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Perceber-fazer florestas com mesas de trabalho em
tempos de ruínas e precariedades
Susana Oliveira Dias | Tiago Amaral Sales | Emanuely Miranda
Mariana Vilela | Larissa de Souza Bellini | Natália Aranha
Para citar este artigo:
DIAS, Susana Oliveira; SALES, Tiago Amaral; MIRANDA,
Emanuely; VILELA, Mariana; BELLINI, Larissa de Souza;
ARANHA, Natália. Perceber-fazer florestas com mesas de
trabalho em tempos de ruínas e precariedades.
Urdimento
Revista de Estudos em Artes Cênicas, Florianópolis, v. 1, n. 57,
abr. 2026.
DOI: 10.5965/1414573101572026e0303
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Perceber-fazer florestas com mesas de trabalho em tempos de ruínas e precariedades
Susana Oliveira Dias | Tiago Amaral Sales | Emanuely Miranda | Mariana Vilela | Larissa de Souza Bellini | Natália Aranha
Florianópolis, v.1, n.57, p.1-34, abr. 2026
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Perceber-fazer florestas com mesas de trabalho em tempos de ruínas e
precariedades1
Susana Oliveira Dias2 | Tiago Amaral Sales3 |Emanuely Miranda4 |
Mariana Vilela5 | Larissa de Souza Bellini6 | Natália Aranha7
Resumo
Em tempos de ruínas e precariedades (Tsing, 2019, 2022), busca-se percorrer
um caminho fabulativo com as “mesas de trabalho”, um dispositivo de
criação artística coletiva que deseja perceber-fazer floresta ao se inventar em
companhias com os seres mais que humanos, como aves, vírus, plantas e
sapos. Dedicou-se a pensar com quatro mesas de trabalho que aconteceram
durante uma residência artística e mostrar como tais relações com espécies
companheiras (Haraway, 2021, 2022) favorecem a ativação e engajamento dos
corpos (Greiner, 2017) em simbioses, em performances multiespécies. As
mesas pressupõem a florestania (Krenak, 2022) como gesto político diante
do Antropoceno.
Palavras-chave
: Mesa de trabalho. Floresta. Divulgação científica e cultural.
Artes multiespécies. Precariedade.
1 Revisão ortográfica, gramatical e contextual do artigo realizada por Tascieli Feltrin. Doutorado e Mestrado em Educação pela
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Graduada em Letras Português e Espanhol (FMC). tascielifeltrin@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/5820005433405126 https://orcid.org/0000-0002-4018-674
2 Pós-doutorado em artes pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Doutorado e Mestrado em Educação pela Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp). Pesquisadora (PqA) do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da
Unicamp. Especialização em Jornalismo Científico pela Unicamp. Graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas pela
Universidade Federal da Bahia (UFBA). susana@unicamp.br
http://lattes.cnpq.br/5698405999655776 https://orcid.org/0000-0001-5814-7847
3 Pós-doutorado em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Doutorado e Mestrado em
Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Bacharelado e Licenciatura em Ciências Biológicas pela UFU. Professor
nos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas (ICENP) e nos Programas de Pós-Graduação em Educação
(PPGED) e em Educação Básica (PPGPEDU) da UFU. tiagoamaralsales@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/2295345372533795 https://orcid.org/0000-0002-3555-8026
4 Mestrado em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Graduação em Jornalismo pelo
Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Faz parte do Grupo de pesquisa multiTÃO, da Revista ClimaCom, da Rede
Latino-americana de Divulgação Científica e Mudanças Climáticas e do Laboratório de Mídias Digitais e Internet.
emanuelymiranda.em@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/9083085676107174 https://orcid.org/0000-0001-6372-0708
5 Mestrado em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Bacharelado em Letras (FSB).
Formação técnica em teatro pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Participa do grupo de pesquisa multiTÃO: prolifer-
artes sub-vertendo ciências educações e comunicações (CNPq-Labjor-Unicamp) e faz parte da Rede Latino-americana de
Divulgação Científica e Mudanças Climáticas do INCT. nnanavl@gmail.com
https://lattes.cnpq.br/3005728160032155 https://orcid.org/0000-0001-7691-5539
6 Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Faz parte do Grupo de pesquisa multiTÃO,
da revista ClimaCom e da Rede Latino-americana de Divulgação Científica e Mudanças Climáticas do INCT.
l238834@dac.unicamp.br http://lattes.cnpq.br/1267373012016360 https://orcid.org/0000-0002-0862-4147
7 Doutoranda em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde desenvolve pesquisas sobre coloração e
comportamento em anfíbios anuros. Mestrado em Divulgação Científica e Cultural pelo Labjor-IEL-Unicamp. Bióloga com
bacharelado em Meio Ambiente e Biodiversidade pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) Campus Jaboticabal.
nataliaz.aranha@gmail.com http://lattes.cnpq.br/1874738670936315 https://orcid.org/0000-0003-2869-8829
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A Perceiving-making forests with work tables in times of ruins and precariousness
Abstract
In times of ruin and precariousness (Tsing, 2019, 2022), we seek to explore a
fabled path with “work tables”, a device for collective artistic creation that
seeks to perceive and create forests by inventing themselves in the company
of more-than-human beings, such as birds, viruses, plants, and frogs. We
focused on reflecting on four work tables created during an artistic residency
and demonstrating how such relationships with companion species (Haraway,
2021, 2022) foster the activation and engagement of bodies (Greiner, 2017) in
symbiotic multispecies performances. The tables presuppose forestry
(Krenak, 2022) as a political gesture in the face of the Anthropocene.
Keywords:
Working table. Forest. Scientific and cultural communication.
Multispecies arts. Precariousness.
Percibiendo-haciendo bosques con mesas de trabajo en tiempos de ruinas y
precariedades
Resumen
En tiempos de ruinas y precariedades (Tsing, 2019, 2022), buscamos explorar
un camino fabulativo con las “mesas de trabajo”, un dispositivo de creación
artística colectiva que busca percibir y crear bosques inventándose a
mismos en compañía de seres más que humanos, como aves, virus, plantas
y ranas. Nos centramos en reflexionar sobre cuatro mesas de trabajo creadas
durante una residencia artística y en demostrar cómo estas relaciones con
especies acompañantes (Haraway, 2021, 2022) fomentan la activación y la
participación de los cuerpos (Greiner, 2017) en performances simbióticas
multiespecie. Las mesas presuponen la florestania (Krenak, 2022) como un
gesto político ante el Antropoceno.
Palabras clave
: Mesa de trabajo. Bosque. Difusión científica y cultural. Artes
multiespecies. Precariedad.
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Montando uma mesa… ou modos de criar com
Figuras 1, 2, 3 e 4 mesas de trabalho
Estamos imersos entre mudanças climáticas e crises globais, o que pode, em
muitos momentos, soar como algo fatalista e paralisante. Talvez o ato de parar e
desacelerar seja, de fato, necessário para escutar o que ressoa, o que ecoa, o que
urge neste momento. Ver o que pede passagem para podermos, enfim, ensaiar
florestanias (Krenak, 2022) e maneiras de adiar o fim dos mundos de vida que nos
nutrem (Krenak, 2019), que criam paisagens multiespecíficas (Tsing, 2019).
As alterações no regime climático ameaçam muitos modos de existir,
humanos e mais que humanos, e exigem uma atenção diferenciada para as
relações, interconexões e interações socioambientais, estéticas e políticas que
estão em jogo no capitalismo. Como denota a antropóloga Anna Tsing (2022, p.
62): “Estamos presos ao problema do viver apesar da ruína econômica e ecológica”.
Ela define nosso tempo presente em termos de precariedade: uma vida sem
estabilidade que se ampliou para todos, e assim acontece (Tsing, 2022).
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Dessa forma, fortifica-se a narrativa moderna da “Natureza”: grandiosa,
universal, passiva e mecânica, que poderia ser dominada e controlada pelo
“Homem”. Uma natureza que se reduziria a um mero pano de fundo inerte das
atividades humanas que nos impede de dedicarmos interesse aos
entrelaçamentos interespécies e às sobrevivências colaborativas, como assuntos
sérios que exigem de nós um perceber-fazer floresta (Dias, 2020).
