A teoria da degeneração e suas implicações no Hospital de Doenças Nervosas e Mentais. Recife, PE /1920

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DOI:

https://doi.org/10.5965/2175180313332021e0115

Resumo

Neste artigo, inicialmente apresentaremos o conceito de degeneração desenvolvido por Benedict-Augustin Morel, Valentin Magnan e Emil Kraepelin, bem como suas repercussões na psiquiatria brasileira nos primeiros anos do século XX. Com base nesses pressupostos, discorreremos sobre a trajetória de vida de pessoas consideradas portadoras de transtornos mentais e do saber psiquiátrico no Hospital de Doenças Nervosas e Mentais do Recife, através da análise de alguns prontuários dos anos de 1920 com pacientes diagnosticados como portadores de Episódio Delirante de Degeneração. O suporte desta pesquisa está no trabalho desenvolvido no acervo do Hospital Ulysses Pernambucano, em que foi realizado o resgate da documentação, a catalogação e a edição de um inventário de todos os livros entre os anos de 1926 a 1970, no total de 1013 volumes, cada um com cinquenta prontuários. A análise dessas importantes fontes, juntamente com o aporte teórico, permitiu a elaboração desse artigo.

Palavras-chave: Hospital; psiquiatria; degenerados; eugenia.

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Biografia do Autor

Carlos Alberto Cunha Miranda, Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

Doutorado em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Professor associado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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Publicado

2021-08-02

Como Citar

MIRANDA, C. A. C. A teoria da degeneração e suas implicações no Hospital de Doenças Nervosas e Mentais. Recife, PE /1920. Revista Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 13, n. 33, p. e0115, 2021. DOI: 10.5965/2175180313332021e0115. Disponível em: https://periodicos.udesc.br/index.php/tempo/article/view/2175180313332021e0115. Acesso em: 28 nov. 2021.

Edição

Seção

Seção Temática: Loucura e Tempo Presente