1
Trilogia Sul Invertido: a criação de textos
teatrais a partir de olhares do sul do
Rio Grande do Sul
Fernanda Vieira Fernandes
Mario Celso Pereira Junior
Para citar este artigo:
FERNANDES, Fernanda Vieira; PEREIRA JUNIOR, Mario
Celso. Trilogia Sul Invertido: a criação de textos teatrais
a partir de olhares do sul do Rio Grande do Sul.
Urdimento
Revista de Estudos em Artes Cênicas,
Florianópolis, v. 2, n. 44, set. 2022.
DOI: http:/dx.doi.org/10.5965/1414573102442022e0108
Este artigo passou pelo
Plagiarism Detection Software
| iThenticate
A Urdimento esta licenciada com: Licença de Atribuição Creative Commons (CC BY 4.0)
Trilogia Sul Invertido: a criação de textos teatrais a partir de olhares do sul do Rio Grande do Sul
Fernanda Vieira Fernandes; Mario Celso Pereira Junior
Florianópolis, v.2, n.44, p.1-27, set. 2022
2
Trilogia Sul Invertido: a criação de textos teatrais a partir de olhares
do sul do Rio Grande do Sul
1
Fernanda Vieira Fernandes
2
Mario Celso Pereira Junior
3
Resumo
Este artigo discorre sobre o ponto de partida para a criação dos textos teatrais
da Trilogia Sul Invertido: a região sul do estado do Rio Grande do Sul. Através
da observação das três peças e de suas respectivas gêneses, apresenta-se a
forma como este pano de fundo aparece nas obras. A coletânea, escrita por
Ingrid Duarte, Mario Celso e Thalles Echeverry, docentes egressos da
Universidade Federal de Pelotas, foi lançada durante a pandemia da COVID-
19, com recursos advindos da Lei Federal n.º 14.017 (Lei Aldir Blanc). O trabalho
reflete ainda sobre a virada do olhar para além da capital, voltando-se a
cidades localizadas fora do eixo metropolitano, e demonstra a importância
da criação de espaços de formação e fomento à escrita teatral, em especial
para novos autores.
Palavras-chave
: Trilogia Sul Invertido. Texto teatral. Região Sul. Teatro da
região Sul. Fomento à dramaturgia.
1
Revisão ortográfica e gramatical do artigo realizada pela própria autora, Fernanda Vieira Fernandes, por ter
mestrado e doutorado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
2
Estágio de doutorado-sanduíche pela CAPES, na Université Paris 3 - Sorbonne Nouvelle. Doutora em Estudos
da Literatura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Estudos da Literatura
(UFRGS). Especialidade de Literaturas Estrangeiras Modernas, ênfase de Literaturas Francesa e Francófonas
pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRGS. Graduação em Artes Cênicas (UFRGS). Professora
adjunta do curso de Teatro-Licenciatura da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
nvnandes@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/5416511917003234 https://orcid.org/0000-0003-4488-9713
3
Mestrando em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS) - Bolsista CAPES. Licenciado em Teatro pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Ator,
dramaturgo, dançarino e artista circense com especialidade em malabarismo e clown.
mariojunior.arte@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/9078593522783253 https://orcid.org/0000-0003-3002-5228
Trilogia Sul Invertido: a criação de textos teatrais a partir de olhares do sul do Rio Grande do Sul
Fernanda Vieira Fernandes; Mario Celso Pereira Junior
Florianópolis, v.2, n.44, p.1-27, set. 2022
3
Inverted South Trilogy: creation of theatrical texts based on
perspectives of the south region of Rio Grande do Sul
Abstract
This article discusses the starting point for the creation of the theatrical texts
for the Inverted South Trilogy: southern Rio Grande do Sul, a Brazilian state.
By observing the three plays and their respective genesis, it is possible to see
how this region is used as the background of the works comprising the trilogy.
The collection, written by Ingrid Duarte, Mario Celso, and Thalles Echeverry,
professors graduated from the Universidade Federal de Pelotas, was
launched during the COVID-19 pandemic with resources granted according to
Federal Law n.º 14017 (Aldir Blanc Law). This trilogy highlights a change in
perspective which goes beyond the capital of the state to address cities
located outside the metropolitan areas, and demonstrates the importance of
creating spaces for training and incentive to writing of plays, particularly to
new authors.
Keywords
: Inverted South Trilogy. Theatrical text. South region. South region
theater. Incentive to dramaturgy.
