As culturas infantis interrogam a formação docente: tessituras para a construção de pedagogias descolonizadoras

Autores

  • Ellen Lima Souza Universidade Federal de Lavras/MG
  • Ana Lúcia Goulart de Faria UNICAMP
  • Flávio Santiago Unicamp

Resumo

O presente artigo tem como objetivo problematizar de que modo o reconhecimento das culturas infantis possibilita repensar os modelos canônicos de exercer a docência na educação infantil, tomando como ponto de partida o desvelamento das vivências de crianças negras e não negras, nas creches e pré-escolas, e em uma casa de candomblé. Trata-se de um estudo qualitativo com interlocução crítica entre os estudos pós-colonialistas, as relações étnico-raciais e a pedagogia da infância. Para tanto, partimos das tensões entre o marxismo e o pensamento pós-colonialista, procurando apresentar aportes e possibilidades de construções de pedagogias descolonizadoras que tenham como gênese a intempestividade das infâncias. Os resultados apontam para a necessidade de construção de pedagogias que propiciem a escuta das diferentes infâncias na educação infantil e que possibilitem ouvir o que as crianças pequenininhas e pequenas querem dizer, com suas diferentes linguagens, assim como a possibilidade de estabelecer relações entre os princípios da cosmologia de mundo yorubá, oralidade, ancestralidade e corporalidade com o parecer CNE/CP/03/2004, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, bem como com o parecer CNE/CB/20/2009, que estabelece Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Neste contexto, lançamos um convite à construção de pedagogias descolonizadoras que colaborem para a equidade na educação infantil e inspirem novas políticas públicas de superação do racismo e de distorções que transformam diferenças em desigualdades.

Palavras-chave: Educação Infantil. Culturas Infantis. Relações Raciais. Criança Pequena. Infâncias.

Biografia do Autor

Ellen Lima Souza, Universidade Federal de Lavras/MG

Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP/SP, mestre e doutora em Educação pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar/SP. Atualmente é professora adjunta no Departamento de Educação da Universidade Federal de Lavras - MG e coordenadora do Grupo de Pesquisa Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. . Tem experiência na área de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: Educação das relações étnico-raciais, Educação infantil, Infâncias, Religiosidade, Formação de professores/as

Ana Lúcia Goulart de Faria, UNICAMP

Desde 1984 é docente da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).Tem publicações, pesquisas e orientações de Graduação e Pós-Graduação nas áreas de Pedagogia e Formação Docente, com ênfase em Educação Infantil de 0 a 6 Anos, atuando principalmente em educação infantil em creches e pré-escolas, sociologia da infância , infância e relações de gênero, formação docente para a 1ª etapa da educação básica em creches e pré-escolas, parque infantil, crianças pequenas e culturas infantis. Desde a finalização do pós-doc (bolsa PDE/CNPq) na Università degli Studi di Milano-Bicocca, em setembro de 2010 é membro do Colégio Docente de Doutorado da mesma.

Flávio Santiago, Unicamp

Pedagogo formado pela Universidade Federal de São Carlos (2010) e mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2014). Atualmente é professor adjunto da Faculdade Zumbi dos Palmares no curso de Pedagogia e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da UNICAMP com bolsa FAPESP. Pertence ao Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação e Diferenciação Sociocultural - linha Culturas Infantis , atuando principalmente nos seguintes temas: educação infantil, relações raciais, relações de gênero. Membro da Gestão 2016- 2018 do Fórum Paulista de Educação Infantil.

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Publicado

2018-02-20

Como Citar

SOUZA, E. L.; DE FARIA, A. L. G.; SANTIAGO, F. As culturas infantis interrogam a formação docente: tessituras para a construção de pedagogias descolonizadoras. Revista Linhas, Florianópolis, v. 19, n. 39, p. 80 - 102, 2018. Disponível em: https://periodicos.udesc.br/index.php/linhas/article/view/1984723819392018080. Acesso em: 28 out. 2021.