Precisamos falar sobre o lugar epistêmico na Teoria da História

Ana Carolina Barbosa Pereira

Resumo


O debate sobre a geopolítica da produção intelectual tem uma longa e respeitável tradição. Dela participam intelectuais do continente africano, desde o contexto de libertação do jugo colonial (décadas de 1950-1970), intelectuais que integram os paradigmas pós-colonial, decolonial e, mais recentemente, as chamadas teorias ou epistemologias do Sul. Mas se a questão da geopolítica de produção do conhecimento é amplamente conhecida no cenário das teorias sociais, existe um contraste em relação ao campo da Teoria da História. Seria possível dizer que a Teoria da História, como ela é praticada no Brasil, se apresenta como emblema desse contraste, como expressão do que os(as) intelectuais vinculados(as) às tradições acima mencionadas têm denominado “extroversão”, “imperialismo intelectual”, “dependência acadêmica”, “mentalidade cativa”, ou “metrocentrismo”. O objetivo desse artigo é pensar, a partir da realidade brasileira, a geopolítica de produção e consumo da Teoria da História. Para tanto proponho uma particular definição da categoria de lugar epistêmico.

 

Palavras-chave: Teoria da História. Historiografia. Geopolítica.

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DOI: https://doi.org/10.5965/2175180310242018088

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