Extensão, currículo e formação acadêmica.

Alfredo Balduíno Santos, Ana Maria Costa e Silva, Fábio Napoleão

Resumo


A Universidade tem como fim a produção de conhecimentos e sua socialização junto a sociedade, o que coloca a extensão universitária em condição de destaque. Na concepção de Marscovitch (1994), a extensão é de suma importância no sentido de fazer da Universidade um espaço presente nos projetos nacionais de desenvolvimento e na resposta às demandas sociais e promoção de políticas públicas, sob a justificativa de que as pessoas comuns financiam as Universidades, principalmente as Universidades públicas. Leita e Nunes (2009) pontuam que as ações de extensão possibilitam um retorno social, retorno este que nos leva como gestores da Universidade do Estado de Santa Catarina, colocar em nosso Plano de Metas, “Excelência com responsabilidade social”. Inclui-se nestas metas a formação de profissionais comprometidos para com o desenvolvimento social e para com vida, capazes de refletir criticamente sobre o que está a sua volta e pensar medidas de intervenção que proporcionem uma melhor qualidade de vida para o conjunto da sociedade. Desta forma, a Universidade tem um compromisso com a formação de profissionais mais críticos, sensíveis com a realidade social e com visão humanista (ARROYO, ROCHA, 2010).

Esta experiência brasileira em extensão é relevante no contexto de formação acadêmica porque nela está contida a ideia de construção de uma sociedade livre, justa e solidária, uma vez que instiga a necessidade de desenvolvimento, integração nacional e o preparo dos universitários para a cidadania (SANTOS; MENDES, 2005).

Por trabalhar com estudantes de diversas áreas, as ações de extensão possibilitam a integração de saberes, além da articulação de ações, na perspectiva da integralidade como princípio constitucional a ser buscado no cotidiano das práticas dos profissionais. Neste sentido, as ações de extensão podem ser uma possibilidade real de inovação do currículo, proporcionando a inserção de alunos, técnicos universitários e professores na realidade social e propiciando ao pesquisador a corroboração, ou não, de sua produção teórica, bem como novas pesquisas fundamentadas em experiências vividas nas ações de extensão. Santos et al. (2011) acrescentam que um ensino de qualidade garante a comunicação e a articulação entre os diferentes cenários de aprendizagem: a graduação, espaços de prática e as necessidades da comunidade, elementos essenciais para a efetivação da indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão.

Freire (1993), inclusive, já defendia a ideia da extensão universitária como um ato educativo, pois possibilita estender os conhecimentos no sentido de transformar o mundo em que as pessoas estão. Assim, nas palavras de Freire, extensão é transformar, é modificar a cultura. Entretanto, torna-se necessário que a extensão tenha bem delimitado qual é o seu fim social, uma vez que não deve assumir o papel do Estado e com isso, prestar assistencialismo.

Isso permitirá desenvolver novas estratégias para a transformação e desenvolvimento das regiões, com suas diferentes especificidades e necessidades, que podem ser atendidas por ações extensionistas. E com isso, ampliam-se as condições para ações transformadoras que incidam em diferentes esferas acadêmicas e sociais, através do incentivo e fomento da extensão por meio dos programas governamentais, representando um marco na política extensionista nas universidades públicas brasileiras.


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