Marco curricular e Educação Infantil: primeiras aproximações

Márcio Issler, Katiucia de Oliveira Peres, Ieda Maria Kleinert Casagrande

Resumo


O século XXI tem se desenvolvido em meio à diversidade constante de propostas curriculares. Com o intuito de contribuir e avançar em direção a currículos mais claros e coerentes, o texto busca refletir sobre a viabilidade de um sistema de ideias dispostas a partir de um Marco Curricular da e na Educação Infantil com base a proposta teórico-metodológica flexível e contextualizada de Deheinzelin (2016). Para a autora sua utilização “fornece um lastro para a sustentação e a compreensão das relações de ensino- aprendizagem podendo assim ser incorporada em propostas curriculares” (p. 26).

A abordagem do estudo é de natureza qualitativa, de cunho bibliográfico e organizado em eixos temáticos para a análise dos sistemas de ideias que comporão os marcos curriculares. Este sistema de ideias ou conceitos é formado a partir de 4 níveis, a saber, o antropológico, filosófico, psicológico e pedagógico (DEHEINZELIN, 2016) permitirão que o professor disponha de diversos elementos que se tornem absorvíveis em sua prática pedagógica.

Em um currículo, diversos são os projetos a ser desenvolvidos durante o ano letivo em uma instituição. O que deve ser levado em conta é que devem ser construídos pelos professores de forma flexível, tendo como base a realidade na qual a escola está situada e que este tenha significado para o aluno.

O currículo nesta direção torna-se fator de importância para que o desenvolvimento escolar aconteça. A ciência de que “nenhum currículo ou perspectiva pedagógica possa ser considerada a melhor”, por mais que as crianças possam freqüentar escolas muito bem planejadas, de alta qualidade, é imprescindível para que a mesma apresente um currículo com objetivos claros e integrados (KAGAN, 2011 apud, DONOVAN, BOWMAN, BURNS, 2001, p.8). Nesse sentido se insere o marco curricular como perspectiva teórico-metodológica com base os sistemas de conceito derivados dos diferentes níveis.

O primeiro nível é o antropológico e refere-se à compreensão de que a criança “não é um vir a ser”, mas sim, desde já é uma pessoa, que mesmo dependendo durante muito tempo dos adultos deve “poder exercer, em plenitude, suas capacidades afetivas e cognitivas” dessa forma destaca-se que educação infantil não é um “procedimento preparatório” (DEHEINZELIN, 2016, p 27).

O nível filosófico recorre à história da filosofia para compreender a forma com que a criança vem se desenvolvendo ao longo dos tempos. Assim, a tradição do pensamento empirista, racionalista e dialético, como parte integrante “de um currículo de educação infantil, é verdadeiro supor que alguns aspectos filosóficos estão implícitos em qualquer procedimento pedagógico” (DEHEINZELIN, 2016, p 68).

O terceiro nível é o psicológico e diz respeito as pessoas envolvidas no ambiente escolar e que trazem seu jeito de pensar, com características próprias e comuns aos envolvidos naquele ambiente e nele “as interações sociais podem afetar os processos de ensino e de aprendizagem, daí a grande importância da linguagem nas atividades dos professores” (DEHEINZELIN, 2016, p 86).

O quarto e último nível, o que mais se aproxima do terreno próprio dos educadores, da pedagogia. Aqui a função da educação infantil está em “colocar à disposição das crianças as regras, normas e convenções dos objetos de conhecimento. Em poucas palavras, ensinar às crianças elementos fundamentais de nossa cultura” (DEHEINZELIN, 2016, p 30). A compreensão do professor em relação ao significado de ensinar é iluminada não somente pelos outros níveis, mas ancorado no nível psicológico com especificações didáticas e metodológicas para a prática pedagógica.

Um currículo construído com bases sólidas, assentado na construção social do conhecimento perpassa pela sistematização dos meios histórico-filosóficos e culturais para que a prática docente se concretize. A “transmissão dos conhecimentos historicamente produzidos e a forma de assimilá-los, portanto, produção, assimilação são processos que compõem uma metodologia de construção coletiva do conhecimento escolar, ou seja, do currículo propriamente dito” (VEIGA, 1995, p. 26). Neste sentido, o marco curricular refere diretamente à organização do conhecimento escolar e do ensino a partir de componentes teórico-metodológicos de construção também coletiva.


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