Trabalhadores e as fendas da ambivalência assistencial: Oeste do Paraná em fins do séc. XX e início do séc. XXI

Sheille Soares Freitas, Carlos Meneses de Sousa Santos

Resumo


Neste artigo, evidenciamos aspectos das relações de poder mantidas entre trabalhadores (notadamente empobrecidos) e os vários sujeitos com que se colocam a dialogar, tendo em vista a atenuação ou superação de suas dificuldades; incluindo em seu repertório de atuação, o envolvimento com órgãos públicos e/ou dirigentes governamentais, empregadores e/ou entidades patronais, além de meios de acesso à instituição judiciária e o próprio contato com outros trabalhadores (estes situados em condições de menor vulnerabilidade). Para tal, indicamos uma documentação variada (abarcando fichas de assistência social, noticiários de jornalismo radiofônico e processo judicial), apontamos dinâmicas assistenciais que expressam um universo de tensão, enredado na desigualdade social, tanto quanto definido pela ambivalência das inserções empreendidas pelos sujeitos destacados. Uma pauta formulada a partir da territorialidade constituída no Oeste do Paraná, conforme questões atinentes à historicidade depreendida entre fins do séc. XX e início do séc. XXI.

Palavras-chave: Trabalhadores. Desigualdades. Relações de Poder. Ambivalência.

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DOI: https://doi.org/10.5965/2175180311272019387