Professores e Youtube: possibilidades e desafios para o ensino de História na era da cultura digital

Tales Hiroshi Medeiros Kamigouchi, Martha Kaschny Borges

Resumo


Professores e Youtube: possibilidades e desafios para o ensino de História na era da cultura digital

Teachers and Youtube: possibilities and challenges of History Teaching in the digital culture

Tales Hiroshi Medeiros Kamigouchi

Martha Kaschny Borges

 

Palavras-chave: ensino de história. educação e tecnologias digitais. youtube.

 

Linha Temática: Tecnologia Educacional.

 

O presente artigo visa discutir - a partir de referência bibliográfica – sobre as possibilidades e os desafios do ensino de história no século XXI, levando em consideração o contexto da cibercultura e das atuais tecnologias produtoras e divulgadoras de informação, dentre elas, a rede social digital Youtube, que se caracteriza como importante portal de acesso a conteúdo histórico-escolar.

A grande circulação de informações potencializadas pela cibercultura, transformou de maneira significativa a produção e a disponibilização do conhecimento. Antes, este estava abundantemente concentrado em instituições de ensino e pesquisa, tais como Universidades, Institutos, escolas e bibliotecas; ou em mídias impressas, como livros, enciclopédias, jornais, revistas e coleções. Na atualidade, grande parte da produção cultural humana está disponível a alguns cliques de um dispositivo digital, seja de um computador, tablet ou celular.

Lapa, Coelho e Schwertl (2015) defendem que a comunicação propiciada pelas redes sociais digitais se constitui em um espaço público que pode assumir o papel de educador, pois apresenta potencial para a formação do sujeito. Portanto, analisar e questionar seu papel formativo na atualidade, se constitui em importante temática para pesquisas na educação.

Neste contexto, essa realidade pode deslocar o papel histórico do professor. No tempo da cultura digital, o professor não exerce mais o papel central ou único no processo de ensino de conteúdo escolar.

O que verificamos nos dias de hoje é que as redes sociais digitais modificam os papeis e sujeitos de poder.  O mediador de conhecimento e formador de opiniões já não é apenas o professor, outros sujeitos, distantes do circunscrito espaço escolar, também assumem estes papeis.

Vive-se hoje uma cultura participativa nas redes, onde, segundo Primo, “a chamada "arquitetura de participação" de muitos serviços online pretende oferecer não apenas um ambiente de fácil publicação e espaços para debate, mas também recursos para a gestão coletiva do trabalho comum” (PRIMO, 2007, p. 6).

Uma das tecnologias mais utilizadas no contexto da cibercultura e da cultura participativa da Web 2.0, sem sombra de dúvidas, é o Youtube. Este é um site especializado no compartilhamento de vídeos na internet, o qual é utilizado para muitas finalidades, dentre elas: entretenimento; promoção pessoal; divulgação de conteúdo amador e profissional; e até mesmo, para fins lucrativos por meio da monetização. Em outras palavras, “cada um desses participantes chega ao Youtube com seus propósitos e objetivos e o modelam coletivamente como um sistema cultural dinâmico: o Youtube é um site de cultura participativa” (BURGESS; GREEN apud BARROS, K.C.; BISPO, L.M.C., 2016).

Partindo da concepção das historiadoras Schmidt e Cainelli sobre função do professor de História, este profissional não pode

modificar o passado, ao interpretá-lo e narrá-lo à luz das lutas individuais e coletivas. Ou seja, cabe ao professor de história “levantar questões sobre o presente e pensar o futuro a partir dos princípios da liberdade, democracia e cidadania (SCHMIDT; CAINELLI, 2009).

Para tanto, ensinar em tempos de imersão na cultura digital, sobretudo, com a grande popularidade de mídias como o Youtube entre os jovens estudantes, requer do professor de História a necessidade de desenvolver outras competências. Além de tarefas inerentes como ter de “discutir evidências, levantar hipóteses, dialogar com os sujeitos, os tempos e os espaços históricos” (SCHMIDT; CAINELLI, 2009, p. 20), faz-se necessário que o professor esteja ambientado com o conteúdo consumido pelos alunos, possibilitando que ele assuma um papel que permita estabelecer um diálogo advindo de sua formação e experiência com os conteúdos histórico-escolares apresentados no Youtube. Isto pode permitir, por exemplo, que vídeos do Youtube sejam utilizados como fonte no ensino de História. Mas também é preciso dialogar com conceitos equivocados - em termos históricos - apresentados no Youtube; que, se conflitantes com os conteúdos curriculares escolares, podem se constituir em um obstáculo para o processo de aprendizagem. Neste sentido, é preciso identificar as potencialidades e as deficiências ou obstáculos conceituais das redes digitais, mantendo acesas as chamas do despertar da consciência histórica e da luta por uma sociedade mais justa e igualitária. 


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Referências


BARROS, K.C.; BISPO, L.M.C. Vídeos do Youtube como recurso didático para o ensino de História, 2016. Disponível em: . Acesso em 06 de maio de 2017.

LAPA, A. B.; COELHO, I. C. ; SCHWERTL, S. L. . As redes sociais como um espaço público educacional. In: 37ª Reunião Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), 2015, Florianópolis. Disponível em: http://www.anped.org.br/sites/default/files/trabalho-gt16-4529.pdf. Acesso em: 01 maio de 2017.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. 2. ed. São Paulo: Ed. 34, 1999. 260 p.

PRENSKY, M. Nativos digitais, imigrantes digitais. NCB University Press, v. 9 out. 2001. Disponível em: . Acesso em: 23 ago. 2014.

PRIMO, A. O aspecto relacional das interações na Web 2.0. Revista da Associação

Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Volume 9, agosto de

Disponível em: http://www.compos.org.br/seer/index.php/ecompos/article/view/153/154. Acesso em 02 de maio de 2017.

SCHMIDT, Maria Auxiliadora; CAINELLI, Marlene. Ensinar história. 2. ed. São Paulo: Scipione, 2009. 198p.


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