Quando Clio toca as Pandoras: os arquivos entre histórias e memórias <em>DOI: 10.5965/2175180305092013203</em>

Autores

  • Sylvie Sagnes

Resumo

História e memória não são duas noções que podem sobrepor-se exatamente e isto tanto menos quanto o passado do qual elas dão conta traz a marca de um traumatismo da história. No coração das relações desarmônicas que têm Clio e Mnemósine, guarda-se o arquivo. Em semelhante caso, o tratamento do qual este é objeto constitui de modo incontestável um observatório das inumeráveis implicações que a rememoração do passado suscita. Se alguns duvidam dessa verdade, os trabalhos e ensaios franceses dos quais este artigo propõe a síntese o ilustram eloquentemente. Eles mostram, em contraposição às ambições que o arquivo suscita, o poder que nossas representações ocidentais imputam à sua posse. Alvo de uma violência de outro gênero, o arquivo negligenciado nutre polêmicas a favor das quais variam as alianças e se movem linhas de ruptura. Sobre o tabuleiro da memória, militantes, historiadores profissionais, políticos, legisladores e juízes jogam um jogo complicado, do qual, a contar dos anos 1980, participam as testemunhas assim como os historiadores provindos das fileiras das comunidades memoriais. À prova da prova, as memórias se entrechocam. Memórias dominadas e dominantes, vitimárias e heroicas, subjetivas e objetivas, memórias do coração e da razão se opõem em um estrépito cujos solavancos afetam infalivelmente a disciplina histórica.

Biografia do Autor

Sylvie Sagnes

Pesquisadora do CNRS IIAC, UMR 8177 Equipe LAHIC (EHESS, CNRS, MCC) Paris / Carcassonne

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Publicado

2013-06-27

Como Citar

SAGNES, S. Quando Clio toca as Pandoras: os arquivos entre histórias e memórias <em>DOI: 10.5965/2175180305092013203</em>. Revista Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 5, n. 9, p. 203 - 217, 2013. Disponível em: https://periodicos.udesc.br/index.php/tempo/article/view/2175180305092013203. Acesso em: 27 jul. 2021.

Edição

Seção

Seção Temática - Arquivos no tempo e na história