Ao nos situarmos nos territórios marcados por destruições e precariedades
como nos lembra Tsing (2019, 2022) –, precisamos percorrer o caminho dos
fabuladores e da fabulação para nos lembrarmos da vida pulsante em todos os
seres, colocamo-nos atentos às possibilidades de seguir nos articulando e nos
organizando coletivamente. Nesse sentido, o que Ailton Krenak (2022) sugere,
quando fala em florestania, tem a ver com um chamado de desvio para fora de
uma noção de cidadania demarcada pela branquitude, enquanto se pratica a
tentativa de coletividade e agência junto às florestas e seus povos.
Pesquisar, trabalhar, fabular, experimentar, viver, mobilizar e florestar…
juntos: eis o nosso desafio, que “A precariedade é a condição de estarmos
vulneráveis aos outros. Os encontros imprevisíveis nos transformam; não estamos
no controle, nem de nós mesmos” (Tsing, 2022, p. 64).
Esse é um desafio que, de fato, tem ressonâncias com as florestas, tendo em
vista que uma floresta envolve proliferar múltiplos modos de existir junto,
permeando relações entre relações, simbioses de simbioses. E é a partir desses
anseios que emergem as necessidades de metodologias de pesquisa que
permitam vivenciar a criação em companhia de uma abundância de formas vivas
que compartilham a Terra/terra conosco. Metodologias que possam ir além dos
movimentos dominantes nas artes, nas ciências, na filosofia, na educação e na
comunicação, diante dos tempos de precariedade e ruínas: por um lado, a
transformação dos mais que humanos em meras mercadorias e, por outro, a
insistência na denúncia e no convencimento como modos de alertar e
conscientizar a população.
Entendemos ser preciso encontrar maneiras de viver que não sejam apenas
receptivas ou reativas, as quais ressoam em nossas pesquisas, docências e
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processos criativos. Acreditamos, como diz Luiz Simas (2019, p. 61), que nossa
tarefa não é apenas resistir, mas que é preciso “[...] reexistir mesmo, reinventar
afeições dentro ou fora das arenas e encontrar novas frestas para arrepiar a vida
de originalidades, encantarias e gritos”.
Nas encruzilhadas naturaisculturais (Haraway, 2022), surgem as mesas de
trabalho (Dias, 2022; Dias, Brito, 2022; Dias, 2023) enquanto possibilidades de
pesquisar e criar artisticamente de modos coletivos e colaborativos, em interações
múltiplas entre humanos e mais que humanos. Entendemos que nas mesas de
trabalho tudo são corpos vivos em relação (gentes, coisas, animais, vírus, plantas,
livros, palavras, imagens, pensamentos, desejos, sonhos…). Em uma mesa, como
em uma floresta, tudo está vivo e nos interessa perceber o que acontece de modo
interespécie. Assim, as performances multiespécies se fazem presentes nas
mesas de trabalho na medida em que se dão processos criativos, investigativos e
propositivos coletivos entre corpos-seres-mundos.
Desde o ano de 2014, o grupo de pesquisas multiTÃO: prolifer-artes sub-
vertendo ciências, educações e comunicações, vinculado ao Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e sediado no Laboratório de
Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) do Núcleo de Desenvolvimento da
Criatividade (Nudecri), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),
experimenta as “mesas de trabalho” (Dias, 2022; Dias, Brito, 2022; Dias, 2023) em
diferentes lugares. Seja na universidade, em seus laboratórios, espaços expositivos,
salas de aula ou praças; seja pelas cidades, nas ruas, nos parques, nas casas,
centros culturais, aldeias e quilombos urbanos ou onde quer que possamos e
desejamos nos encontrar: movimentamo-nos em criações coletivas e
colaborativas.
As mesas de trabalho foram recebendo muitos nomes diferentes à medida
que aconteceram: mesas de trabalho a céu aberto, mesas de trabalho ao ar livre,
mesas de trabalho à beira-rio, mesas de trabalho perceber-fazer floresta, entre
outras. Diferentes inspirações teóricas nos movimentam a pensar nessas mesas
de trabalho. A bióloga, filósofa e antropóloga da ciência Donna Haraway (2023), por
exemplo, nos convida a sentar à mesa com as espécies companheiras e pensar
este território “mesa” como um espaço-tempo de comer junto, compartilhando e
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cocriando a vida. Como ressalta Vinciane Despret (2021, p. 152), Haraway propõe
“[...] honrar em todos os lugares em que vivem, sofrem, trabalham, morrem e se
alimentam as ‘espécies companheiras’, desde os laboratórios que unem humanos
e animais, passando pelos locais de criação, até a nossa mesa”. Tal maneira de
honrar ainda não está inventada, e exige que nos lancemos à criação. Requer que
cultivemos intimidades ativas com diferentes viventes, que prestemos atenção às
palavras, imagens, sons e gestos também como seres que podem multiplicar e
potencializar existências. Temos buscado exercitar esses movimentos com as
mesas de trabalho, pois são dispositivos de criação de encontros com os outros
mais que humanos. São modos de abertura de espaços e brechas para que esses
seres possam participar ativamente dos modos de contar estórias em tempos de
precariedade e ruínas.
Neste texto, debruçar-nos-emos sobre as experiências das “mesas de
trabalho perceber-fazer floresta” – cuja diversidade de materialidades vemos nas
Figuras 1, 2, 3 e 4 que aconteceram durante a residência artística “Perceber-fazer
floresta II: cozinhar, caminhar, cantar, contar…”, realizada na cidade de Campinas,
no estado de São Paulo, Brasil, no ano de 2024. As quatro mesas de trabalho
reuniram pesquisadores e artistas da Rede Latino-Americana de Divulgação
Científica e Mudanças Climáticas (Rede DCMC) e propuseram criar e pensar em
companhia de plantas, pássaros, sapos e vírus.
Essa foi a primeira vez que as quatro mesas aconteceram
concomitantemente, partilhando o espaço, os participantes e, em muitos
momentos, até mesmo os materiais. Dessa forma, este texto se desdobra não
apenas do ato isolado de uma delas, mas da coletividade que elas performaram e
do engajamento para o qual elas nos convocaram quando estiveram juntas no que
diz respeito a um tempo de precariedade. Assim, esta é uma escrita que acontece
no encontro entre as mesas, na potência criativa que se debruça para pensar e
compor em emaranhados multiespécies em tempos de precariedade.
Entendemos e afirmamos seu ineditismo ao alinhavar acontecimentos que se
materializaram com diferentes seres e práticas nas mesas, compondo um arquivo
que permite conhecer, se aprofundar e se relacionar neste caminho de pesquisa-
criação mobilizado nos últimos anos pelo multiTÃO.
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Consideramos, portanto, que mobilizar uma mesa de trabalho é devotar-se
ao compromisso de estar com, de viver e morrer com como nos ensina Donna
Haraway (2023). As mesas de trabalho buscam engajar diversos corpos em
práticas de perceber-fazer floresta por meio da criação coletiva de materiais
artísticos e de divulgação científica e cultural que experimentam alianças entre
artes, ciências, filosofias, educações e comunicações diante do Antropoceno.
Pressupomos que perceber-fazer floresta passe por fazer das linguagens
laboratórios-ateliês de experimentações sensíveis de modos de viver, sentir e
pensar junto que levem a sério uma problematização ao antropocentrismo. Que
se inventem alianças afirmativas com os mais que humanos, que experimentem
uma não oposição entre naturezas e culturas e assumam que as narrativas
também fazem parte dos modos de existir a serem cuidados, dos refúgios a serem
reconstituídos e dos mundos habitáveis a serem cultivados.
As mesas de trabalho têm caráter performativo multiespécie e, na ocasião
da residência, as quatro juntas se reafirmaram de tal forma. Operam como
performances relacionais de longa duração, em que o processo coletivo de criação
é tão importante quanto os artefatos finais que possam emergir. Elas são
estruturadas como rituais de encontro nos quais a escuta atenta, o gesto
compartilhado e a improvisação guiada pelos elementos do entorno constituem o
cerne da prática. Convocam corpos capazes de sentir, escutar e incorporar
micromovimentos, microssonoridades, tatilidades e temporalidades (Ribeiro,
2023).
