
Construções identitárias na improvisação teatral: uma análise de
O Machucado de Magnólia
Álvaro de Sousa Coelho
Florianópolis, v.1, n.57, p.1-27, abr. 2026
Finalmente, a tão aguardada conversa entre pai e filha acontece. Magnólia
(Cíntia) revela que começou a fazer terapia e aproveita o momento para desabafar
algo que estava entalado há muito tempo: que ele a magoou. Luiz Paulo (Daniel),
com uma reação que mescla surpresa e uma dose de sinceridade, responde
apenas: “É isso?” E, após uma breve pausa, o diálogo segue:
Luiz Paulo (Daniel) – Mas quando foi que eu te magoei?
Magnólia (Cíntia) – Todas as vezes que você falou comigo.
[…]
Luiz Paulo (Daniel) – Filha, eu não sabia que tava te magoando com todas
as palavras…
Magnólia (Cíntia) – Eu tava chorando, pai! Toda vez eu chorava…
Luiz Paulo (Daniel) – Eu não sabia que era isso que significava, que tava
magoando…
Magnólia (Cíntia) – Pai, eu chorava. E a mãe pedia pra você parar de falar
e você não parava, o que é que faltava pra você entender?
Luiz Paulo (Daniel) – É difícil entender… Mas agora eu entendi que eu
magoei você a minha vida toda.
Magnólia (Cíntia) – Sim, pai…
Luiz Paulo (Daniel) – Eu acho que foi sem querer, ou foi por querer, eu só
saberia fazendo uma terapia, mas eu sou um velho e não vou fazer
porque eu sou preconceituoso com isso.
Magnólia (Cíntia) – Sei, pai… você é fruto de uma sociedade.
Luiz Paulo (Daniel) – Não é? E eu te machuquei todo esse tempo,
Magnólia…
Magnólia (Cíntia) – Sim…
Luiz Paulo (Daniel) – Eu fiz um machucado na Magnólia… Eu vou te
resolver como todos os homens resolvem.
Magnólia (Cíntia), desesperançada – Ai, pai… Oh, pai…
Luiz Paulo (Daniel) – Eu tenho aqui um band-aid, que é o símbolo de que
eu quero parar de te machucar. É o máximo que eu vou conseguir,
Magnólia. E eu prometo que nunca mais vou te machucar/magoar,
porque…
Magnólia (Cíntia) – Você vai ficar em silêncio, pai? Você vai ficar em
silêncio?
Após esse diálogo, acontece a última música improvisada do vídeo, que se
inicia com Luiz Paulo (Daniel) assumindo seus erros e pedindo perdão a Magnólia
(Cíntia), que, cantando, responde:
Eu não vou passar a mão, papai. Era só ler um livro ou me ouvir. Custava
prestar atenção e desligar o
Netflix
? O que é que custa só observar o que
fala? É tão simples: na dúvida, se cala. E isso vale pra todos os homens
presentes. É só ler um livro pra dialogar com a gente. Eu tô cansada de
explicar o simples, porque é simples! Tem em todo lugar, inclusive, no
Netflix
.
Após repreender Luiz Paulo (Daniel), a personagem de Cíntia rompe