Uma proposta de reorganização curricular na escola de Ensino Fundamental: a metodologia de pesquisa como proposta de aprender, ensinar, conhecer.

Mônica Wendhausen, Sônia Maria Martins de Melo, Silvio Luiz Indrusiak Weiss

Resumo


Palavras-chave: Reorganização Curricular. Metodologia de Pesquisa. Escola de Ensino Fundamental I.

 

Linha Temática: Desenvolvimento Curricular.

 

A presente comunicação trata de uma pesquisa em curso que possui como mote sócio educacional a reorganização curricular em andamento, numa escola municipal de Florianópolis. Desta forma, apresentamos aqui as causas que levaram-na à reorganização como também, a metodologia de ensino e aprendizagem envolvida.

Sabe-se que uma reorganização curricular envolve muito mais que uma mudança de estratégias didático-pedagógicas, mas principalmente o engajamento da comunidade escolar e a vontade de mudar e experimentar um novo caminho de gestão administrativa-educacional.

As reformas no campo educacional são produções híbridas que ocorrem entre as inovações advindas da sociedade e o saber prático dos professores, com a consequente aceitação de toda comunidade escolar, notadamente o engajamento das famílias, gerando novos contextos de inovação educacional dentro das instituições de ensino. (GVIRTZ; LARRONDO, 2007; VIÑAO, 1996)

A partir disso, a escola em questão, percebendo as demandas substanciais advindas principalmente, com a presença massiva das tecnologias digitais e daí, da mudança de comportamento das crianças, que não mais se interessavam por aulas expositivas e pouco interativas, lança um desafio a equipe gestora da escola em uma avaliação realizada pelo seu Conselho Deliberativo. (GVIRTZ; LARRONDO, 2007)

O desafio seria a utilização de espaços como Biblioteca e Sala Informatizada para atividades de pesquisa. No entanto, a equipe pedagógica, um pai (formador), professores e educadores da escola, trouxeram uma proposta que foi além das expectativas e que trouxe elementos para a prática educativa que envolvem: interatividade, protagonismo infantil, aprender fazendo, aprender juntos. (WENDHAUSEN; WEISS; MELO; VIEIRA; NEVES, 2017)

A proposta apresentada envolve a adaptação da metodologia da pesquisa para estudantes de 6 a 10 anos. A sequência didática do método consiste, aproximadamente, nas etapas ensinadas no trabalho de iniciação científica desenvolvido no meio acadêmico, tão importante na formação do pesquisador, sendo as seguintes: (1) Fase exploratória inicial (1ª etapa) – fase de observação da realidade. O professor faz a pergunta principal do projeto: O que você quer aprender este ano na escola? Essa fase estende-se por um período de 2 meses (início do ano letivo). (2) Definição do tema e problematização (2ª etapa) - Cada turma escolherá o seu tema, para desenvolver a pesquisa ao longo do ano letivo. Período de até 2 meses. (3) Definição dos 'instrumentos' e estratégias de coleta de dados (3ª etapa) - Nesta etapa, há necessidade de assessoramento aos professores, para a elaboração e adaptação de 'protocolos' (para pesquisa documental/bibliográfica e de campo) e o cronograma de coleta de dados. Este período não excede 1 mês. (4) Coleta de dados (4ª etapa) - Nesta etapa a família do estudante é mobilizada por ele próprio e pelos/as professores/as. A ação docente concentra-se em estimular, problematizar, criar com o estudante, um ambiente propício à pesquisa e investigação do tema. Etapa mais longa do projeto, entre 4 ou 5 meses. (5) Relatório final e 'publicação' (5ª etapa) - É idealizada e organizada anualmente pela na Feira de Ciências, com muito engajamento da comunidade escolar. Essa é a principal 'publicação' onde apresentam-se os resultados de todo o trabalho desenvolvido ao longo do ano.

Durante o ano letivo, na busca de auxiliar os professores e educadores com subsídios teórico-práticos, são realizadas ações formativas tais como: cursos  formação continuada em prazos definidos no planejamento; formações em serviço semanal; planejamento e acompanhamento full time da equipe pedagógica; observações em sala de aula etc..

A partir das primeiras análises do corpus documental da pesquisa em curso, que se caracteriza por ser de natureza qualitativa e um estudo de caso, numa abordagem interpretativo-dialética, que busca compreender a percepção da comunidade escolar envolvida neste projeto denominado ‘Aprender a Conhecer’, aponta que a categoria participação está sendo efetiva na comunidade escolar e é um importante elemento curricular já presente, pois, visivelmente, ao longo dos últimos 4 anos, está sendo o eixo motivador  da revisão completa do projeto político pedagógico e das linhas estratégicas de gestão da escola.

 

 


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Referências


Referências

GVIRTZ, S., LARRONDO, M. (2007) Notas sobre la escolarización de la cultura material. Celulares y computadoras en la escuela de hoy. Teias: Rio de Janeiro, 8 (15-16).

VIÑAO, A. (1996). Culturas escolares, reformas e innovciones: entre la tradición y el cambio. VIII Jornadas Estatales del Fórum Europeo de Administradores de la Educación. Murcia, p.17-29.

WENDHAUSEN, M.; WEISS, S.; MELO, S.; VIEIRA, R.; NEVES, R. Case 'Learn to Know: Whole Body Search' – Educational Innovation Project in a Florianopolis/Brazil’s School. 7ª International Conference: The Future of Education 2017. Firenze, Italy. (ISSN 2384-9509).


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