Proposta de formação de professores com foco na literacia digital

Elaine Jesus Alves, Bento Duarte da Silva

Resumo


A possibilidade de apresentar uma proposta de modelo de formação de professores com foco na literacia digital se reforçou durante a vertente empírica da pesquisa de doutoramento Formação de professores, Literacia Digital e Inclusão Sociodigital: Estudo de caso em curso a distância da Universidade Federal do Tocantins (ALVES, 2017). O estudo parte do pressuposto que a formação de professor, que desenvolve habilidades para a literacia digital, o introduz na sociedade em rede e por consequência gera sua inclusão sociodigital. Neste sentido, realizou-se um estudo de caso, de cunho qualitativo, com professores da rede pública em formação num curso de licenciatura a distância em instituição pública. Os instrumentos metodológicos foram questionários (sondagem do perfil de uso de tecnologias no campo cotidiano e na prática pedagógica) e entrevistas semiestruturadas com o objetivo de compreender mais profundamente as percepções dos professores em relação às tecnologias nos dois campos. A investigação constatou  um baixo nível de literacia digital do grupo de professores participantes de uma formação a distância.

O perfil socioeconómico, cultural, social e de uso de dispositivos conectados a internet dos participantes por meio de questionários online  verificou que os mesmos são usuários frequentes de tecnologías básicas, e esta tendência de uso elementar das tecnologías se reproduz na prática docente. As entrevistas realizadas com uma amostra dos participantes reafirmaram as constatações dos questionários online: os participantes seguem concepções tradicionais (conteudista e transmissiva) de ensino com expressa resistência à presença dos dispositivos móveis na escola.

Assim, a “Formação Integrada, Permanente e Evolutiva para a Literacia Digital” (FIPELD) propõe a fusão da face motivacional, tecnológica e pedagógica, com ênfase na apropriação do professor nestas facetas de uma forma contínua e gradual. O processo cíclico inicia-se com uma chama que acenda o desejo do professor para tirar partido das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação - TDIC.

Na pesquisa em pauta, constatou-se que os professores participantes, embora manifestem a intenção de trabalhar com os alunos usando as tecnologias, esbarram na questão da falta de preparo e desconhecimento das tecnologias, o que resulta na dispersão e falta de controle sobre os alunos. Neste sentido, a segunda fase da proposta FIPELD trata-se da preparação. Costa (2013) aponta o desconhecimento do potencial das TDIC da parte dos docentes como um dos fatores que levam estes a não tirarem partido do potencial pedagógico didático das tecnologias. Assim, a preparação requer que o professor experimente de antemão a ferramenta ou aplicativo que almeja usar, leia relatos de experiências e/ou estudos de outros educadores que fizeram uso e troque ideias com os pares sobre o que se pretende fazer.

     A terceira fase da proposta FIPELD compreende a ação, o momento em que o professor irá por em prática o plano de ação do uso das TDIC alinhado aos objetivos de aprendizagem. Nesta fase as ideias projetadas são executadas e postas à prova, ficando sujeitas a imprevistos, dificuldades e gargalos. Esta fase exige cuidadoso registro do professor sobre o desenvolvimento das atividades. Anotando os incidentes críticos, as dúvidas levantadas pelos estudantes em relação à ferramenta utilizada e, ainda, registrando suas próprias dificuldades com relação à aplicação da atividade. Estes registros vão ser importantes para o professor posteriormente refletir sobre a experiência e compartilhar com seus pares e formadores os resultados obtidos.

               A quarta fase da proposta, a avaliação, constitui o momento em que o professor, decorrida a aplicação da atividade, retoma seus registros, faz uma avaliação pessoal franca sobre os pontos fortes e fracos obtidos na ação e compartilha com os colegas e formadores estas informações. A última etapa do ciclo da FIPELD foi denominada de reação, pois esta se relaciona à tomada de decisão que o professor, diante do feedback da etapa anterior, terá que adotar diante das constatações que a experiência proporcionou. Ao fazer esta análise do percurso,  sobre como as atividades decorreram, o que foi bem sucedido e o que houve de dificuldade, o professor vai refletir sobre os ganhos e perdas que o uso das TDIC proporcionou na atividade com os alunos. A cada ciclo de ação com a docência integrada às TDIC, o professor ganha experiência, confiança e autonomia para continuar evoluindo seus níveis de literacia digital e, por conseguinte orientar os alunos nesta mesma direção. Costa et al. (2012) explicam que ao fazer esta reflexão sobre como as atividades decorreram, o professor estará apto para, em atividades futuras, antecipar as dificuldades, distribuir melhor o tempo, organizar os espaços (virtuais ou físicos) e, por fim, terá condições de ponderar se o uso das TDIC implicou em mudanças concretas na sua prática.

A proposta FIPELD está sendo preparada para aplicação e testagem numa equipe de professores da rede pública da cidade de Palmas – Tocantins. O objetivo é promover divulgar um conceito de formação permanente voltada para a literacia digital que independe de cursos e formação formais instigando a motivação  do professor preparando-o para usar as potencialidades das tecnologias junto a seus alunos.

 

 

 

 

 

 


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Referências


Referências

ALVES, E. J. Formação de professores, Literacia Digital e Inclusão Sociodigital: Estudo de caso em curso a distância da Universidade Federal do Tocantins. Tese (Doutorado em Ciências da Educação) Instituto de Educação, Universidade do Minho, Braga, 2017.

COSTA, F. A. O potencial transformador das TIC e a formação de professores e educadores. In: M. E. Almeida, P. Dias, & B. Silva, O potencial transformador das TIC e a formação de professores e educadores. São Paulo: Loyola, 2013, pp. 47-72.

COSTA, F. A., RODRIGUEZ, C., CRUZ, E., & FRADÃO, S. Repensar as TIC na Educação. O professor como agente transformador. Lisboa: Santillana, 2012.


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