Entre-modos. Um jogo de re-perguntas à volta do Modo Operativo AND

Autores

  • Milene Lopes Duenha Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, SC
  • Fernanda Eugénio
  • Ana Dinger Universidade Católica Portuguesa

DOI:

https://doi.org/10.5965/1414573102272016096

Resumo

Um conjunto de inquietações acerca das relações entre corpo, linguagem, modos de fazer e modos de vida, emergentes da vivência intensiva de um curso organizado pelo AND_Lab Centro de Investigação em Arte-Pensamento & Políticas de Convivência em Lisboa (PT), serviu de disparador para um jogo de re-perguntas à volta das ferramentas ético-estéticas do Modo Operativo AND (MO_AND). Tomando a forma de conversa e de pensamento ao vivo, este jogo foi traçando um território de problemas na medida em que o percorria, desdobrando questões de duração, etnografia e escala na prática do MO_AND, e as relações-tensão sobre vs com, atenção vs disponibilidade, ética vs estética e arte engajada vs engajamento.

 

 

Biografia do Autor

Milene Lopes Duenha, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, SC

Milene Duenha é atriz, bailarina e performer, possui graduação em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina/PR e pósgraduação em Artes visuais / Arte educação pela mesma universidade. É meste em Teatro pela Universidade do Estado de Santa Catarina, e atualmente realiza uma pesquisa de doutorado nesse mesmo programa de pósgraduação em Teatro. Pesquisa noções de presença em relação na experiência artística e investiga possibilidades compositivas em arte considerando a presença do artista como implicação ética. Interessa-se
por questões ligadas ao corpo e seus modos de estar/fazer como potência de afeto. Atua na intersecção entre as linguagens da dança, da performance e do teatro desenvolvendo uma pesquisa artística no Coletivo Mapas e Hipertextos de Florianópolis - SC. É arte-educadora desde 1998.

Fernanda Eugénio

Antropóloga, multiartista, investigadora e docente. Trabalha com pesquisa de campo, escrita, performance ampliada (corpo, instalação, vídeo, fotografia e proposições urbanas situadas) e, sobretudo, com a construção de modos de fazer transversais para a composição relacional e para a criação por re-materialização.  É pós-doutorada pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (2012); doutorada (2006) e mestre (2002) em Antropologia Social pelo Museu Nacional da UFRJ e, desde 2003, pesquisadora associada do CESAP/IUPERJ/UCAM (Rio de Janeiro, Brasil). Foi Professora Adjunta do Depto. de Ciências Sociais da PUC-Rio entre 2005 e 2012 e, nos últimos quinze anos, tem atuado como professora convidada em diversos programas de formação em ciências sociais, artes e performance (inter)nacionais. Suas publicações, criações artísticas e colaborações têm sido circulado por Brasil, Chile, Argentina, Portugal, Alemanha, Itália, Áustria, França, Espanha, Grécia, República Checa, Reino Unido, EUA e Vietnã.

