Programa Manhãs - alfabetização, currículo e educação das relações étnico-raciais: universidade e a Educação Básica em debate

Mariana Vitória Da Silva Penha, Lourival José Martins Filho, Paulino de Jesus Francisco Cardoso, Stefani Verônica Zanetti, Renata Schlickmann

Resumo


O Programa Manhãs - Alfabetização, Currículo e Educação das Relações Étnico-Raciais se encontra vinculado ao Grupo de pesquisa Didática e Formação Docente - GpDD e também ao Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros - NEAB da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC. Relacionando a alfabetização, educação das relações étnico-raciais e a formação docente voltada para a educação de crianças, jovens, adultos e idosos, as atividades do programa tem como eixo principal a formação de professores e professoras e a aproximação entre Universidade e Escola.

Está em funcionamento desde 2004, contribuindo na formação de professores(as) alfabetizadores(as), gestores(as) escolares e profissionais da educação em geral. São aproximadamente 7.632 profissionais da educação que o programa alcançou, passando por mais de 87 municípios do estado de Santa Catarina. Desde o mesmo ano há o acompanhamento de duas escolas de forma sistemática, laboratório de aprendizagem na Educação Básica, atuando em Florianópolis na Escola de Educação Básica João Alfredo Rohr, São José na Escola de Educação Básica Interativo.

Como parte da proposta, vem a preocupação com o ensino das relações étnico-raciais, obrigatoriedade pela Lei Federal nº 10.639/03, determinando no ensino fundamental e médio das escolas públicas e privadas, o ensino da história e cultura afro-brasileiras e africanas. O programa realiza seminários para que se discuta e reflita sobre a alfabetização, possibilidades para os atuais currículos e a educação das relações étnico-raciais, juntamente com o acompanhamento da prática pedagógica que acontece no Ensino Fundamental I e II. As formações surgem por interesse das próprias unidades, que buscam e solicitam aos membros do programa os encontros que são realizados no Campus I da UDESC ou em outras cidades do estado, por meio das secretarias e gerências regionais de educação.

Portanto, compreendendo que alfabetizar e letrar são duas ações distintas, mas não inseparáveis, o ideal seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e a escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita (SOARES, 2001). As questões apontadas por Soares (2001), nos levam a pensar criticamente as práticas de ensino restritas aos antigos e ultrapassados métodos de alfabetização, principalmente os que consideram a alfabetização apenas como uma técnica a ser desenvolvida, treinada, decodificada e executada com atividades mecânicas e sequenciais.

Souza e Martins Filho (2015) indicam a necessidade de valorizar a diversidade humana e lutar contra qualquer forma de discriminação e preconceito, por meio também de práticas curriculares dos professores da Educação Básica e Superior.Nesse sentido, o Programa Manhãs, que enfoca a formação de professores, tem papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, pois acredita “[...] que o homem deveria poder ser dotado de múltiplas aptidões, tanto manuais quanto intelectuais e este deveria [deve] ser o objeto dos cursos de formação de professores, que consequentemente se reverteria nas práticas educativas das escolas” (MARTINS FILHO, 2009, p. 56). Vinculado a isto, por abranger a Educação das Relações Étnico-Raciais, a qual visa uma “deseducação para o racismo” (ROMÃO, 2014, p. 39), considerando a ideia de um letramento racial vinculado ao processo de alfabetização, se faz, também, ferramenta potente no combate às desigualdades raciais.

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Referências


SOUZA. A.R.B e MARTINS FILHO. L.J. Formação docente e PIBID: interfaces e desafios. COCAR, Belém, v.9, n.18, p.211 a 232, Julho/Dezembro 2015. Disponível em: . Acesso em: 18 de setembro de 2017.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. 125 p.

ROMÃO, J. O Movimento Negro brasileiro e as Diretrizes da Educação Nacional: a Lei Federal 10.639/03 é L.D.B! In: CARDOSO, P. de J. F.;

RASCKE, K. L. (orgs.). Formação de Professores: promoção e difusão de conteúdos sobre história e cultura afro-brasileira e africana. Florianópolis: DIOESC, 2014.


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