Trilogía Sur Invertido: la creación de textos teatrales a partir de
miradas del sur de Rio Grande do Sul
Resumen
En este artículo se discute el punto de partida para la creación de los textos
teatrales de la Trilogía Sur Invertido: la región sur del estado de Rio Grande
do Sul. A través de la observación de las tres piezas y de sus respectivas
génesis, se presenta la forma en que tal marco aparece en las obras. La
recopilación, escrita por Ingrid Duarte, Mario Celso y Thalles Echeverry,
docentes egresados de la Universidad Federal de Pelotas, se lanzó durante la
pandemia de COVID-19, con recursos provenientes de la Ley Federal n.° 14.017
(Ley Aldir Blanc). En este trabajo también se reflexiona sobre el giro de la
mirada más allá de la capital, hacia ciudades ubicadas fuera del eje
metropolitano, y se demuestra la importancia de crear espacios para la
formación y el fomento de la escritura teatral, especialmente para nuevos
autores.
Palabras clave
: Trilogía Sur Invertido. Texto teatral. Región Sur. Teatro de la
región Sur. Fomento a la dramaturgía.
Trilogia Sul Invertido: a criação de textos teatrais a partir de olhares do sul do Rio Grande do Sul
Fernanda Vieira Fernandes; Mario Celso Pereira Junior
Florianópolis, v.2, n.44, p.1-27, set. 2022
4
Uma historiografia (ainda) em devir
Partindo da relevância (e por que não urgência?) de voltar os olhos para
produções de outras regiões, localizadas fora do eixo metropolitano e, nesse caso
específico, para um território de fronteira nacional, este artigo aborda a iniciativa
do projeto
Trilogia Sul Invertido
. A coletânea de textos teatrais inéditos escrita por
Ingrid Duarte, Mario Celso e Thalles Echeverry teve como ponto de partida as
histórias, culturas, cidades e especificidades do sul do Rio Grande do Sul. Além da
apresentação da proposta do projeto e das peças, observa-se como o pano de
fundo da localidade aparece nos textos e reflete-se sobre a importância da
formação e do fomento de novos artistas do interior.
Ao consultarmos livros sobre a história do teatro brasileiro, em geral, nos
deparamos com um recorte muito específico, que não conta de forma
equilibrada das cinco regiões do país. É evidente que a imensidão territorial e
cultural do Brasil não possibilitaria que fossem retratadas todas elas. Contudo, há
que se salientar uma predominância massiva da região Sudeste como a
historiografia oficial em muitas publicações (por exemplo:
Panorama do teatro
brasileiro
(2004, 6 ed.), de Sábato Magaldi;
O teatro brasileiro moderno (
2009, 3
ed.), de Décio de Almeida Prado;
Pequena história do teatro no Brasil
(1986), de
Mario Cacciaglia;
História do teatro brasileiro vol. 1
(2012) e
vol. 2
(2013), dirigidos
por João Roberto Faria, entre outros). Se há menção a produções fora desse eixo,
é pontual. Essa noção acaba limitando o olhar para uma região única em
detrimento das outras, tomando como referência nacional o que também deveria
ser tido como regional.
A busca por publicações acerca da história do teatro do Rio Grande do Sul
revela que pouco material é encontrado e/ou está organizado. Em artigo publicado
no ano de 2014, Taís Ferreira apontava para a urgente necessidade de que o poder
público estadual e poderes municipais estruturassem acervos documentais para
pesquisas sobre a produção cênica no estado, possibilitando que estudos inéditos
surgissem e contribuíssem ao registro dessa historiografia. Na ocasião, Ferreira
intitulou o seu trabalho
Pelo devir de uma historiografia do teatro gaúcho
(2014) e
Trilogia Sul Invertido: a criação de textos teatrais a partir de olhares do sul do Rio Grande do Sul
Fernanda Vieira Fernandes; Mario Celso Pereira Junior
Florianópolis, v.2, n.44, p.1-27, set. 2022
5
sinalizou que aquele não era um ensaio definitivo, e sim um primeiro passo de
escrita de novos textos sobre a historiografia do teatro gaúcho, uma tarefa em
processo:
O objetivo primeiro deste ensaio é apontar as lacunas, espaços em
branco e/ou vazios na própria escrita desta história, e não somente os
acontecimentos desta produção cênica brasileira, específica e localizada
espaço-temporalmente, que é rica, variada e profícua. O desejo deste
ensaio é mapear aquilo que foi feito, na tentativa de apontar novas e
múltiplas possibilidades de investigação histórica que se abrem a partir
desta análise inicial (Ferreira, 2014, p.238).
Oito anos depois, não são muitos os estudos que versam
historiograficamente sobre a produção teatral do Rio Grande do Sul e, quando
existem, costumam ser específicos (sobre grupos, artistas, festivais etc.), pouco
divulgados (trabalhos de conclusão de curso, por exemplo) e sem dar conta de
pensar de forma ampla em uma possível história do teatro gaúcho.
