
Perceber-fazer florestas com mesas de trabalho em tempos de ruínas e precariedades
Susana Oliveira Dias | Tiago Amaral Sales | Emanuely Miranda | Mariana Vilela | Larissa de Souza Bellini | Natália Aranha
Florianópolis, v.1, n.57, p.1-34, abr. 2026
Tal movimento surgiu a partir de uma pesquisa de pós-doutoramento em
Divulgação Científica e Cultural, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),
articulando as interfaces entre ciências, artes, filosofias, educações e
comunicações para pensar na complexa tarefa de comunicar, aprender, viver e
morrer com os vírus. Assim,
Diversas referências artísticas, filosóficas e científicas nos inspiraram na
construção desta mesa com os vírus. Junto dos estudos epidemiológicos,
microbiologistas e virológicos, ressaltamos autorias como Donna
Haraway, Paul Preciado, Emanuele Coccia, Gilles Deleuze e Félix Guattari
como intercessores filosóficos, e produções artísticas de Adriana Bertini
e David Goodswell. Materiais distintos compuseram esta mesa, como:
imagens de produções artísticas, revistas de divulgação científica, livros
filosóficos, tesouras, canetas, canetinhas, lápis de cor, massinha de
modelar, cola, arames coloridos, alicates, placas de petri, tubos de ensaio,
dentre outros. Os mesmos foram disparadores para as criações (Sales,
Dias, 2024, s/p).
Estas experiências de mobilização criativa aconteceram em três momentos
distintos: além da residência artística Perceber-fazer floresta II – foco deste estudo
–, no IX Seminário Conexões, ambos na cidade de Campinas – SP – Brasil, em
maio de 2024, sendo o primeiro momento no Centro Cultural Casarão e o segundo
na Unicamp; e no II Mudanças Climáticas: museus, arte e educação, na
Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Santa Mônica, na cidade de
Uberlândia – MG – Brasil, no dia 02 de setembro de 2024, pela noite.
A mesa de trabalho foi escolhida como caminho para disparar processos
criativos junto aos vírus. Durante a residência, grupos diversos foram rotacionando
e se permitindo contagiar com os elementos lá presentes. Papéis, canetas, lápis,
cola, tesouras, tintas, notícias jornalísticas a serem fabuladas, livros de filosofia e
livros de literatura a nos infectar com suas palavras afectivas. Também,
compuseram celulares, folhas de árvores e o próprio ambiente em questão.
Participantes colocaram os seus corpos em movimentos e contágios afetivos,
permitindo que a ética desejosa e a erótica dos vírus possibilitasse com eles
experimentar performances e artes multiespécies.
Depois de anos de pandemia de covid-19, podermos nos encontrar
presencialmente e pensar, criar e experimentar juntos é, em si, um presente que
nos leva a afirmar a vida coletiva e recíproca em tempos de precariedades,