Entendemos e afirmamos neste trabalho que a performance não é
representação, mas um
estar-com
em presença, um modo de investigação
corpórea e sensível que permite um
fazer-com
(Haraway, 2023). Ela se deixa
contaminar pelos ritmos, sons, texturas e presenças mais que humanas,
transformando a própria pesquisa em um evento comunicacional, educacional,
ético e estético. Assim, a performance é uma maneira dos nossos corpos
escaparem da linearidade do tempo ao espiralarmo-nos em poéticas (Martins,
2021) que se fazem entre ciências, artes, filosofias, educações, comunicações,
dentre outros campos do saber –, que acontecem com uma multiplicidade de
seres humanos e mais que humanos.
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Buscaremos mostrar como as quatro mesas de trabalho puderam, naquela
ocasião, questionar e fissurar as lógicas binárias que alimentam o Antropoceno
(Haraway, 2021, 2023; Lapoujade, 2017; Preciado, 2023). Estas mesas nos
convidaram a exercícios de fabulação especulativa que propõem uma postura
pragmática que busca, ao mesmo tempo, diagnosticar as oposições que
funcionam em determinadas ações e materiais, constituindo um campo
problemático que permita situar e desdobrar as análises e experimentações antes
e além das oposições (Haraway, 2023, 2021; Lapoujade, 2017).
Inspirações metodológicas
As mesas de trabalho (Dias, 2022; Dias, Brito, 2022; Dias, 2023) surgiram como
uma experimentação potente e imprevisível de criação a partir de distintos
materiais, seres, gestos e forças. E, embora tudo parta de uma superfície onde
distintos elementos estão dispostos (e não meramente expostos), nem eles nem
as pessoas se limitam ao perímetro ali definido. As atividades transbordam para
além, acontecendo no entorno e reverberando para muito além do momento em
que ocorrem. Susana Dias (2023) defende que as mesas podem caminhar, por
ativarem e realizarem movimentos multiespécies e, de acordo com suas palavras,
ontoepistemológicos: “Um caminhar que nos engaja materialmente com a
terra/Terra, estimula cocriações e coevoluções afirmativas em meio às catástrofes,
destruições e perturbações do Antropoceno” (Dias, 2023, p. 18).
Ressaltamos que as quatro mesas de trabalho aqui apresentadas e
cartografadas foram pensadas por diferentes pessoas e em tempos-espaços
distintos, tendo sido movimentadas em outros momentos, carregando, assim,
marcas de suas histórias e geografias percorridas. Entretanto, embora tenham sido
realizadas em outros contextos, este artigo se concentra especialmente nas
mesas de trabalho que ocorreram durante a residência artística Perceber-fazer
floresta II. Ou seja, um evento que buscava reunir integrantes pesquisadores,
artistas, professores, estudantes da Rede Latino-americana Divulgação Científica
e Mudanças Climáticas (Rede DCMC), com o propósito de levá-los a
experimentarem o convívio com as florestas, misturando-se a elas e cultivando
uma relação de intimidade e reciprocidade com as matas.
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A residência artística ocorreu nos dias 23, 24, 25 e 26 de maio de 2024. Ao
longo de sua realização, a mesma propôs um conjunto de atividades em conexão
com práticas de povos originários, bem como ocupou lugares da cidade de
Campinas como a Galeria de Artes do Instituto de Artes GAIA da Unicamp; o
Centro Cultural Casarão; a Mata Santa Genebra; e a Casa de Cultura Fazenda
Roseira, considerada um quilombo urbano.
A realização das mesas de trabalho ficou para o último dia da residência
artística, se desenrolou em uma sala espaçosa e arejada do Centro Cultural
Casarão, e se revelou como a culminância de tudo que havia acontecido.
Diferentes espécies foram as nossas companheiras inspiradas no conceito de
espécie companheira de Haraway (2021) e, assim, nessas mesas de trabalho, nós
criamos “[...] uma à outra na carne. Um outro significativo uma para a outra, em
diferença específica, significamos na carne uma forte infecção de desenvolvimento
chamada amor” (Haraway, 2021, p. 10-11).
Amor aos seres companheiros. Amor às diferenças. Amor às multiplicidades.
Sobre a arte de criar junto de outras espécies, a autora afirma que:
Meus relatos multiespécies contam sobre a recuperação em meio a
histórias complexas, que são tão cheias de morte quanto de vida; tão
cheias de finais, e mesmo de genocídios, quanto de inícios. Diante do
inexorável excesso de sofrimento historicamente específico das
amarrações entre espécies companheiras, não me interessam a
reconciliação nem a restauração, mas estou profundamente
comprometida com outras possibilidades mais modestas de recuperação
parcial e de nos levar bem. Chamemos isso de “ficar com o problema”
(Haraway, 2023, p. 23).
Histórias complexas emaranhadas que se colocam com a tantas vezes
dura, porém necessária tarefa de ficar com o problema, experimentando
possibilidades criativas, mesmo em tempos de precariedades: eis uma aposta.
Assim, as mesas de trabalho com os sapos, vírus, pássaros e plantas se
espalharam por todo o espaço. Cada uma ocupou uma ponta da sala. Os
participantes se dividiram em quatro grupos e, assim, foram circulando entre as
mesas a cada trinta minutos, deslocando e colocando os seus corpos em
movimento, experimentando a arte performativa multiespécie das mesas de
trabalho.
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Entendemos que esse feito foi inédito na história das mesas de trabalho.
Relembramos que aquela foi a primeira vez que as quatro mesas em questão
estavam juntas. No entanto, exatamente pelo fato de as mesas de trabalho
terem ocorrido em outros momentos, torna-se importante não assumir que
sabemos na totalidade quais serão os seus movimentos e efeitos. É preciso estar
em um estado de vigilância, humildade, comprometimento e responsabilidade
mútua para se atentar a tudo de novo que pode surgir a cada realização, captando
até mesmo o mais minúsculo de gestos, a fim de perceber o que ele propõe para
um tempo de precariedade e para a convivência-criação multiespecífica. Talvez,
esteja aí o maior dos desafios: entender que uma performance nunca se repete e
não a forçar a se esgotar.
Nesse sentido, buscando a atenção e tentando escapar de reproduções
humanas demais, notamos algo de novo na ocasião aqui mencionada. Para além
de dividirem o espaço e a atenção das pessoas, as mesas de trabalho
manifestaram outros fenômenos: a vivência intensa da florestania e a
experimentação de performances multiespécies. Materiais, leituras, inspirações e
atravessamentos de cada mesa contagiaram a seguinte, emaranhando os
processos criativos em suas relações multiespécies. Desse modo, a metodologia
das mesas de trabalho escalonou para a observação sobre o convívio das quatro
juntas e sobre o efeito que elas tinham quando se juntavam, se acompanhavam,
se comunicavam e se contaminavam. Tudo isso faz entrar em cena uma outra
noção que muito importa para este relato e que nomeou a residência artística:
“Perceber-fazer floresta II”.
Para Dias (2020), perceber-fazer floresta tem a ver com ativar a comunicação
em dimensões cósmicas, assumindo que o mundo, como ela mesma diz, é vivo
por inteireza. “Tal possibilidade, de entrar em comunicação com um mundo todo
vivo, parece que pode acontecer quando o humano deixa de ser o centro dos
processos comunicantes, quando o humano se deixa abrir aos devires e povoar
por forças não humanas” (Dias, 2020, p. 3). Nesse sentido, a autora convoca para
uma composição múltipla entre distintas formas de existência, que extrapolam o
estreito confinamento daquilo que ousamos determinar como humanidade.
Nas mesas de trabalho, a noção de perceber-fazer floresta se manifestou
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pelo fato de que elas começaram a trocar nutrientes entre si, como vegetais que
partilham o mesmo chão, que compartilham a terra, a água e o ar ao crescerem e
viverem juntos, que se comunicam. E também pelo fato de que cada bicho, cada
planta, cada pedaço de papel, cada gesto, cada palavra, cada gota de água e cada
pequenino som povoavam o que estava acontecendo ali, naquele espaço-tempo,
sem escalas hierárquicas de importâncias.
As mesas de trabalho, no exercício de perceber-fazer floresta, nos convocam
à aventura de estar junto, de desviar de coisas dadas e violentas, de afirmar a vida
em suas tantas manifestações. Elas nos convidam a nos vincular a forças e seres
para além de tudo aquilo que é saturadamente humano e que nos coloca
constantemente em meio à precariedade.
