Dos Jogos Olímpicos da Antiguidade às olimpíadas de matemática: a constituição de atletas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/2357724X08172020164

Palavras-chave:

Olimpíadas de matemática, Filosofia da diferença, História, OBMEP

Resumo

Este artigo emerge de um estranhamento causado ao observar as olimpíadas de matemática se naturalizando nas escolas brasileiras e os estudantes sendo qualificados como atletas da matemática. Impulsionadas por tal estranhamento desenvolvemos uma digressão histórica remontando à Grécia Antiga durante o período de desenvolvimento dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, onde destacamos o momento pitagórico e o momento platônico por darem visibilidade tanto às competições atléticas quanto à matemática. Nesse movimento usamos conceitos da filosofia da diferença para construirmos nosso caminho. Em particular, trabalhamos com o conceito de gagueira de Deleuze para variar o conceito de história de Foucault. Com as análises efetuadas sobre os Jogos Olímpicos da Antiguidade, o momento pitagórico e o momento platônico pontuamos continuidades e descontinuidades entre essas práticas e as olimpíadas de matemática da contemporaneidade. Inferimos que a constituição de atletas pode se configurar no eixo que aproxima tais práticas.

Biografia do Autor

Patrícia Lima da Silva, Universidade Federal do Rio Grande (FURG)

Doutoranda em Educação em Ciências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS);

Mestra em Matemática Pura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS);

Técnica administrativa em educação no Instituto de Matemática, Esatística e Física Universidade da Federal do Rio Grande (FURG) - Campus Santo Antônio da Patrulha.

Claudia Glavam Duarte, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Doutora em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)

Docente na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - Campus Litoral Norte, Tramandaí.

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Publicado

2020-11-30