Para além do fato da historiografia teatral da região Sul do Brasil receber
poucos olhares, mesmo dos seus, observamos nas poucas ocorrências
encontradas que o destaque é para a capital, Porto Alegre. A primeira tentativa de
escrever especificamente sobre a história do teatro no RS foi de Athos Damasceno
Ferreira, em 1956, com a obra
Palco, Salão e Picadeiro em Porto Alegre no século
XIX
, que se concentra no panorama porto-alegrense (Ferreira, 2014). É evidente que
a condição de capital maior visibilidade à cidade. Ademais, são oriundos de
os primeiros registros de produções cênicas e o número de artistas, grupos teatrais
atuantes, escolas de teatro, edifícios teatrais e festivais é mais expressivo na
capital.
Juliana Demori e Clóvis Massa (2020) também observam a escassez de
material bibliográfico para o estudo descentralizado de grupos e produções
teatrais fora do eixo da metrópole. Segundo os autores, a abordagem
historiográfica se debruça justamente em desenvolver conhecimento histórico
sobre um dado tema, em um espaço-tempo definido, considerando “[...] a
historicidade dos objetos estudados, pois sua prática entrelaça passado e
presente, refletindo sobre o objeto constituído a partir dos caminhos que o
constituíram” (Demori; Massa, 2020, p.334).
Trilogia Sul Invertido: a criação de textos teatrais a partir de olhares do sul do Rio Grande do Sul
Fernanda Vieira Fernandes; Mario Celso Pereira Junior
Florianópolis, v.2, n.44, p.1-27, set. 2022
6
Faz-se necessário cada vez mais descentralizar o olhar para outras regiões
dos estados. No Rio Grande do Sul, em busca dessa visibilidade a nomes de outros
lugares, temos
O teatro no Rio Grande do Sul
(1999), de Lothar Hessel, e
Dicionário
de autores da literatura dramática do Rio Grande do Sul
, escrita em 2014 por
Antenor Fischer. O livro de Hessel apresenta um mapeamento breve do
desenvolvimento das atividades teatrais em 44 cidades gaúchas, do século XVIII
até a primeira metade do século XX. O segundo título, embora centrado no
levantamento de autores e autoras de textos teatrais, indica nomes que vão além
dos porto-alegrenses.
Em Pelotas, segundo o Projeto pedagógico do curso de Teatro-Licenciatura
Noturno (2022) da Universidade Federal de Pelotas, o primeiro registro de
atividades cênicas data de 1831, ano em que surgiu um grupo estudantil na
Sociedade Patriótica dos Jovens Brasileiros. Outrossim, realizavam-se
apresentações amadoras em espaços fechados e pequenos teatros adaptados
(Hessel, 1999). Em dezembro de 1833, inaugurou-se o Teatro Sete de Abril, que
inseriu Pelotas na rota de grandes companhias, pois as turnês tinham como pontos
extremos as cidades do Rio de Janeiro e Buenos Aires, estando a cidade gaúcha
localizada estrategicamente entre elas. Muitos espetáculos da capital carioca e da
Europa fizeram temporada em Pelotas. Posteriormente, outros teatros foram
construídos na cidade e em suas vizinhas, como Bagé, Jaguarão e Rio Grande.
Dando um salto temporal para o século XX, observa-se a partir dos anos de
1960 um importante movimento teatral com festivais, como aqueles organizados
pela Sociedade de Teatro de Pelotas (STEP). Nos anos de 1980 e 1990, muitos
grupos amadores atuavam fortemente em bairros, comunidades, galerias, feiras e
salas. Dois nomes da escrita dramatúrgica naturais da zona sul do estado se
destacaram: Vera Karam e Valter Sobreiro Júnior. Em 1995, surgiu o Núcleo de
Teatro da UFPel, projeto extensionista que visava o desenvolvimento de atividades
teatrais (Curso de Teatro-Licenciatura Noturno, 2022). Todavia, a região sul do
estado carecia de uma formação em nível superior na área. Assim, em 2008, surgiu
o curso de Teatro-Licenciatura, vinculado ao Centro de Artes da UFPel, atendendo
a esta demanda e formando professores para a rede básica de educação. O curso
se consolidou, muitos estudantes concluíram a sua graduação e seguiram seus
Trilogia Sul Invertido: a criação de textos teatrais a partir de olhares do sul do Rio Grande do Sul
Fernanda Vieira Fernandes; Mario Celso Pereira Junior
Florianópolis, v.2, n.44, p.1-27, set. 2022
7
caminhos, seja enquanto artistas organizados em companhias ou solo, seja
atuando em escolas e/ou outros tipos de instituições. Exemplo de jovens
profissionais egressos da UFPel são os três dramaturgos da
Trilogia Sul Invertido
:
Ingrid Duarte, Mario Celso e Thalles Echeverry.