Pensando no histórico das mesas de trabalho enquanto metodologia e se
abrindo a assumir tudo de novo que ela revisitou na ocasião da residência artística,
este trabalho se interessa por não apenas relatar o que ocorreu naquele momento,
mas sobretudo por pensar a partir do que ocorreu. Investigando o modo como
elas nos levam a perceber-fazer floresta, em conexão com as ciências, as filosofias
e as artes em práticas educativas e comunicativas. Reforçamos, então, que elas
acontecem enquanto modos possíveis de, a partir das nossas performances e
ativações corporais, questionar binarismos e fissurar tramas dos tempos de
precariedades.
Caminhando com as mesas de trabalho
Nesta seção, dividida em quatro partes, percorremos com palavras e imagens
cada uma das mesas de trabalho que aconteceram na residência artística.
Perceber-fazer floresta II, refletindo sobre as potências de criações e
experimentações artísticas e performáticas multiespécie nas mesas. Cada
narrativa é um convite a também caminhar conosco, permitindo ao corpo ser
afetado e contagiado pelos pássaros, vírus, sapos e plantas em emaranhados e
devires que acontecem com estas espécies companheiras (Haraway, 2021, 2022,
2023).
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Mesa de trabalho com os pássaros
No livro
O menino do mato
, Manoel de Barros (2022) faz experimentações
poéticas a respeito do que é o conhecimento. De acordo com suas palavras, o
conhecimento diz respeito a algo que pode ser sentido, apalpado e ouvido. O poeta
parece defender uma experiência de apreensão do saber que o envolve por inteiro,
mobiliza cada pedaço seu e o coloca em relação com os seres do entorno. “Nossas
palavras se ajuntavam uma na outra por amor e não por sintaxe. A gente queria o
arpejo. O canto. O gorjeio das palavras” (Barros, 2022, p. 15).
Enquanto lemos o autor, que se interessa por estar junto dos passarinhos,
podemos sentir o som da passarada penetrando os ouvidos. É possível, de algum
modo, sentir o pássaro na carne de quem somos e tentar, com eles, inventar um
mundo que nos caiba junto a um jeito de afirmar a vida em tempos de
precariedades.
Ainda que de modo distinto, a mesa de trabalho com os pássaros, realizada
no Centro Cultural Casarão durante a residência artística Perceber-fazer floresta
II, também se na busca por aprender com eles. Eis um ensejo por cocriar em
parceria com suas asas e bicos, senti-los em nós, nos confundirmos com eles.
Conforme foi dito, essa metodologia está em prática pelo grupo de pesquisa
multiTÃO: prolifer-artes sub-vertendo ciências, educações e comunicações
(CNPq/Unicamp) desde 2014 e, ao longo desse tempo, distintas autorias, bem
como artistas, foram chegando e compondo o modo de fazê-la, desfazê-la, refazê-
la. Nesse sentido, em compromisso com a noção multiespécie defendida por
Haraway (2021) e ocupando os campos das artes e das ciências, olhamos com
carinho para os ninhos, os cantos, os voos e as escutas. A fim de ativar um
engajamento coletivo e sensível perante as catástrofes e as colonizações que
tanto nos assolam em tempos de ruínas e precariedades.
Em um livro que pauta o futuro, além de revogá-lo como ancestral, Krenak
(2022) relembra seu próprio passado e conta sobre uma das belezas de sua
infância: sentir-se parte daquilo que, aqui, escolhemos chamar de Terra/terra.
“Então, o primeiro presente que ganhei com essa liberdade foi o de me confundir
com a natureza num sentido amplo, de me entender como uma extensão de tudo,
Perceber-fazer florestas com mesas de trabalho em tempos de ruínas e precariedades
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e ter essa experiência de sujeito coletivo” (Krenak, 2022, p. 102).
Um desafio para o qual a mesa nos convoca tem a ver com a necessidade
de desviar de uma noção estabilizada de humanidade e de cidadania para vivenciar
a florestania e coletividade, conforme Krenak (2022) propõe, com os pássaros.
Trata-se de algo que não temos a pretensão de dizer que, sempre, cumprimos. É,
quem sabe, na verdade, um esforço constante de sensibilidade e percepção.
Perceber-se um com a Terra/terra nos leva a desviar de binarismos que
fundam dicotomias entre natureza e cultura, bem como implica o corpo que
somos uma relação erótica com o cosmos: vento, rio, linha, sapo, jenipapo, vírus,
planta, pássaro. Nesse sentido, na ocasião da residência artística, engajamo-nos
na tentativa de floresta, presença, inteireza, mergulho e raiz.
Com isso em mente, oferecemos uma mesa com diversos materiais e quatro
propostas de experimentação com os pássaros: 1) produzir coletivamente o livro-
objeto “Pombo-correio: uma carta para um futuro ancestral”, onde as pessoas
foram convidadas a escreverem com uma pena de pássaro e tinta, a partir da
escolha e relação com três materiais diferentes da mesa: textos científicos e
filosóficos sobre pássaros, imagens e nomes científicos de aves comuns na cidade
de Campinas (pombas, beija-flor, sabiás, pardais, maritacas, carcarás, jacus, entre
outros) e obras artísticas com pássaros; 2) criar um ninho com frases (retiradas
de vários textos com os pássaros), capins e galhos; 3) contemplar um ninho de
beija-flor e escutar cantos de pássaros; e 4) ativar o devir pássaro no próprio corpo,
fazendo uma performance com plantas e galhos (Bellini, Miranda, Dias, 2024).
Aqui, nos concentramos na experiência da performance. Disponibilizamos um
conjunto de folhas, galhos e cascas de madeira para os participantes criarem um
corpo de pássaro na interação com esses materiais. A partir daí, surgem as mais
distintas figuras: pessoas com folhas grandes e similares simulando um par de
asas enquanto as movimentam para baixo e para cima como num voo; pessoas
colocando galhos compridos na frente da boca para formar um bico e ciscar por
aí; pessoas formando um arco ao redor da cabeça como faz um pavão. De algum
modo, percebemos ressonâncias entre os movimentos de todos e todas
participantes em cada edição da mesa. algumas coisas que se repetem. Não
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como uma repetição esvaziada, mas como uma sincronia cósmica e intuitiva que
nos leva a perceber que, a despeito de nossas prepotências, todos e todas
sabemos ser bichos.
Figuras 5 e 6 Performances de residentes durante a residência artística
Perceber-fazer floresta II.
Todas as performances, assim como essas aqui expostas, enquanto práticas
de experimentação, pareciam estar num esforço comum: abrir-se à criatividade e
encantar-se pelas múltiplas relações que poderiam ser criadas ali entre gentes,
plantas e pássaros. De fato, algumas pessoas começavam tímidas e olhavam ao
redor para ver se mais alguém estava tentando performar. No entanto, aos poucos,
a tentativa de uma ativava e contagiava a de outra. Não demorava muito para que
se colocassem disponíveis à criação num estado potente de presença pessoal e
coletiva, envolvendo suas próprias carnes no encontro com os pássaros,
alterando-se a partir de então e desestabilizando o padrão como um corpo se
apresenta e se percebe.
Para nós, o trabalho da artista Mariana Vilela (2024) é uma referência de
performance. Uma de suas produções que destacamos aqui é parte de sua
dissertação de mestrado realizada no Labjor-Unicamp, na qual ela escreve sobre
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o conceito-prática corpo-linha-selvagem e, enquanto o concebe, vai inserindo
exercícios ao longo do texto (Vilela, 2024). No primeiro deles, convida a pessoa que
para colocar um carretel de linha na boca e, em seguida, puxar a linha até que
ela caia sobre um dos pés. Esse exercício, que se caracteriza também como uma
performance, nos leva a ter algumas sensações. Sentimos a textura da linha com
a língua, bem como sua umidade sobre a pele.
Isso faz com que seja impossível atravessar sua escrita sem que cada pedaço
do corpo o toque e se relacione com ele enquanto materialidade. Não apenas os
olhos percorrem as frases, como também a boca as mastiga e as unhas as coçam.
Não é à toa que, em um dos momentos, a autora faz um convite à pessoa que lê.
