A lavoura canavieira em São Paulo. Expansão e declínio (1765-1851): um clássico da historiografia brasileira da década de 1960?

Esmeralda Blanco B. de Moura

Resumo


Não faz muito tempo que Maria Thereza Schorer Petrone nos deixou. O mais importante legado da historiadora pode ser aferido em uma obra consistente, competente quanto à investigação documental, verdadeira análise pioneira, datada dos idos da década de 1960, sobre a história de São Paulo. O lugar relevante que Petrone merece ocupar na historiografia brasileira advém, principalmente, da publicação de A lavoura canavieira em São Paulo. Expansão e declínio (1765-1851). Editado em 1968, o estudo tangencia discussões que guiariam o interesse dos historiadores quanto a renovadas possibilidades de análise durante as décadas seguintes. Por seu intermédio, desvenda-se a importância da lavoura açucareira nos cenários da economia e da sociedade paulistas da segunda metade do século XVIII e da primeira metade do século seguinte. É inegável que a análise, mediante sua riqueza de conteúdo, contempla, ainda nestes anos 2000, os interessados na história do açúcar paulista. Por demais interessante é a conclusão de Petrone no sentido de que o aumento significativo da produção de açúcar transformou, com suas fazendas e engenhos, parte do litoral paulista, assim como parte das terras ditas de serra acima. Ao mostrar como essas regiões acabaram por se tornar território dos canaviais, a autora revela, que a exportação de açúcar foi responsável por inserir São Paulo no mercado internacional e por criar importante infraestrutura para o desenvolvimento da economia cafeeira, em torno da qual se organizou, de fato, a aristocracia agrária paulista. Estudo inédito digno, ainda hoje, de ser apreciado e/ou reapreciado, argumento central das reflexões que se seguem.

Palavras-chave: Brasil - Historiografia - Séc. XX. Petrone, Maria Thereza Schorer. Cana-de-açúcar - São Paulo (Estado) - História


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Referências


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DOI: https://doi.org/10.5965/2175180311282019503

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