Sobre i) OuLiPo (Oficina de Literatura Potencial) é um grupo de escritores que objetivam fazer literatura não espontânea. Esse grupo vai na contramão do movimento Surrealista que é movido pela inspiração. Sobre ii) A revisão de literatura buscou no Repositório Digital Lume da UFRGS pesquisas que relacionassem matemática e literatura. Encontramos cinco pesquisas. Sobre iii) Descrevemos alguns exercícios matemático-literários para exemplificar uma das tendências da Literatura Potencial: o anulipismo, que trabalha a partir de obras já escritas para realizar as produções textuais com restrições matemáticas. Esses exercícios poderão impulsionar futuras práticas pedagógicas para a Educação Matemática.

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Publicado

2020-11-30