“Te quero comigo em presença” (Vilela, 2024, p. 25).
As performances da mesa de trabalho também se desafiaram a convocar a
presença, a atenção, o cuidado, os sentidos e o envolvimento. Havia um chamado
para haver uma relação profunda com os materiais ali dispostos, levando a sério
cada um, se comunicando e se confundindo com eles. Não se tratava de uma
relação espontânea. Foi preciso investir e insistir nela.
Em um tempo de abstração, os pássaros nos chamavam a atender ao
chamado de Krenak (2022, p. 91) para pulsarmos “[...] o coração no ritmo da terra”
e nos comprometermos politicamente com os demais seres. Os pássaros, ainda,
se juntam a nós na tarefa de perceber-fazer floresta.
“Ser um é sempre devir com muitos”, nos lembra Haraway (2022, p. 10). As
performances da mesa de trabalho com os pássaros são eróticas, políticas,
poéticas, espirituais e cosmológicas, que se desafiam ao
devir com
(Haraway,
2022) passarinhos, galhos, sementes, folhas… Elas experimentam deslocar nossa
perspectiva de padrões demasiadamente humanos para performar e reverenciar
ciências-artes-filosofias-educações-comunicações a partir de bicos, penas e asas
na interface com outros seres e forças, inclusive conosco.
Na ocasião da residência artística, foi interessante perceber que, sem
planejamento algum, a mesa de trabalho com os pássaros se situou ao lado de
uma grande janela que, por sua vez, ficava próxima de uma árvore na qual um
ninho se abrigava. Não conseguimos ver as aves, mas sentimos a sua presença ali,
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sendo recíproca à nossa. Mesmo no silêncio de seu canto, conseguimos escutá-lo
e ouvir o que tinha a dizer sobre o tempo que vivemos, marcado pelas ruínas e
precariedades.
A partir do silêncio profundo das pessoas imersas nas atividades das mesas
se fez som. Foi possível ouvir o canto das aves ao redor enquanto performávamos
com os materiais que ali estavam. Foi “[...] preciso ouvir o silêncio. As tecnologias
que nos conectam à prática do bem viver são ancestrais” (Simas; Rufino, 2020, p.
16). A tecnologia do fazer ninho, do performar um pássaro ou escrever com pena
de pássaro nos conectam à ancestralidade e trazem à tona o encantamento pelo
mistério daquilo que um encontro multiespécie pode vir a ser.
Assim está lançada a tarefa do encantamento: afirmar a vida neste e nos
outros mundos múltiplos feito as folhas como pássaros capazes de
bailar acima das fogueiras, com a coragem para desafiar o incêndio e o
cuidado para não queimar as asas. Chamuscados, feridos, mas plenos e
intensos, cantando por saber que a vida é voo (Simas; Rufino, 2020, p.18).
Evocando a responsabilidade perante o mundo e (re)apredendo a afirmar a
vida de forma potente, inspirados em como os encantados o fazem. As
companhias dos pássaros e nosso consequente relacionamento a partir do corpo
reencantaram os mundos que ali estavam e nos levaram a imaginar possibilidades
de futuros ancestrais. Aterrados como pezinhos de galinhas e simultaneamente
voadores como asas. Tudo isso a partir do encontro que se celebrava numa
performance multiespécie, onde o encontro com a floresta não era uma mera
abstração. Fomos passarada.
Mesa de trabalho com os vírus
O vírus não está nem vivo nem morto. [...] É a categoria “vida” que o vírus
faz voar pelos ares. O vírus tira o pensamento binário moderno do sério,
transtorna a ordem da linguagem biológica, transgride os limites, sacode
os termos da classificação, desfaz a taxonomia. Indizível, ele é uma
entidade constitutivamente disfórica (Paul B. Preciado, 2023, p.180).
Vírus… microrganismos que se pulverizam sem que nós, humanos,
consigamos sequer vê-los a olho nu. Seres que podem passar despercebidos, mas
que, em certos momentos, sentimos o seu impacto avassalador em nossos
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corpos, vidas e mundos.
“Todos nós temos alguma estória com os vírus e, na ausência delas,
podemos criá-las. Eles atravessam nossos corpos, nos infectam, se misturam aos
nossos genes, metamorfoseiam nossa carne” (Sales, Rigue, 2025, p. 292). E, se nos
colocássemos na tarefa de cultivar relações próximas, sensíveis, atentas aos
microrganismos que nos povoam, que compartilham e cocriam o mundo conosco?
E se praticássemos a floresta com eles? Quiçá, haveria saída, que
inevitavelmente eles fazem morada em nossos próprios corpos? Eis a complexa
tarefa de estar diante dos vírus, das mudanças climáticas, das ruínas do
Antropoceno, dos atravessamentos mundanos em tempos de precariedade. Nisso,
demanda-nos ver as ressonâncias dessa convivência atritosa, dos impactos do
sistema colonial capitalista, das consequências neoliberais. Resta-nos também
perceber que algo é possível de se aprender, afetar, devir e criar com essas
pequenas existências. Assim, cultivar uma ética desejosa e responsável que
acontece por contágio.
Vírus, seres microscópicos, tantas vezes rotulados como sequer vivos.
Viventes moleculares, carregam a potência da mutação. Mesclam informações
genéticas de seus diminutos corpos acelulares com as células hospedeiras.
Mudam, transformam e, tantas vezes, também destroem a começar pelos
binarismos, como Preciado (2023) nos lembra. Trazem a força de deslocar e
também de matar. Escrever com, entrar em relação com, performar com, criar
com, viver e morrer com nos ensina Haraway (2023) os vírus: uma tarefa a
seguir tentando, experimentando.
“Como ficar com o problema de habitar um mundo com os vírus? Entre
pandemias, infecções, mutações, contágios corporais e afectivos, de que maneiras
esta coexistência multiespécie nos permite criar ao devir com, viver com e morrer
com esses seres microscópicos que situam-se no entre?” (Sales, Dias, 2024, s/p).
Como perceber-fazer floresta com eles em tempos de precariedades? Essas são
algumas das questões que nos movimentaram a pensar na mesa de trabalho com
os vírus, que “Espécies companheiras não são camaradas prontos para
discussões anarquistas do início do século XX [...]. O relacionamento é multiforme,
perigoso, não terminado, permeado de consequências” (Haraway, 2021, p. 40).
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Tal movimento surgiu a partir de uma pesquisa de pós-doutoramento em
Divulgação Científica e Cultural, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),
articulando as interfaces entre ciências, artes, filosofias, educações e
comunicações para pensar na complexa tarefa de comunicar, aprender, viver e
morrer com os vírus. Assim,
Diversas referências artísticas, filosóficas e científicas nos inspiraram na
construção desta mesa com os vírus. Junto dos estudos epidemiológicos,
microbiologistas e virológicos, ressaltamos autorias como Donna
Haraway, Paul Preciado, Emanuele Coccia, Gilles Deleuze e Félix Guattari
como intercessores filosóficos, e produções artísticas de Adriana Bertini
e David Goodswell. Materiais distintos compuseram esta mesa, como:
imagens de produções artísticas, revistas de divulgação científica, livros
filosóficos, tesouras, canetas, canetinhas, lápis de cor, massinha de
modelar, cola, arames coloridos, alicates, placas de petri, tubos de ensaio,
dentre outros. Os mesmos foram disparadores para as criações (Sales,
Dias, 2024, s/p).
Estas experiências de mobilização criativa aconteceram em três momentos
distintos: além da residência artística Perceber-fazer floresta II foco deste estudo
–, no IX Seminário Conexões, ambos na cidade de Campinas SP Brasil, em
maio de 2024, sendo o primeiro momento no Centro Cultural Casarão e o segundo
na Unicamp; e no II Mudanças Climáticas: museus, arte e educação, na
Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Santa Mônica, na cidade de
Uberlândia – MG – Brasil, no dia 02 de setembro de 2024, pela noite.
A mesa de trabalho foi escolhida como caminho para disparar processos
criativos junto aos vírus. Durante a residência, grupos diversos foram rotacionando
e se permitindo contagiar com os elementos presentes. Papéis, canetas, lápis,
cola, tesouras, tintas, notícias jornalísticas a serem fabuladas, livros de filosofia e
livros de literatura a nos infectar com suas palavras afectivas. Também,
compuseram celulares, folhas de árvores e o próprio ambiente em questão.