Atualmente, dirige a plataforma AND_Lab | Arte-Pensamento e Políticas da Convivência, com sede em Lisboa, a partir da qual explora os entre-lugares emergentes de uma trajetória marcada por colaborações intensivas, deslocações e desvios, entre a pesquisa académica estrita e uma investigação singular dos usos artísticos e políticos da etnografia como ferramenta circunscritiva-performativa. Esta pesquisa sempre em processo sintetizou-se de diferentes modos nos últimos quinze anos (Sistema É-Ou-E, Modo de Vida E, Etnografia Recíproca, Etnografia como Performance Situada, Reprograma, Reparagem, Pensacção), até adoptar a atual nomenclatura Modo Operativo AND, a partir de uma fase de colaboração intensiva com o coreógrafo João Fiadeiro (2011-13), com quem fundou o AND_Lab. Do seu constante funcionamento por "colaboração indisciplinada", destacam-se ainda: a relação continuada com o coletivo carioca O Alfinete Amarelo/O Pavão Popular (desde 2007), com o qual trabalha a construção de proposições que mesclam humor e protesto a partir da exploração sistemática de quatro operações (acúmulo/coexistência, ordem/corrupção, imitação/proliferação, catalogação/codificação); o projeto de práticas site-specific CITY LABS, desenvolvido com o artista contextual Gustavo Ciríaco (desde 2009); a parceria com o Corporeilabs/Grupo de Pesquisa MO_AND RJ (desde 2013), no âmbito do qual tem trabalhado um conjunto de protocolos para a interlocução arte-clínica; a colaboração com o investigador e artista Francisco Gaspar Neto (desde 2014), com quem criou o dispositivo de encontro AND HOW; a colaboração com a investigadora Ana Dinger (desde 2015), com quem partilha a Série Metálogos, projeto de escrita performativa que explora a criação ao vivo de objetos intermezzo, nem apresentação académica nem happening. Outras e diversas colaborações com artistas, arquitetos, escritores, pedagogos, psicólogos e investigadores dos mais variados campos marca(ra)m o percurso de Fernanda Eugenio, tendo resultado na criação de artefatos híbridos, na produção de eventos, encontros, exposições e publicações etc. Fernanda Eugenio é, ainda, membro co-fundador da plataforma Baldio-Estudos Performance e da RIA-Rede de Investigação Artística.

Ana Dinger, Universidade Católica Portuguesa

Licenciada em Escultura pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa (2008), tendo frequentado os três primeiros anos da licenciatura na Faculdade de Belas-Artes do Porto. Desde cedo se sentiu desconfortável com categorias, oscilando entre teoria e prática e minando, aqui e ali, sempre que possível e com subtileza, os constrangimentos disciplinares. Frequentou o Ginasiano, o Balleteatro, o Centro de Dança do Porto, o Curso de Pesquisa e Criação Coreográfica do Forum Dança (Porto, 2003) e o primeiro ano do bacharelato da Escola Superior de Dança (Lisboa, 2003/2004). Acreditando, a certa altura, que o mundo académico poderia ser um lugar privilegiado para albergar o esforço de questionamento constante, enveredou por uma pós-graduação em Arte Contemporânea, que completou em 2011. É na mesma Universidade – a Universidade  Católica Portuguesa - que integra, atualmente, o programa de doutoramento em Estudos de Cultura (plataforma Lisbon Consortium), como investigadora afiliada ao CECC (Centro de Estudos em Comunicação e Cultura). Bolseira da FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia), debruça-se, na sua tese, sobre certos processos metonímicos, como a espectralidade, que contribuem para  a construção de continuidade dos trabalhos artísticos ditos performativos. Articulando as suas questões com o Modo Operativo AND, que segue desde 2011, tem inaugurado outras possibilidades de relação que não se esgotam no ‘sobre’. Uma dessas possibilidades já materializada, além-tese, é uma série de conversas situadas e experimentais com Fernanda Eugénio (Metálogos), iniciada em 2015 e que conta já com quatro edições, ou seja, com quatro aproximações a quatro problemas: #1 os modos da situação (Encontro Performance, Politics, Performance; Atenas, 2015), #2 artista etnográfo e o etnógrafo artista (Seminário Mind the Gap, Lisboa, 2015), #3 os modos da superfície (Seminário À procura da Superfície, Porto, 2016), #4 histórias e geografias da performance (Simpósio Performance Arte Portuguesa, Lisboa, 2016).


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Publicado

2016-12-24

Como Citar

DUENHA, M. L.; EUGÉNIO, F.; DINGER, A. Entre-modos. Um jogo de re-perguntas à volta do Modo Operativo AND. Urdimento - Revista de Estudos em Artes Cênicas, Florianópolis, v. 2, n. 27, p. 096-123, 2016. DOI: 10.5965/1414573102272016096. Disponível em: https://periodicos.udesc.br/index.php/urdimento/article/view/8827. Acesso em: 26 jul. 2021.

Edição

Seção

Dossiê Temático: Corpo, Performance e Antropologia - Olhares transversais