O detalhe como dispositivo temporal do restauro arquitetónico em Portugal no século XIX: o caso do comboio no convento da Madre de Deus em Lisboa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/2175234614332022064

Palavras-chave:

Arquitetura do séc. XIX, Restauro, Convento da Madre Deus, Capitel, Comboio

Resumo

Em Lisboa, no século XIX, durante a campanha de restauro do Convento da Madre de Deus, edifício fundado no século XVI, no capitel de uma das colunas de um dos claustros, foi esculpido um comboio a vapor, a entrar num túnel. Pretendemos demonstrar que não se tratou de um equívoco, mas da figuração de um detalhe explicitamente moderno que funcionasse como dispositivo temporal que distinguisse as alterações introduzidas pelo restauro das pré-existências, em linha com o restauro filológico de Camillo Boito, mesmo quando as primeiras recriavam o estilo arquitetónico original do edifício, em conformidade com os princípios do restauro estilístico de Eugène-Emmanuel Viollet-le-Duc. Num restauro ainda dominado pela doutrina de Viollet-le-Duc, representará um primeiro impacte da receção das ideias de Boito em Portugal.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Paulo Simões Rodrigues, Universidade de Évora

Professor associado do Departamento de História e Diretor da unidade de investigação Centro de História da Arte e Investigação Artística da Universidade de Évora, Portugal. Concluiu o Doutoramento em História da Arte em 2009 na Universidade de Évora, o Mestrado em História da Arte em 2000 na Universidade Nova de Lisboa e a Licenciatura em História, Variante em História da Arte em 1994 na Universidade Nova de Lisboa. Vinculado ao Centro de História da Arte e Investigação Artística da Universidade de Évora (CHAIA); ao Laboratório Associado para a Investigação e Inovação em Património, Artes, Sustentabilidade e Território (IN2PAST), e ao Programa Doutoral Estudos do Património (HERITAS). CV: https://www.cienciavitae.pt/portal/2E11-BD53-77A8

 

 

Referências

ALVES, A. N. Ramalho Ortigão e o Culto dos Monumentos Nacionais no Século XIX. Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2009.

ATANÁZIO, M. C. M. A Arte do Manuelino. Mecenas, influências, espaço. Lisboa: Editorial Estampa, 1984, 218 p.

BOITO, C. Questioni pratiche dé Belle Arti. Milano: Ulrico Hoepli, 1893, 419 p.

CARVALHO, J. M. de. O Conimbricense, Coimbra, n.º 4762, p. 1, 1893.

Convento da Madre de Deus e Asylo de D. Maria Pia, A Revolução de Setembro, n.º 8234, p.1, 1869.

CUSTÓDIO, J. M. R. “Renascença” Artística e Práticas de Conservação e Restauro Arquitetónico em Portugal, durante a 1ª República. Évora, Universidade de Évora, 2008, Volume I, Tomo I.

GONÇALVES, A. Sé Velha de Coimbra, Arte Portugueza, Lisboa, n.º 6, p. 122 e 123, 1895.

GUIMARÃES, J. R. O Mosteiro da Madre de Deus I, Artes e Letras, n.º 3, p. 46, 1874.

GUIMARÃES, J. R. O Mosteiro da Madre de Deus II, Artes e Letras, n.º 4, p. 50 e 51, 1874.

KÜHL, B. M. “Os Restauradores e o Pensamento de Camillo Boito sobre a Restauração”. In: BOITO, C. Os Restauradores. São Paulo: Ateliê Editorial, 2008 (3ª edição), pp. 9-28.

MAIA, M. H. Património e Restauro em Portugal. Lisboa: Edições Colibri, IHA – Estudos de Arte Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Noa de Lisboa, 2007, 394 p.

ORTIGÃO, R. O Culto da Arte em Portugal. Lisboa: António Maria Pereira,1896, 176 p.

PEREIRA, G. “O Convento da Madre de Deus”. In: A Arte e a Natureza em Portugal. Porto: Emílio Biel e C.ª Editores, 1908, vol. 8º, s/p.

PEREIRA, G. Restaurar e Conservar. Arte Portugueza. Revista de Archeologia e Arte Moderna, n.º 6, p. 121, 1895.

REIFF, D. D. Viollet-le-Duc and Historic Restoration: the West Portals of Notre-Dame. Journal of the Society of Architectural Historians, vol. 30, n.º 1, pp. 17-30, 1971.

RODRIGUES, P. S. “O Culto da Arte em Portugal e os Antecedentes Oitocentistas de A Nossa Casa de Raul Lino”. In: ANDRÈ, P. (Coord.). Celebrando a Nossa Casa (1918-2018) de Raul Lino. Antologia de Ensaios. Lisboa: DINÂMIA’CET-IUL – Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território, 2018. p. 118-128.

RODRIGUES, P. S. Património, Identidade e História. O Valor e o Significado dos Monumentos Nacionais no Portugal de Oitocentos. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, vol. I, 1998, 447p.

RODRIGUES, R. M. Entre a Salvaguarda e a destruição: a extinção das ordens religiosas em Portugal e as suas consequências para o património artístico dos conventos. Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2017.

ROSAS, L. M. C. Monumentos Pátrios. A Arquitectura Religiosa Medieval – Património e Restauro (1935-1928). Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1995, volume I.

SABUGOSA, C. de. A Rainha D. Leonor, 1458-1525. s.l.: Portugália Editora, 1921, 380 p.

SANTOS, R. “Madre de Deus”. In: Guia de Portugal. Lisboa e arredores. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1924, vol. I, p. 319.

SERUYA, A. I.; HENRIQUES, A. C.; HENRIQUES, P.; Et. Al. (Coord.), Igreja da Madre de Deus. História, Conservação e Restauro. Lisboa: Ministério da Cultura, Instituto Português de Museus, Instituto Português de Conservação e Restauro, 2002, 257 p.

SILVA, J. H. P. “A arquitetura no retábulo de Santa Auta”. In: Páginas de História da Arte. Estudos e Ensaios. Lisboa: Editorial Estampa, 1993, p. 87.

TELLES, L. Mosteiro e Egreja da Madre de Deus. Lisboa: Imprensa Moderna, 1899, 31 p.

TRINDADE, L. Catálogo da Livraria do Fallecido Distincto bibliographo e Bibliophilo José Maria Nepomuceno. Lisboa: Empresa Editora de Francisco Arthur da Silva, 1897, 169 p.

VASCONCELOS, A. de. A Sé-Velha de Coimbra. Coimbra: Arquivo da Universidade de

Coimbra, 1993, volume I.

VIOLLET-LE-DUC, E. “Restauration”. In: Dictionnaire Raisonné de l’Architecture Française du XIe aux XVIe Siècle. Paris: A. Morel, 1866, Tome 8, pp. 14-34.

Downloads

Publicado

2022-05-01

Como Citar

RODRIGUES, P. S. O detalhe como dispositivo temporal do restauro arquitetónico em Portugal no século XIX: o caso do comboio no convento da Madre de Deus em Lisboa. Palíndromo, Florianópolis, v. 14, n. 33, p. 64 - 86, 2022. DOI: 10.5965/2175234614332022064. Disponível em: https://periodicos.udesc.br/index.php/palindromo/article/view/21747. Acesso em: 21 maio. 2022.

Edição

Seção

Artigos Seção temática