iLibras em busca da acessibilidade comunicacional e inclusão do surdo no uso das tecnologias colaborativas móveis: uma revisão sistemática da literatura

Simone Erbs da Costa, Fabíola Sucupira Ferreira Sell, Carla Medeiros Diacui Berckbrock

Resumo


A Língua Brasileira de Sinais (Libras), língua da comunidade surda brasileira, pode ser pensada como Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA) no Brasil. O surdo recebe as informações linguísticas por meio de uma língua de modalidade visual-espacial; diferentemente do ouvinte que recebe as informações linguísticas por meio de uma língua de modalidade auditivo-oral. A surdez implica tanto na perda de audição e dificuldades de aquisição da fala, como na forma que a pessoa surda está inserida na sociedade, na sua identidade e no seu desenvolvimento. As Tecnologias Assistivas (TAs) potencializam a acessibilidade comunicacional, possibilitando criar conteúdos digitais com múltiplas linguagens e mídias a serem utilizadas como CAA. A comunicação entre sujeito surdo e ouvinte é mais uma das dificuldades enfrentadas pela pessoa com surdez. De um lado da comunicação está o surdo com a Libras, com sua Língua própria; e do outro lado da comunicação está o ouvinte, que na maioria dos casos não tem conhecimento básico da Língua de sinais para que existe uma comunicação efetiva. Nesse cenário, a promoção da acessibilidade comunicacional e a inclusão social vem crescendo em meio acadêmico, torna-se relevante entender, em termos metodológicos, como ocorre a interação entre os pressupostos teóricos que visam minimizar as barreiras de acesso à comunicação de sujeitos surdos e usuários de Libras, e os princípios norteadores predominantes nos trabalhos empíricos dessa temática com os devidos protocolos e práticas. Assim, uma revisão da literatura (RL) dos últimos doze anos, entre junho 2005 e junho 2017, foi realizada com o objetivo de obter uma visão geral do que tem sido feito para reduzir as barreiras de comunicação e empoderar sujeitos surdos e usuários de Libras. A RL foi realizada de forma sistemática nos mecanismos Engeenering Village e Science Direct. Além desses mecanismos de busca, uma RL por meio de pesquisas primárias e secundárias, assim como de pesquisas realizadas em base de dados específicas de colaboração, educação, interação humano computador e sistemas de informação de pesquisadores que exploram a área da comunidade surda para buscar o estado da arte da temática. Como resultado, os estudos foram selecionados e classificados de acordo com a sua contribuição, apresentados na Tabela 1 alguns dos trabalhos selecionados referentes as TAs. Nesses artigos foi possível verificar que o processo comunicativo é um fator que impacta na vida do sujeito surdo e dos usuários de Libras, característica que deve ser utilizada para desenvolver uma CAA, assim como os elementos de comunicação e de colaboração. Assim como ficou evidenciado, que as TAs facilitam a comunicação do surdo e usuário de Libras, para serem vistas somente como um recurso tecnológico, conjectura-se que sejam vistas como tecnologias colaborativas ou Tecnologias Assistivas Colaborativas (TAC). Entretanto, os estudos não fazem a relação com o processo comunicativo e nem com o Modelo 3C de Colaboração (M3C). Além disso, a representação de figuras para o termo/sinal, apesar de apresentar a característica linguística própria do sujeito surdo, é pouco explorada, embora seja um instrumento simbológico importante e relevante para se ter como pressuposto nesse tipo de trabalho.


Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.