Participantes colocaram os seus corpos em movimentos e contágios afetivos,
permitindo que a ética desejosa e a erótica dos vírus possibilitasse com eles
experimentar performances e artes multiespécies.
Depois de anos de pandemia de covid-19, podermos nos encontrar
presencialmente e pensar, criar e experimentar juntos é, em si, um presente que
nos leva a afirmar a vida coletiva e recíproca em tempos de precariedades,
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percebendo-fazer floresta. Assim, “Nos territórios pandêmicos, penso que uma
grande força habite justamente no que mais nos medo: no vírus e em suas
sabedorias de contágio” (Sales, 2021, p. 512).
Nas mesas de trabalho com os vírus, atravessamos espaços de precariedade
nas relações entre humanos-vírus ao percorrermos acontecimentos epidêmicos.
“Gripe, caxumba, dengue, sarampo, aids, covid-19, infecções estomacais... verrugas,
tosse, febre, feridas, manchas... no encontro com alguns vírus potencialmente
causadores de adoecimentos nos corpos são colocados para fora de seus limites
individuais” (Sales, Dias, 2025, p. 741). Pensamos em adoecimentos mobilizados
pelos encontros entre corpos em meio a um mundo em ruínas, atravessando vidas
humanas e não humanas em tempos de mudanças climáticas. Tal trajeto se fez
necessário para, enfim, tentar buscar modos outros de cultivar coexistências
possíveis entre seres que se mostram radicalmente diferentes.
Sentir os vírus, sentir com os vírus. Quiçá, devir com, viver com e morrer com.
“Juntos e juntas, nos colocamos nessa tarefa de criar junto com os vírus, de
percorrer territórios sinuosos, de devir com, viver com e morrer com… em mesas
de trabalho!” (Sales, Dias, 2024, s./p.). Em criações coletivas, em experimentações
com diferentes materiais, com os nossos corpos ativamente presentes, com as
nossas trajetórias. Compondo e fabulando estórias íntimas, moleculares, em
vacinas para modos de vida singulares, em mutações subjetivas, em caminhos
possíveis para escutar o que os vírus têm a nos dizer… e o que já disseram tantas
vezes e ainda nos recusamos a entender.
Os vírus nos convidam a pensar a vida [...] de outros modos. Nos colocam
no lugar do indizível, do invisível, do que depende da capacidade de
imaginar para existir e do que, mesmo na incapacidade de entender, está
lá, em toda a sua força, tantas vezes, avassaladora. E, assim, nos colocam
em deslocamentos das certezas, das linearidades, do que sempre é
possível materializar em categorias fechadas e concretas (Sales; Dias,
2025, p. 735).
Vemos que os vírus nos colocam também em encruzilhadas (Rufino, 2019). A
pensar nas potências do que está entre a vida e a morte, a saúde e a doença em
existências acelulares que, nas suas ancestrais estruturas, nos ensinam modos
outros de ser complexo, de se misturar, de destruir e também de mutar, tomando
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forma com as produções aqui expostas, como nas Figuras 7, 8 e 9. Esses afetos
nos aproximaram de uma relação com notícias jornalísticas a serem fabuladas,
ficcionalizadas, experimentadas de modo a desviar de narrativas biomédicas
hegemônicas. A potência artística das mesas de trabalho nos permitiu criar
brincando com o que estava disposto nas mesas e, sobretudo, também
contagiar as pessoas – humanas e mais que humanas – que lá passavam.
Figuras 7, 8 e 9 Mesa de Trabalho com os Vírus. Registros das autorias realizados
na residência artística Perceber-fazer floresta II, na cidade de Campinas, em 2024.
Acessamos, assim, o encantamento das materialidades emaranhadas,
rompendo, inclusive, as barreiras que existiam entre as mesas, infectando-as,
misturando as suas propostas e os seres que elas nos aproximavam. Desenhos,
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fotografias, colagens, danças, movimentos, vídeos e tantas outras possibilidades
criativas foram proliferando e contagiando as seguintes em um movimento de
alteridade significativa (Haraway, 2021). Com nossos vírus companheiros,
rompemos pretensas individualidades e nos infectando em um caminho que é
coletivo. Assim, nas mesas com os vírus “[...] estão algumas pistas para cultivar
modos de aprender, comunicar e devir com os vírus em nossos emaranhados
multiespécie, em divulgações científicas menores” (Sales, Dias, 2025, p. 748). Eis a
potência de perceber-fazer florestas em mesas de trabalho: cocriar em
emaranhados, coexistir em simbioses entre heterogêneos, perceber e fazer a força
florestal que existe justamente nas diferenças e multiplicidades algo possível
também com as existências virais.
Mesa de trabalho com os sapos
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
(O apanhador de desperdícios Manoel de Barros)
Pouco nos deixamos afetar pelos sapos, e muito menos por seus modos de
vida. Os anfíbios anuros, a que me refiro como sapos, atualmente, são
considerados o grupo de vertebrados terrestres com maior risco de ameaça de
extinção e, em sua maioria, são quase sempre imperceptíveis aos olhos e ouvidos
humanos. Seus encontros com humanos e não humanos, em centros urbanos e
residências, são maneiras de habitar uma Terra/terra ferida e vulnerável o que
pode tantas vezes causar estranhamentos e até horror em quem teme esses
seres, impregnados em lógicas que geram aversão ao que difere do comum.
Pensar e viver com os sapos nos mostra que habitar um mundo em ruínas é viver
em composições e perceber-fazer floresta, e isso se refere a uma questão de
relações e convivências estabelecidas com “outros” (Tsing, 2022; Aranha, Dias,
2024a).
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Assim como para Anna Tsing (2019; 2022) e suas relações com os fungos, os
sapos nos levaram a um entrelaçamento entre as ciências, artes e culturas. Isso
ocorre não apenas por meio de críticas e de conhecimentos generalizados, mas
através de conhecimentos e percepções construtoras-de-mundos que se
comunicam, que eles “[...] não são seres sem mundo ou com um mundo
empobrecido, mas são fazedores-de-mundos em suas histórias entrelaçadas”
(Tsing, 2022, p. 28). Mundos que emergem quando pensamos nos sapos como
“espécies companheiras” conceito este proposto por Haraway (2022) ao
convocar seres como parte de uma mesma rede de coexistência, na construção
de paisagens que são materialmente visíveis e sensíveis. Esse conceito
visibilidade ao fato de que fazer mundos não se limita apenas aos humanos, que
todos os seres desenvolvem habitações e alterações ecológicas. Cada um
transforma, modifica e tem sua determinada importância no mundo do outro.
Espécies companheiras também nos mostram que, para criar maneiras de
habitar uma Terra/terra vulnerável e pensar/viver com, é preciso conhecer as
histórias e estórias de habitantes humanos, não humanos e mais que humanos. É
preciso criar novas narrativas que celebrem o viver junto como tarefa a fazer, que
pratiquem a florestania, mesmo em tempos de precariedade.
Experimentar as mesas de trabalho com os sapos, durante a residência
artística Perceber-fazer floresta II, nos fez questionar como poderíamos gerar
meios vivos que fossem capazes de afetar, sensibilizar, pensar e viver com
espécies que vêm enfrentando grandes impactos. Um meio vivo é um meio que
não se separa do vivente, antes faz rizoma com ele (Deleuze, Guattari, 2011). Um
dos caminhos encontrados foi o de seguir os sapos em diversos territórios
científicos, artísticos, filosóficos e comunicacionais e propor misturá-los, colocá-
los em conexão. Buscar com as pessoas passagens para novas alianças baseadas
em alguns compromissos que a mesa de trabalho propôs: de observação dos
sapos vivendo no meio fotográfico, suas cores, formas, texturas, desenhos, gestos,
limites. De intervenção na fotografia com grafismos, a partir do contato com obras
de artistas indígenas – particularmente de Rayane Barbosa Kaingang.
