O espaço escolar como laboratório de criação e aprendizagem

Franklim Rodrigues de Sousa, Marisa Andrade Costa

Resumo


Repensar o espaço escolar e sua dinamização, quanto às áreas de conhecimento, exigem do educador uma visão compartilhada do que é ser educador e saber gerenciar as ferramentas que há nesse espaço, na medida  em que, compartilha a responsabilidade do processo ensino-aprendizagem com os estudantes. O projeto de mídias do Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID) acontece, semanalmente, na Escola Municipal Francisco Alves³ e foi intitulado “PIBID Mídias” pelos estudantes. Chamamos de “Encontro” os momentos em que ocorrem as oficinas cujos objetivos estão atrelados ao autoconhecimento, autonomia, coletividade, Livre Expressão, visão crítica, protagonismo juvenil e criatividade. Contamos com cinco computadores com acesso à internet limitado e o grupo é formado por doze estudantes de turmas e idades diferentes e essa diversidade enriquece o processo de ensino-aprendizagem reformulando a maneira de pensar o próprio espaço escolar. As salas de aula, com suas carteiras enfileiradas uma atrás da outra, provoca um sentimento de aprisionamento dos corpos o que, supomos, reduz a capacidade de criação. Dessa maneira, como revigorar a sala de aula, assim como aproveitar todos os espaços da escola vendo-a, neste primeiro momento, como um grande laboratório de criação e aprendizagem? Como estimular o protagonismo juvenil e inovar a maneira de ensinar?

As atividades foram elaboradas no intuito de explorar todos os espaços da escola considerando o desenvolvimento do estudante, ao mesmo tempo em que desconstrói a opressão presente, muitas vezes, nesse mesmo espaço. Modificando as fileiras das carteiras dispondo-as em círculo, realizando rodas de conversa, refletindo sobre espaços informais (corredores, por exemplo), usando a fotografia, criação e edição de vídeos enriquecemos a aprendizagem e o desenvolvimento desses estudantes. A fotografia e criação/edição de vídeos têm sido os recursos mais explorados na prática pedagógica que propomos no “PIBID Mídias”. As atividades coletivas são estimuladas e vem ganhando destaque na integração dos estudantes em todo o processo educativo, que segundo o orientador em Projetos Educacionais Inovadores na educação, José Moran, percebe-se claramente que o “conhecimento que é elaborado a partir da própria experiência se torna muito mais forte e definitivo em nós” (Moran, 2000, p.57-72),pois há sentido no aprender.

A escola é um lugar privilegiado quando pensamos em comunicação, assim “compete ao professor criar oportunidades que desenvolvam competências comunicativas de seus estudantes, preparando-os para interagir com os recursos tecnológicos de comunicação e informação presentes no nosso dia a dia” (MULTIRIO,2011,p.67), portanto, para que este seja um espaço de aprendizagem e comunicação é necessário que o professor seja entusiasmado, curioso, que surpreenda, seja aberto, que saiba motivar e dialogar. Além disso, deverá desafiar o estudante a buscar conhecimento e tratar as informações que necessitam, ter objetivos claros tomando a decisão que melhor se aproxime do consenso do grupo. Nesta concepção, se desenvolve o projeto jornal escolar, com fundamentação na experiência da imprensa escolar de Célestin Freinet (1994) e que, contemplando as diferenças dos estudantes, por meio do trabalho coletivo, incentiva o diálogo, a criticidade sobre a realidade para que as crianças venham a intervir no seu meio. A experimentação, a pesquisa e atividade em grupo colaboram para o reconhecimento do próprio trabalho, desenvolvimento de competência interpessoal e o despertar da curiosidade. A relação entre educador e estudante, como corresponsáveis pela pesquisa e troca de informações, exige do professor mediador que ouça, questiona e orienta o educando promovendo o seu autoconhecimento. Nesse processo, o estudante pode ressignificar as estratégias problematizando-as e encontrando soluções, o que amplia seu universo de conhecimento. Percebemos que o estudante, quando inserido a uma situação contextualizada da aprendizagem, intensifica a interdisciplinaridade e esta forma de aprender chamamos de “midiaeducação” (MULTIRIO, p.83).

Estas ações compõem a base para a confecção do Jornal escolar e, este, terá seus objetivos traçados visando uma prática pedagógica com base na vivência dos estudantes, que são sensibilizados e incentivados pela oralidade/escrita e a arte, produzindo o jornal escolar que será uma obra pessoal e coletiva simultaneamente. Isso possibilitará o estudante se mobilizar, ao ponto de trabalhar sua percepção estética do que constroem e potencializar sua criatividade, à medida que desenvolve sua autonomia. Portanto, a prática do jornal escolar vinculada ao “PIBID Mídias” possibilita-nos repensar o espaço escolar; a relação entre os sujeitos nesse processo dando sentido ao fazer e realçando o protagonismo juvenil.



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Referências


FREINET, Celéstin. O Jornal escolar: técnicas de educação. Portugal: Estampa, 1974.

MORAN, José Manuel. Mudar a forma de ensinar e de aprender:transformar as aulas em pesquisas em comunicação presencial-virtual. Revista Interações, São Paulo, Vol. V, p.57-72, 2000.

MULTIRIO. A escola entre mídias. Rio de Janeiro, coleção MultiRio na Escola, n1, 2011.

SAMPAIO, Rosa Maria Whitaker. Freneit – evolução histórica e atualidade. Ed. Scipione, 1994.


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