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Emaranhada
: cenas com lixo
e manguezal no estado do Rio de Janeiro
Ricardo Cabral
Para citar este artigo:
CABRAL, Ricardo. Emaranhada: cenas com lixo e
manguezal no estado do Rio de Janeiro. Urdimento
Revista de Estudos em Artes Cênicas, Florianópolis, v.3,
n.56, dez. 2025.
DOI: 10.5965/1414573103562025e0105
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Emaranhada: cenas com lixo e manguezal no estado do Rio de Janeiro
Ricardo Cabral
Florianópolis, v.3, n.56, p.1-34, dez. 2025
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Emaranhada1: cenas com lixo e manguezal no estado do Rio de Janeiro2
Ricardo Cabral3
Resumo
O artigo tece uma crítica da separabilidade moderna, partindo de Karen Barad e
Denise Ferreira da Silva. Propõe então uma estético-política relacional, entendendo
os fenômenos entre as matérias como uma dimensão fundamental o convite é
liberar a capacidade criativa da imaginação para além da separação. Esse debate se
materializa em Emaranhada, projeto que envolveu artistas, catadoras de materiais
recicláveis, biólogues, educadores, pescadores e caranguejeires. Retomando a
estética relacional proposta por Nicolas Bourriaud, e a crítica feita a ele por Claire
Bishop, o artigo partilha ainda ações interinstitucionais recentes de Eleonora Fabião
para pensar, junto a André Lepecki, uma poética da proliferação.
Palavras-chave: Performance. Emaranhamento. Proliferação. Lixos. Manguezal.
Emaranhada: scenes with trash and garbabe in the state of Rio de Janeiro
Abstract
The article weaves a critique of modern separability, drawing from Karen Barad and
Denise Ferreira da Silva. It proposes a relational aesthetic-politics, understanding the
phenomena between matters as a fundamental dimension the invitation is to
unleash the creative capacity of imagination beyond separation. This debate
materializes itself in Emaranhada, a project that involved artists, waste pickers,
biologists, educators, fishers and crab gatherers. Examining the relational aesthetics
proposed by Nicolas Bourriaud, and its critique made by Claire Bishop, the article
also shares recent interinstitutional actions by Eleonora Fabião to consider, along
with André Lepecki, a poetics of proliferation.
Keywords: Performance. Entanglement. Proliferation. Waste. Mangrove.
Emaranhada: escenas con basura y manglar en la provincia de Río de Janeiro
Resumen
El artículo teje una crítica de la separabilidad moderna, partiendo de Karen Barad y
Denise Ferreira da Silva. Propone una estético-política relacional, entendiendo los
fenómenos entre materias como su dimensión fundamental la invitación es liberar
la capacidad creativa de la imaginación más allá de la separación. Ese debate se
materializa en Emaranhada, proyecto que involucró artistas, colectoras de
materiales reciclables, biólogues, educadores, pescadores y colectores de cangrejos.
Retomando la estética relacional de Nicolas Bourriaud, y su crítica por Claire Bishop,
sen el artículo se comparten también acciones interinstitucionales de Eleonora
Fabião para pensar, junto a André Lepecki, una poética de la proliferación.
Palabras-clave: Performance. Entrelazamiento. Proliferación. Basura. Manglar.
1 Revisão ortográfica, gramatical e contextual do artigo realizada por Júlia Andrade da Silva Rosa. Mestrado em Língua
Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Graduação em Letras (Português-Francês) pela UERJ.
2 O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Brasil
(CAPES) Código de Financiamento 001. A pesquisa foi realizada no Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com orientação da Prof.ª Dr.ª Eleonora Fabião.
3 Doutorado e Mestrado em Artes da Cena pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduação em Comunicação
Social pela UFRJ. cabralpereira.ricardo@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/9301479296029634 https://orcid.org/0009-0004-3063-2057
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Ricardo Cabral
Florianópolis, v.3, n.56, p.1-34, dez. 2025
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O trabalho
Papel higiênico
copo descartável
fio dental
coroa de abacaxi
absorvente
algodão
casca e semente de melão
casca de banana
borra de café
casca de ovo
saco plástico
casca e semente de mamão
colherzinha do café
caixa de remédio manipulado
poeira com cisco de pão
cartela de remédio
resto de tapioca
papel guardado no fundo da bolsa
nota fiscal
filtro de café
garrafa PET de água mineral
casca de manga
uma flor
potinho de condicionador
pedacinho da embalagem de comida de gato
cantinho da unha
fio de cabelo
as etiquetas das nossas luvas de trabalho [grupo de artistas da
cena que participou das oficinas-performance e do filme
Emaranhada, formado por Ana Julia Odilon, Camila Costa, Chris
Igreja, Dani Câmara, Dani Lima, Dieymes Pechincha, Igor Freinas,
Marcéli Torquato, Nicole Barros, Soraya Ravenle, Victor Seixas e eu,
rememorando em jogo o que tínhamos “jogado fora” até as 10h
da manhã daquele dia.
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Ricardo Cabral
Florianópolis, v.3, n.56, p.1-34, dez. 2025
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Figura 1 - Oficina-performance Emaranhada. Primeiro encontro do Teatro Caminho com a Coopfuturo
(1ª Central de Triagem do Programa de Coleta Seletiva do Rio de Janeiro, 2022).
Foto: Carolina Calcavecchia
Emaranhada é um trabalho que fez dois encontros acontecerem.
Ó, deixa eu apresentar pra vocês vocês se apresentaram na hora
do almoço, eu não tava, né. Ô meninas... Nega, Tatá! Esses são nossos
amigos do teatro, que vieram aprender um pouquinho com a gente
[Evelin Brito, diretora de produção da Coopfuturo].
No primeiro encontro, 12 artistas da cena do grupo Teatro Caminho, e artistas