Deste modo, “A pele do fotográfico passou a funcionar não apenas como
espaço-tempo de registro e identificação dos sapos, movimento comum entre
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herpetólogos, mas também espaço-tempo de ficção e conexão com dimensões
ancestrais e virtuais” (Aranha, 2024a, p. 211). Eis um momento de experimentação
da passagem dos sapos do meio fotográfico ao meio da aquarela, usando tintas,
águas, papéis e escuta de seus cantos. Isto ocorreu através do acesso a um arquivo
sonoro da Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard da Unicamp e da investigação
da materialidade dos sons por meio de testes com objetos diversos e criação de
uma página do caderno de estudos dos sons (Aranha, 2024; Aranha, Dias, 2024b).
Na busca por criar novas alianças com os sapos, toda “uma arte de perceber”
foi convocada (Tsing, 2022; Cardoso, 2019). Quem estava observou, escutou,
sentiu e se relacionou com cuidado, atenção e afeto com os sapos. Uma nova
percepção foi dada não somente àqueles anuros, mas também ao brejo, um meio
que vive e possibilita inúmeras outras vivências de diferentes seres e tipos de
relações. Para isso, na residência, um novo elemento entrou para a composição
da mesa de trabalho, a argila. Este material ganhou vida por diferentes meios no
papel, sendo utilizado como tinta e despertando a observação; recriação de um
brejo na folha de uma árvore, que com a água (da chuva ou da torneira) se
misturaram e deram visibilidade ao meio-brejo; na pele, sendo utilizado em
pinturas corporais, que possibilitaram dar a esses seres novos encontros,
performances e maneiras de narrar his-estóriais, conectando aos grafismos
indígenas.
Aprendemos com os herpetólogos da Unicamp que o brejo é um ambiente
marcado pela interação entre terra e água, exigindo atenção e respeito. Assim, nos
misturamos com eles durante a mesa de trabalho com os sapos, como nas Figuras
10, 11, 12 e 13. Caminhar por esse ecossistema requer cautela, tanto para preservar
a fauna local quanto para garantir a própria segurança. Antes de cada passo, é
essencial observar onde pisamos ou nos apoiamos, por dois motivos principais:
verificar e evitar ferir outras espécies que habitam aquele delicado e rico espaço
muitas delas, além dos sapos, são pequenas ou possuem colorações que as
camuflam no ambiente; e para garantir que o solo seja firme o suficiente para
suportar nosso peso, evitando atolamentos ou quedas. Esses cuidados ressaltam
a força e a complexidade desse meio, mostrando que o brejo pode ser tão ou até
mais forte do que nós, humanos.
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Ao caminhar sobre o brejo, a vegetação é uma de nossas maiores aliadas.
Muitas vezes, ela forma uma rede de sustentação que nos permite avançar e
chegar até os sapos. No entanto, em algumas situações, pode criar uma falsa
sensação de segurança, ocultando áreas onde a água é mais profunda. O brejo é
um mundo à parte ele exige atenção constante ao ambiente e a tudo o que
abriga. Assim como nas práticas desenvolvidas nas mesas de trabalho, esse
espaço é feito de experiências compartilhadas, trocas, gestos, observações e
interações, onde cada elemento, com sua singularidade e força, influencia e é
influenciado pelo todo e pelo/com os “outros”.
Figuras 10, 11, 12 e 13 Mesa de trabalho com os sapos. Registros das autorias realizados
na residência artística Perceber-fazer floresta II, na cidade de Campinas, em 2024.
A mesa de trabalho é como uma escrita e vice-versa. É um espaço de
Perceber-fazer florestas com mesas de trabalho em tempos de ruínas e precariedades
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passagens, trânsitos, encontros e relações. Não é apenas um método ou uma
intervenção artística, é uma companhia que favorece simbioses e simbiogêneses
em uma performance multiespécie (Aranha, 2024; Haraway, 2021, 2022). Nesse
contexto, o desconhecido e a curiosidade criam um espaço de encantamento com
a vida, uma relação de interação que nos coloca diante do imprevisível, na interface
com o outro. O grande desafio das mesas de trabalho e de tudo que elas abarcam
é a aposta em uma comunicação que integre imagens, palavras, sons e gestos, e
essa construção será alcançada por meio do cuidado multidisciplinar e de uma
atenção multiespécie.
Mesa de trabalho com as plantas
Um tampo de madeira em
pinus
tratado apoiado sobre dois cavaletes, na
lateral de um deles uma urdidura em barbante realça o tecido feito de galhos,
folhas, gravetos e fibras vegetais. Uma experimentação que alguém fez em alguma
das andanças das mesas de trabalho tempos atrás. Em cima do tampo de
madeira, fotografias de plantas e pessoas com plantas, folhas secas, plantas vivas,
papel para desenho. Canetas diversas e tesoura para as pessoas criarem
interferências com e nas coisas dispostas na mesa. Um livro-fichário das plantas
companheiras. Um copo d’água onde submersa está uma fotografia de Porto
Alegre, para lembrar que aquele era o tempo das catástrofes no Rio Grande do
Sul. No chão, ao lado da mesa, um manto-floresta que faz parte do livro
Floresta²
(Dias; Penha, 2019) e a cabeça vegetal, uma obra relacional da artista e
pesquisadora Mariana Vilela, de título
Vitaloceno
(Vilela, 2022), na qual os
participantes podiam vesti-la e experimentar um corpo vegetalizado. Tudo isso
com o alastramento da mesa pelo chão, porque as plantas nos ensinam não haver
limites para sua proliferação e que viver é um povoamento!
As mesas de trabalho convocam o corpo. Presença, percepção, feitura e
florestania. Os corpos dos participantes ao se movimentar e estabelecerem
relação com os materiais e ferramentas e com as coisas (Ingold, 2012) nas mesas.
É como se as disposições delas reativassem seu animismo (Stengers, 2017). A
mesa de trabalho com as plantas propõe engajamentos vitais e é no encontro
entre os seres mais-que-humanos, humanos e não humanos (Haraway, 2021) que
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os materiais, imagens ou corpos são afetados, modificados, destrinchados e
transformados, convocando um perceber-fazer-floresta (Dias, 2020).
Todas as coisas ali presentes pensam e pulsam vitalidades. Ao riscar linhas
finas numa folha seca, aquela mão torna-se também parte da folha, pois as linhas
da mão confundem-se com as da folha. Então podemos perguntar: quem risca
quem? Ao se deparar com o livro-fichário das Plantas companheiras, os
participantes são convocados a se conectar com suas espécies companheiras
(Haraway, 2021). Para além de um aspecto meramente mental, mas afetivo e
subjetivo, descrever, desenhar e lembrar do cheiro e da imagem de alguma planta
que fez e faz parte de sua existência nessa Terra viva e danificada.
Ao lidar com o corpo das coisas dispostas na mesa de trabalho vegetal tenta-
se romper com as hierarquias e propõe-se que todos os corpos são dispostos
como agentes de ação em uma floresta cósmica. O que se tenta performar na
mesa é também um campo de negociação, de conflito de agências e de
reconhecimento dos limites do próprio exercício de devir com (Haraway, 2023).
Um exercício radical de alteridade onde, como lembra Christine Greiner (2017, p.
42), “[...] não existe um sujeito fundador separado de outros sujeitos e objetos”.
Desde a tesoura, as canetas, as fotografias, o manto, a cabeça vegetal e os
participantes são, ao mesmo tempo, ferramentas e materiais de criação de outras
narrativas vitais, sendo co-fabuladas na potência dos encontros (Vilela, 2024).
nas folhas, sementes, terra, lupas, cadernos, canetas, imagens impressas
dispostas (e não meramente expostas) uma atentividade de pensares, sentires e
fazeres, uma profusão aos encontros e, em uma mesa de trabalho com as plantas,
“[...] encontros são ferramentas de alteridade” (Vilela, p. 79). São elas próprias
agentes neste processo de perceber-fazer, e não meras ilustrações.
Segundo Christine Greiner (2017), pensadora do corpo em movimento, o
exercício da alteridade é um modo de promover um estado criativo. Para ela, “[...]
não existe um sujeito fundador separado de outros sujeitos e objetos” (Greiner,
2017, p. 42). Nas interações propostas entre materiais, ferramentas e participantes,
ou seja, num corpo-a-corpo, assegura-se a invenção de outros corpos em fluxo
contínuo sempre inacabado. Alteridade não só com outra pessoa ou cultura, mas
que se dá com toda e qualquer diferença que impacta o corpo (Greiner, 2017).
