Da partitura à ação

Autores

  • Daniela Carvalho de Avellar Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

DOI:

https://doi.org/10.5965/2175234613312021135

Palavras-chave:

Fluxus, Partitura, John Cage

Resumo

Quando a partitura deixa de ser uma inscrição com objetivos substancialmente representacionais, ela assume uma direção mais operacional, indicativa de ações. Não à toa, a forma partitura passa a ser amplamente utilizadas por artistas das vanguardas dos anos 60 que buscavam reconfigurar a noção de objeto de arte, antes muito fechado e derivativo, partindo para proposições mais performativas e distribuídas. O marco do ganho de autonomia formal da partitura é localizado na obra do compositor John Cage – sua posição de converter música em som e vice e versa acaba inaugurando um regime onde tudo soa. O movimento Fluxus está inscrito em uma dinâmica estética de ritualizar os hábitos do cotidiano, prolongando as ocorrências comuns para a temporalidades dos acontecimentos. Neste escrito tento pensar as aproximações teóricas entre ambos balizados pela questão da linguagem, uma vez que tanto as partituras-acontecimento como os procedimentos “cageanos” se utilizam de uma temporalidade performativa em relação à escrita e à leitura, assim como em relação à escuta.

Biografia do Autor

Daniela Carvalho de Avellar, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Mestre em Estudos Contemporâneos das Artes pela Universidade Federal Fluminense (Dissertação defendida intitulada “Partituras-acontecimento”). Atualmente Doutoranda em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Lattes: http://lattes.cnpq.br/0037518988293986.

Referências

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Publicado

2021-09-01

Como Citar

AVELLAR, D. C. de. Da partitura à ação. Palíndromo, Florianópolis, v. 13, n. 31, p. 135-144, 2021. DOI: 10.5965/2175234613312021135. Disponível em: https://periodicos.udesc.br/index.php/palindromo/article/view/20333. Acesso em: 30 nov. 2021.

Edição

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Artigos Seção temática