Patrimônio educativo na educação especial

Aldarlei Aderbal da Rosa, Geovana Mendonça Lunardi Mendes

Resumo


A atenção ao assunto, património cultural da educação, envolve visões inovadoras que abordam a cultura escolar e que conjecturam os objetos pedagógicos como a materialidade que abrilhanta o uso das tecnologias no dia a dia das escolas.

Os espaços que constituem a escola, foram no decorrer da sua existência, construindo, adquirindo, abrigando e reunindo um acervo de artefatos que precisam ser relatados e estudados para que possamos apreciar e preservar a história destas escolas.

A cultura material escolar e o patrimônio educativo, manifestam-se como dados peculiares quando pensamos em estudos direcionados a educação, contudo existe um ramo da educação que apresenta peculiaridades mais acentuadas. Refiro-me aqui à Educação Especial.

Neste orbe da educação especial, como na escola comum, criou-se um acervo patrimonial significativo, tanto em estruturas físicas e instalações prediais distintas, como em mobiliários e objetos pedagógicos diferenciados.

Trago neste trabalho, uma pequena contribuição, tecida em minha experiência como professor de educação especial, sobre alguns objetos e equipamentos que pude conhecer e fazer uso, nessa trajetória, tanto em instituições de educação especial, como na educação especial na perspectiva da educação inclusiva.

Com a criação das Salas de Recursos Multifuncionais (SRM), surge novo espaço escolar, com novos recursos tecnológicos, proposta educacional diferenciada, horários, dinâmicas e disposição atípicas comparados ao padrão escolar, e até um novo profissional para ministrar as aulas que são chamadas, não de aulas, mas de Atendimento Educacional Especializado (AEE) - a escola está passando por uma transformação na sua cultura escolar. Isso acontece não só no espaço das SRM, mas também está ocorrendo na sala comum, no pátio da escola, na biblioteca, na secretaria etc., formando uma riqueza material como legado. As SRM's, com seu acervo, estão trazendo mudanças também no patrimônio educativo das escolas comuns.

Direcionando nossa atenção aos materiais específicos da educação especial, gostaria de exemplificar a materialidade na educação de cegos.

A estrutura das escolas e das salas de aula para cegos, não se diferenciam muito do delineamento convencional das escolas de ensino comum. A principal diferenciação que encontramos é a ausência da escrita em tinta.

Como escrita em tinta, me refiro a toda forma de escrita que não utiliza material em alto-relevo. Assim, intitulo de escrita em tinta, desenhos ou textos produzidos com canetas (esferográficas, penas, ponta hidro porosas...), grafite, carvão, giz, aquarela, letreiros luminosos entre outros.

Assim, na ausência deste tipo de escrita já podemos perceber uma diferença marcante na sala de aula para cegos - a falta do quadro-negro. Esse elemento tão relevante e que muitas vezes define os espaços educativos como sala de aula, é um item totalmente dispensável neste ambiente. Neste momento a escrita é substituída pela oralidade.

Ainda em relação a escrita, a substituição da tinta pelo relevo demanda o emprego de uma série de objetos particulares para esta função. Além dos desenhos ilustrativos em alto-relevo, que ilustram livros de histórias, mapas geográficos, globos, réguas e uma série de objetos pedagógicos táteis, ainda existe um sistema de escrita próprio para o uso por pessoas cegas, o sistema Braille.

Para realização da escrita Braille, se faz necessário a utilização de uma série de instrumentos, onde os de uso mais comum são o “punção” e a “reglete”. O punção e a reglete foram as primeiras ferramentas criadas para essa escrita e foram sucedidas pela criação da máquina de escrever Braille.

Além dos materiais costumeiramente utilizados na educação das pessoas cegas, como a bengala e materiais didáticos em alto relevo e objetos com guizo, ocorreu um grande acréscimo nessa área com a chegada das tecnologias de informação e comunicação. Novos materiais para orientação e mobilidade, computadores e softwares adaptados, vocalizadores para leituras de textos, impressoras Braille, scanners Braille; gravador digital e muitos outros artefatos.

Após esta pequena explanação, podemos perceber as possibilidades que nos oferece a educação especial, seus materiais didáticos, equipamentos e mobiliários, para estudos das questões relacionadas ao patrimônio educativo nesta área da educação. Abrimos aqui, uma discussão que poderá trazer novas produções, com pesquisas mais sólidas que virão a subsidiar este tema.


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