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A mesa das plantas não é um laboratório de análise
sobre
a vegetação, mas
uma superfície de crescimento, um campo de correspondência com as plantas,
onde humanos, não humanos e mais-que-humanos “se deixavam levar”
mutuamente a partir de uma prática imersiva. Observar uma folha com uma lupa
neste contexto não é um ato para categorizá-la, mas para seguir suas linhas – os
veios, as bordas irregulares, as cores e deixar que essas linhas guiem os traços
de uma caneta no papel, os movimentos do corpo, os devaneios do pensamento.
Assim, a escrita que surge não é
sobre
a planta, mas uma linha que cresce
com
a
planta. Os movimentos nascem de outro movimento anterior, da mesma maneira
como se na prática de
Contact Improvisation
. Através desse método, o
dançarino não parte de um padrão de movimento codificado ou coreografado, mas
de uma dinâmica coletiva marcada pela imprevisibilidade do contato (Greiner,
2017).
Ao lado da mesa, um pedestal de ferro e no topo uma máscara que cobre a
cabeça inteira, feita de papel, fibra de coco, linhas emaranhadas e plantas
cultivadas. Uma cabeça vegetal. Um jardim vestível. Uma obra viva!
Ao vestir a máscara vegetal, a visão é deslocada à beira da pele, à planta dos
pés, tendo em vista que não é possível enxergar nada: é preciso outra
corporalidade. A perda súbita da visão sentido hegemônico na experiência
humana moderna joga o participante em um abismo de insegurança. O tato, a
audição e o olfato, agora aguçados, não traduzem imediatamente um mundo
acolhedor, mas um ambiente estranho, cheio de obstáculos imprevistos. O corpo,
habituado ao comando e à previsibilidade, confronta-se com sua própria lentidão,
seu desequilíbrio, sua dependência de outros sentidos que foram subjugados. Esse
exercício de vegetalização
expõe, na pele, a violência epistêmica do projeto
humano de dominação: ao tentar ser planta, percebe-se o quanto o próprio corpo
humano foi disciplinado, acelerado e afastado de ritmos orgânicos mais sutis. A
outra corporalidade não se oferece facilmente; ela precisa ser negociada num
campo repleto de hábitos encarnados. A máscara, então, longe de ser apenas um
jardim vestível, torna-se um dispositivo que tensiona a noção de performance de
ser humano. Neste caso, a obra
Vitaloceno
, de Mariana Vilela, torna-se extensão
da mesa e o participante pode abrir-se a outros sentires e sensações. Um exercício
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de vegetalização do humano. Não se trata de antropomorfizar a planta, mas de
permitir que o humano seja atravessado pela lógica vegetal: lenta, subterrânea,
fotossintética, simbiótica. Isso tensiona diretamente a noção de corpo. A cabeça,
sede do pensamento humano, é ressignificada como um vaso, um terreno, um
hospedeiro para outras formas de vida. O corpo humano se torna corpo-território,
corpo-ecossistema.
A mesa com as plantas tem um caráter performativo – assim como todas as
outras que convocam o corpo dos participantes e o corpo das coisas para
acreditar na dimensão artística, como apresentada nas Figuras 14 e 15, agindo na
tecitura de campos de afetos (Greiner, 2017). Com isto, fortalece-se a aposta na
sensibilização de corpos humanos que são devastados e atingidos pelos impactos
de um projeto moderno de “civilização”, centrado no extrativismo e no “progresso”,
que cega todos os órgãos sensoriais vitais e cria corpos insensíveis, acostumados
à violência (Ribeiro, 2023).
Figuras 14 e 15 Mesa de trabalho com as plantas. Registros das autorias realizados
na residência artística Perceber-fazer floresta II, na cidade de Campinas, em 2024.
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Considerações para nos encantarmoscom mesas de trabalho
“O mundo é grande, vasto e cheio de vida assertiva”, anuncia Donna Haraway
(2021, p. 42) ao pensar no emaranhado de espécies companheiras que vamos
tecendo em nossas trajetórias. Nas mesas de trabalho, buscamos evidenciar a
potência criadora e criativa possível nessa metodologia de pesquisa e de produção
artística que acontece em tempos de precariedade e ruínas. Percebemos que é
com a ativação e engajamento de nossos corpos humanos, não humanos e mais
que humanos –, em performances multiespécies, que ganhamos velocidades para
experimentar caminhos possíveis.
Consideramos isso fundamental diante de um tempo de catástrofes que
envolve a sensação de que não há mais o que esperar senão o fim. Em meio a um
clima de inércia e de anestesia, as mesas de trabalho nascem a partir da
preocupação com epistemicídios em curso, os quais estão atrelados às mudanças
climáticas, que “Migrações, explosões de desigualdades e Novo Regime
Climático: trata-se da mesma ameaça” (Latour, 2020, p. 19). Porém, mais do que
ficar na lógica da denúncia, desejamos criar caminhos possíveis, em suas
pequenezas, em suas micropolíticas, em seus contágios afetivos. Como ressalta
Anna Tsing, “[...] precisamos de uma política com força para criar coalizões que
sejam mutáveis e que incluam a diversidade e não apenas para humanos” (2022,
p. 209). Por isso, as mesas pressupõem a florestania (Krenak, 2022) como gesto
político diante do Antropoceno, ativando encontros entre artes, ciências e
filosofias, reflorestando imaginários, proliferando múltiplos modos de existir junto
entre heterogêneos, criando agrupamentos mobilizados a partir de uma causa
comum. A florestania não é um dado ou uma característica das mesas de trabalho,
mas antes uma eterna busca, um chamado a seguir com as florestas como um
problema e uma potência a ser experimentada coletivamente.
Com as mesas de trabalho, percebemos os seres, as coisas, os corpos, os
fenômenos, as ideias sempre se fazendo, em processo contínuo de performance
com o que são, com o que podem se tornar e com o que não são mais. Sentimos
como “As ideias são produzidas na mente e, ao mesmo tempo, a mente é
produzida através delas em um
continuum
entre corpo e ambiente” (Greiner, 2017,
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p. 41). A convocatória é para reativar o encantamento com as coisas, com os seres,
com os corpos, com os encontros, com os contatos, com a vida proliferante em
meio ao risco de vertiginosa extinção e degradação. Para reencontrar a aptidão
para devir com os materiais-seres-coisas-forças-mundos, “[...] trabalhar como
modos singulares de agir que, por sua vez, são modos de sentir e de se constituir”
(Greiner, 2017, p. 41).
Eis uma oportunidade com as mesas de trabalho: fazer, em emaranhados e
performances multiespécies, o imprevisível. Perceber-fazer florestas entre
heterogêneos, dialogando, divulgando, educando e comunicando ciências, artes e
culturas em modos disruptivos, singulares, sutis. Com os pássaros, com os sapos,
com os vírus, com as plantas e tantos outros seres que fazem mundos conosco,
mesmo em tempos de ruínas e precariedades. Esse é um convite a ficar com os
nossos problemas mundanos, carnais, fabulando com os mesmos, engajando-nos
coletivamente.
As mesas de trabalho não são uma resposta final para os tempos de ruínas
e de precariedades. Elas são, antes, um convite a ficar com o problema (Haraway,
2023), a seguir com a questão que nos convoca Krenak (2022, p. 65): “[...] como
fazer a floresta existir em nós, em nossas casas, em nossos quintais?”. Em nosso
caso, como fazer a floresta existir nas universidades, nas aulas, nas práticas de
extensão e de pesquisa, nas experimentações artísticas, nas galerias e centros
culturais, nos espaços de vida, de desejo e de coexistência? Como perceber-fazer
florestas em nossas escritas, em nossas criações coletivas, em nossos corpos e
em nossos modos de pensar, sentir e agir? Algumas pistas foram lançadas nestas
escritas, esperamos que elas possam se pulverizar e contagiar quem com elas se
encontre, com afetos potentes.
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Recebido em: 17/09/2025
Aprovado em: 20/12/2025
Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC
Programa de Pós-Graduação em Teatro PPGT
Centro de Arte CEART
Urdimento
Revista de Estudos em Artes Cênicas
Urdimento.ceart@udesc.br