Trilogia Sul Invertido: os olhares do sul do Sul
Em pleno turbilhão causado pela crise sanitária da COVID-19, que assolou o
mundo, planejaram-se ações para minimizar os estragos no âmbito da cultura e
em outros setores. Um deles foi advindo da Lei Federal n.º 14.017 (Lei Aldir Blanc),
de 29 de junho de 2020, que garantia uma verba destinada às ações culturais
realizadas em todo o Brasil, sendo fracionada para cada estado. Com esse recurso,
em 2021, a Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (SEDAC), junto
com a Fundação Marcopolo, lançou o edital
Criação e Formação - Diversidade das
Culturas
(2021), viabilizado pelo repasse do governo gaúcho. Esse edital tinha como
objetivo a seleção de projetos culturais que desenvolvessem atividades artísticas
em quaisquer linguagens e que tangenciassem ao menos um dos seguintes vieses:
pesquisa (desenvolvimento de saberes, ferramentas e tecnologias no campo da
cultura), criação (produção de objetos e obras artísticas), formação (estímulo ao
surgimento de novos agentes culturais, ações educativas e/ou formativas) e
qualificação (aprimoramento dos profissionais da área, ampliando a cena cultural)
(Fundação Marcopolo; SEDAC, 2021).
Dentre os projetos contemplados estava o Trilogia Sul Invertido, idealizado
por Mario Celso Pereira Junior, ator, diretor, dramaturgo, professor de teatro e um
dos autores deste artigo. A ação principal da proposta era a composição de um
laboratório de criação dramatúrgica, com o objetivo de elaborar três textos teatrais
inéditos feitos por três jovens dramaturgos que nunca haviam publicado suas
obras e que fossem residentes na região sul do estado. As escritas deveriam ter
um mote em comum: as histórias, especificidades e culturas das cidades da
extremidade sul do país. Cada autor tinha a autonomia de escolha e a ideia era
que esses traços aparecessem ou nas personagens, ou na trama, ou como cenário,
ou por meio de lendas, histórias orais, lembranças, ou seja, um grande leque de
Trilogia Sul Invertido: a criação de textos teatrais a partir de olhares do sul do Rio Grande do Sul
Fernanda Vieira Fernandes; Mario Celso Pereira Junior
Florianópolis, v.2, n.44, p.1-27, set. 2022
8
possibilidades (Pereira Junior, 2021b). O propósito era que o laboratório gerasse
um livre espaço de compartilhamento, de troca entre os artistas, circulando os
pensamentos, instigando e desafiando as escritas.
Para a execução do laboratório foram convidados: Thalles Echeverry, ator,
diretor, professor de teatro, dramaturgo e fundador da VOCÊ SABE QUEM Cia de
teatro, e Ingrid Duarte, mulher negra, lésbica, atriz, diretora, dramaturga e arte
educadora, além do proponente Mario Celso. Antes do projeto, nenhum deles tinha
peças publicadas. O intuito foi estimular a profissão de quem escreve para teatro,
em especial para aqueles que são iniciantes e que moram distante da capital.
As criações foram reunidas em um único documento, uma coletânea, um e-
book hospedado em site de livre acesso
4
, ampliando os horizontes de alcance e
facilitando a propagação. Para o lançamento das peças, foram realizadas leituras
dramáticas virtuais em parceria com o projeto de pesquisa
Leituras do drama
contemporâneo
, da UFPel, coordenado pela Profa. Dra. Fernanda Vieira Fernandes,
que atuou voluntariamente como consultora dos três artistas e também é autora
deste artigo. O objetivo das leituras, para além do ritual de estreia dos textos, foi
difundir as obras por outros meios, proporcionando uma relação outra com as
peças.
O título do projeto,
Trilogia Sul Invertido
, teve como inspiração a obra do
artista uruguaio Joaquín Torres García, a
América Invertida
, feita em 1943, como
também a perspectiva sustentada por ele em sua conferência
La Escuela del Sur
(1944). Nela, Torres García enfatizou o pensamento de que o Sul teria que ser
considerado e visto como um Norte. Com essa tomada de decisão, ele redesenhou
o mapa da América do Sul, invertendo-o, destacando sua valorização para a parte
Sul. A representação cartográfica é formada por uma visão de mundo e,
consequentemente, molda a maneira como ele é visto. Torres García inferia que:
Por eso ahora ponemos el mapa al revés, y entonces ya tenemos justa
idea de nuestra posición, y no como quieren en el resto del mundo. La
punta de América, desde ahora, prolongándose, señala insistentemente
el Sur, nuestro norte. Igualmente nuestra brújula: se inclina
irremisiblemente siempre hacia el Sur, hacia nuestro polo. Los busques,
4
O e-book está disponível em: https://trilogiasulinverti.wixsite.com/textosteatrais/e-book. Acesso em: 19 ago.
2022.