Aprendizagem escolar no ciberespaço: seguindo os rastros dos alunos à luz da Teoria Ator-Rede

Diane Schlieck, Martha Kaschny Borges

Resumo


Fomentar o uso das tecnologias digitais nas escolas pode possibilitar que os actantes envolvidos se reconheçam cada vez mais protagonistas do seu processo de ensino-aprendizagem e, assim, estabeleçam relações mais significativas com o conhecimento. O presente projeto de qualificação tem como objetivo principal seguir os rastros dos alunos no ciberespaço e analisar as associações realizadas e que promovem aprendizagem escolar. As autoras dialogam com Latour (1994, 2012, 2016) e Lemos (2013) sobre seus estudos relacionados à Teoria Ator-Rede, destacando os conceitos de associação, mediação e tradução; com Lévy (1997, 1999, 2010), Santaella (2004, 2013) e Borges (2007) e suas referências sobre o ciberespaço; com Santaella (2004, 2013), Sibilia (2012) e Serres (2015) que promovem um novo olhar sobre o aluno e sua relação com a aprendizagem, às mudanças nas formas de agir, de pensar e de produzir conhecimento com o advento das TD. A pesquisa é um estudo de caso (YIN, 2001) de cunho qualitativo (CRESWELL, 2010) e será realizada com alunos do sétimo ano de uma escola básica municipal de Florianópolis. A Teoria Ator-Rede considera importante seguir os atores para compreender o que fazem e como elaboram suas associações. Para tanto, nossa metodologia será dividida em dois momentos principais: a aplicação de um questionário (MINAYO, 2016) a todos os alunos da turma para identificar seus perfis cognitivos, baseado nos estudos de Santaella; e, a realização de um grupo focal (GATTI, 2012) com oito alunos identificados com perfil imersivo e perfil ubíquo. Pretendemos analisar o conteúdo que obtivermos a partir de suas respostas, com o objetivo de identificarmos as categorias que emergirem dessas verbalizações. Desta forma, pretendemos contribuir com as discussões relacionadas ao cenário educacional contemporâneo, ouvindo um dos principais atores do processo de ensino-aprendizagem: o aluno.


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Referências


BORGES, Martha Kaschny. Educação e cibercultura: perspectivas para a emergência de novos paradigmas educacionais. In VALLEJO, Antonio Pantoja, ZWIEREWICZ, Marlene (org). Sociedade da informação, educação digital e inclusão. pp, 53-86. Florianópolis: Insular, 2007.

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FRANCO, Maria Laura Puglisi Barbosa. Análise de Conteúdo. 3. ed. Brasília: Liber Livro Editora, 2008.

GATTI, Bernardete A. Grupo focal na pesquisa em Ciências Sociais e Humanas. Brasília: Liber Livro Editora, 2012.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos. São Paulo: Editora 34, 1994.

LATOUR, Bruno. Reagregando o social: uma introdução à teoria Ator-Rede. Salvador: Edufba, 2012.

LATOUR, Bruno. Cogitamus: seis cartas sobre as humanidades científicas. São Paulo: Editora 34, 2016.

LEMOS, André. A comunicação das coisas: teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Annablume, 2013.

MINAYO, Maria Cecília de Souza (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2016.

SANTAELLA, Lúcia. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004.

SANTAELLA, Lucia. Comunicação ubíqua. Repercussões na cultura e na educação. São Paulo: Paulus, 2013.

SERRES, Michel. Polegarzinha: uma nova forma de viver em harmonia, de pensar as instituições, de ser e de saber. Rio de Janeiro: Bertran Brasil, 2015.

SIBÍLIA. Paula. Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.

YIN, Robert. K. Estudo de caso: planejamento e método. Porto Alegre: Bookman, 2001.


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