Encontros intergeracionais mediados por imagens e memórias do bairro e da escola

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/1984317816012020268

Palavras-chave:

Mediação da linguagem, Igualdade entre gerações, Educação para o diálogo, Ensino da arte,

Resumo

Este artigo descreve o processo de produção de narrativas intergeracionais desenvolvido com crianças, adolescentes, adultos e velhos. Trata-se de etapa de investigação de doutorado baseada em etnografia realizada na Escola Municipal de Ensino Fundamental Sonia Regina Gomes Rezende Franco, bairro Serra Dourada I, Serra (ES), em que 34crianças/adolescentes de 6º/7º ano foram envolvidas em um projeto de ensino de Arte que se desenrolou no âmbito das aulas de Arte e História, ao longo de três semestres letivos. Após apreciar vídeos e fotografias e visitar alguns dos espaços culturais da cidade, as crianças/adolescentes remeteram o olhar ao bairro e, desejando saber mais sobre ambos, sugeriram conversa com moradores antigos, o que se concretizou com a roda de conversa. A experiência fundamenta-se em Ciavatta (2007), Benjamin (2012), Bosi (1994), Brandão (1984, 2003, 2007), Fonseca da Silva e Schlichta (2015), Freire (2014), Halbwachs (2003), Mannheim (1952, 2014) e Schütz-Foerste (2004). Os resultados mostram que a roda de conversa intergeracional é possibilidade para cultivar imagens e memórias, promovendo o ato de narrar que inclui velhos, adultos e crianças e adolescentes, que se encontram e compartilham suas distintas culturas, sem, contudo, estabelecer hierarquização entre elas.

Biografia do Autor

Maria Angélica Vago-Soares, Universidade Federal do Espírito Santo

Graduada em Educação Artística pela Universidade Federal do Espírito Santo (2004) e em Pedagogia - licenciatura plena (SERRAVIX). Pós graduada em Psicopedagogia (FABRA) e Metodologia do Ensino da arte (FACINTER). Mestre e Doutora em Educação na área de Linguagens Verbal e Visual (UFES), orientada pela professora Gerda Margit Schütz-Foerste na (PPGE-UFES).Participa dos Grupos de Pesquisa: Imagens, Tecnologias e Infâncias (PPGE-UFES) e do Núcleo de Pesquisa, Ensino e Extensão em Experiência do Sensível (NUPEEES- UFBA). Membro da Academia de Letras e Artes da Serra. Professora do Ensino Superior, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), no Centro de Educação - Departamento de Cultura, Linguagens e Educação.

Gerda Margit Schütz-Foerste, Universidade Federal do Espírito Santo

Possui graduação em Licenciatura Plena Em Educação Artística pela Federação dos Estabelecimentos de Ensino Superior Em Novo Hamburgo (1986), mestrado em Educação pela Universidade Federal de Goiás (1996) e doutorado em Educação pela Universidade Federal Fluminense (2002) e Pós-Doutorado na Universidade de Siegen-Alemanha. Atualmente é professora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Mestrado em Doutorado em Educação e compõe a Linha de Pesquisa Educação e Linguagens, da Universidade Federal do Espírito Santo. É lider do grupo de pesquisa Imagens, Tecnologia, Infâncias e pesquisadora no Grupo de Pesquisa Culturas, Parcerias e Educação do Campo. Desenvolve pesquisas nos seguintes temas: arte-educação, leitura de imagens, educação do campo, formação de professores, culturas e infâncias.

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Publicado

2020-02-24

Edição

Seção

DOSSIÊ CONTEXTOS E ESPECIFICIDADES DA INCLUSÃO: A ARTE COMO FIO CONDUTOR