Diferenciação curricular na Educação Especial: políticas brasileiras e práticas curriculares no Ensino Fundamental

Yasmin Ramos Pires, Geovana Mendonça Lunardi Mendes

Resumo


Este resumo busca apresentar o projeto de dissertação em andamento do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina (PPGE/UDESC), na Linha de Políticas, Ensino e Formação de Professores.        A pesquisa tem por objetivo compreender como as políticas brasileiras voltadas aos alunos com deficiência intelectual (público-alvo da Educação Especial) evidenciam as questões sobre diferenciação curricular na Educação Básica e como os professores da sala de aula regular traduzem essas políticas nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática.

A escolha pelas políticas brasileiras para o público-alvo da Educação Especial privilegia os anos de 2008 a 2016, por entender a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI, 2008) como um marco para legitimação e afirmação dos direitos dos alunos público-alvo da Educação Especial na Educação Básica.

Já a escolha pelas práticas curriculares nos anos iniciais do Ensino Fundamental, especificamente nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, se deu pelas pesquisas anteriores das autoras (PIRES, 2016; LUNARDI-MENDES, 2005) revelarem o foco das atividades, tanto na sala regular de ensino, quanto no Atendimento Educacional Especializado (AEE), nas duas disciplinas em questão, tanto para os alunos com deficiência como para aqueles alunos ditos ‘normais’. Os alunos com deficiência intelectual foram escolhidos como foco da dissertação, por esta ter feito parte de uma investigação anterior intitulada “Escolarização de alunos com deficiência intelectual”, uma parceria entre UDESC, UFRRJ e Univali, com objetivo de examinar os processos de escolarização destes sujeitos, tanto na sala regular de ensino, quantos nos serviços especializados das escolas.

O desenvolvimento metodológico da dissertação será ancorado por meio de pesquisa documental e pela pesquisa bibliográfica; a pesquisa documental para dar conta das fontes documentais e dos vídeos que serão analisados, e a pesquisa bibliográfica para auxiliar no mapeamento e análise de teses e dissertações do Banco de Teses e Dissertações da Capes.

Procuraremos adotar, enquanto método de análise da pesquisa documental, as contribuições de Ball et. al. (2016) e Mainardes (2017) que investigam questões relativas as políticas educacionais. Para a análise da pesquisa bibliográfica, buscaremos subsídios em Bardin (2004), para a análise do conteúdo disposto nas teses e dissertações.

As contribuições teóricas irão se desdobrar a partir de autores como Goodson (1995), Sacristán (2000), Young (2016), Roldão (2003) e autores que discutem o público-alvo da Educação Especial, como Kassar (1995), Lunardi-Mendes (2004) e Pletsch (2010), entre outros.

Os resultados encontram-se em construção a partir das análises que serão empreendidas a partir dos textos políticos, das teses e dissertações e das práticas curriculares nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

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Referências


BALL, Stephen J.; MAGUIRE, Meg; BRAUN, Annette. Como as escolas fazem políticas: atuação em escolas secundárias. Ponta Grossa: Editora UEPG, 2016.

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Tradução: Luiz Antero Reto e Augusto Pinheiro. Lisboa: Edições 70, 2004.

GOODSON, Ivor F. Currículo: teoria e história. Trad. Attílio Brunetta. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

KASSAR, Mônica de Carvalho Magalhães. Ciência e senso comum no cotidiano das classes especiais. Campinas, SP: Papirus, 1995.

LUNARDI-MENDES, Geovana Mendonça. Nas trilhas da exclusão: as práticas curriculares da escola e no atendimento às diferenças dos alunos. Pontifícia

Universidade Católica de São Paulo. São Paulo: PUC, 2005. 270p.

____, PLETSCH, Márcia; HOSTINS, Regina. Projeto “Escolarização de alunos com deficiência intelectual”. 2013. 10f. (Texto digitado).

MAINARDES, Jefferson. Abordagem do ciclo de políticas: uma contribuição para análise de políticas educacionais. Revista Educação e Sociedade. v. 27. n. 94. p. 47-69. Jan./abr. 2006. Disponível em: . Acesso 20 de ago. 2017.

PIRES, Yasmin Ramos. Práticas curriculares no Atendimento Educacional Especializado: análise do contexto de Belford Roxo – RJ e Florianópolis – SC. 2016. Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade do Estado de Santa Catarina. 2016. 68p.

PLETSCH, Márcia Denise. Repensando a inclusão escolar: diretrizes políticas, práticas curriculares e deficiência intelectual. Rio de Janeiro: Nau, Edur, 2010.

ROLDÃO, Maria do Céu. Diferenciação Curricular Revisitada: conceito, discurso e práxis. Porto, PT: Porto Editora, 2003.

SACRISTÁN, Gimeno. O currículo: uma reflexão sobre a prática. Tradução Ernani F. da F. Rosa. 3. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2000.

YOUNG, Michael F. Por que o conhecimento é importante para as escolas do século XXI? Cadernos de Pesquisa, v. 46, n. 159, p. 18-37, 2016.


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