Concepção de alfabetização em documentos curriculares: comparação Brasil Argentina

Autores

  • Telma Ferraz Leal Universidade Federal de Pernambuco – UFPE – Recife/PE

DOI:

https://doi.org/10.5965/1984723823512022160

Palavras-chave:

alfabetização, documentos curriculares, leitura, escrita

Resumo

A partir da abordagem da alfabetização na perspectiva do letramento, esta pesquisa objetivou analisar um documento curricular oficial argentino (“Diseño curricular para la escuela primaria”), com a finalidade de identificar as concepções de alfabetização subjacentes e comparar com as concepções presentes em documentos curriculares brasileiros e com a “Política Nacional de Alfabetização” (PNA), lançada pelo Ministério de Educação do Brasil em 2019. Foram realizadas análises documentais segundo pressupostos descritos por Bardin. Os dados brasileiros foram sistematizados a partir de estudo anterior realizado por Leal, Brandão, Almeida, Vieira (2013), no qual foram analisados 26 documentos curriculares de secretarias estaduais e de capitais brasileiras. As propostas foram classificadas em três categorias: 1 (alfabetização por imersão); 2 (alfabetização como aprendizagem do código alfabético); 3 (alfabetização na perspectiva do letramento). Predominavam, no Brasil, as tendências 1  e 3, que orientam um ensino em que a leitura e a produção de textos autênticos e integrais permeiam o processo de alfabetização. No documento argentino predominam termos que remetem à abordagem construtivista e defende-se a alfabetização em uma perspectiva de inserção nas práticas sociais de leitura e escrita e, ao mesmo tempo, o ensino das especificidades do SEA (categoria 3). Em contraste com as perspectivas dos documentos curriculares, a PNA está embasada em métodos sintéticos de alfabetização. Tal abordagem marca, portanto, uma retomada de concepções tradicionais de alfabetização focadas em modelos empiristas.

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Publicado

2022-05-05

Como Citar

LEAL, T. F. . Concepção de alfabetização em documentos curriculares: comparação Brasil Argentina. Revista Linhas, Florianópolis, v. 23, n. 51, p. 160 - 189, 2022. DOI: 10.5965/1984723823512022160. Disponível em: https://periodicos.udesc.br/index.php/linhas/article/view/22027. Acesso em: 23 maio. 2022.