Trajetos têxteis:

possibilidades de percursos criativos no contexto feminino

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/2175234613292021199

Palavras-chave:

técnicas têxteis, feminismo, trajetórias, modernidade, contemporaneidade

Resumo

Revisitando os valores modernos que se referem ao papel do artista e suas ações, o artigo propõe analisar as dificuldades experienciadas pelas mulheres em relação ao acesso do espaço público e ao gesto de compor trajetórias através dele; considerando produções feministas como as de Linda Nochlin, Griselda Pollock e Alice Walker. A partir desta reflexão, sugere-se que os meios têxteis puderam proporcionar, durante a modernidade e até o tempo presente, um meio de percurso criativo que reconhece a si e ao ambiente doméstico como paisagem a ser apropriada e construída. Busca-se também apresentar as artistas contemporâneas Marissa Noana, Clara Nogueira e os Coletivos Avesso e Linhas, e suas trabalhos que visam tensionar estas dinâmicas de impedimento, levando a produção têxtil para a esfera pública, envolvida no contexto da arte urbana, das redes sociais e da videoarte. 

Assim, o artigo em traça um percurso iniciado pelos construtos da feminilidade e as limitações que implica sobre a ideia de trajeto; passando pela concepção de modos alternativos de deslocamento que habitam a esfera do íntimo e do doméstico e que, ainda assim, fornecem um conteúdo criativo importante para a história da arte feminina; e, por fim, demonstrando como a arte contemporânea produzida por mulheres tem encarnado esta carga histórica a ser reinterpretada, usufruindo das  novas posições conquistadas para criar possíveis trajetórias têxteis. 

 

Biografia do Autor

Marina de Aguiar Casali Dias, UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

Graduada em Artes Visuais (bacharelado) pela Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC. Mestranda em Artes, Cultura e Lingagens pelo IAD/UFJF na linha Arte, Moda: História e Cultura com orientação da Profª Drª Rosane Preciosa.

 

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Publicado

2021-01-01