Diversidade cultural catarinense e formação de professores(as): um debate necessário.

Elisa de São Thiago Cunha, Evita Alicia Gomes Silveira, Lourival José Martins Filho

Resumo


Elisa de São Thiago Cunha [1]

Evita Alicia Gomes Silveira [2]

Lourival José Martins Filho [3]

Palavras-chave: Formação de professores. Diversidade Cultural Catarinense.

Linha Temática: Desenvolvimento Curricular.

Vinculado ao grupo de pesquisa Didática e Formação Docente, da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) – Brasil, este projeto objetiva realizar pesquisas relacionadas à diversidade cultural a fim de contribuir para o desenvolvimento de práticas curriculares e processos de formação docente que estimulem o acolhimento, o respeito, o convívio e o reconhecimento dos diferentes e das diferenças. Trata-se de uma discussão teórica que tem como base a pesquisa do mapeamento histórico geral da diversidade cultural catarinense e um debate sobre a formação de professores (as), que estabelece relações entre o sujeito concreto e a diversidade presente no Estado. Mediante os aspectos elencados, apresenta-se a seguinte problemática: qual a importância do conhecimento da diversidade cultural catarinense para a formação do professor contemporâneo?

Diversidade cultural e a formação do povo catarinense

Um povo nunca é um só, ele é múltiplo, em todos os aspectos individuais e coletivos de sua composição, suas etnias, culturas e principalmente de suas diversidades. Segundo Chechetti (2008) a diversidade cultural está na significação de cada individuo/grupo social sobre o tempo e o espaço, como referência de suas configurações de identidades pessoais e coletivas. Isso tudo dentro dos espaços de socialização e convívio como no caso das escolas.

O caso brasileiro em suas diversidades culturais, segundo Fernandes (2005), está totalmente imerso no processo histórico-social e nas dimensões continentais de nossa territorialidade. Isso podemos observar predominantemente no discurso imigrantista presente na história oficial de grande parte do país, dentro da criação de uma política de estado eugenista e de invisibilização histórica de sujeitos como no caso das populações afrodescendentes e indígenas.

Santa Catarina é fortemente marcada pela identidade imigrantista, decorrente do início do séc XIX, em seu processo histórico de ocupação. O que torna o estado muito atrelado a culturas européias manifestadas através das tradições presentes em parte do povo. Porém, é importante colocarmos que antes de qualquer “processo de ocupação”, já existia o povo nativo em suas mais distintas configurações. Dentro das formações culturais catarinenses temos: no litoral a forte presença açoriana em suas manifestações arquitetônicas nos casarões que marcam o período colonial. No Alto Vale, a população de origem alemã em suas tradições festivas e a população indígena que resiste às imposições culturais externas. No oeste e no sul do estado em sua maioria descendentes de italianos em suas tradições culinárias, as populações de origem africana e afro-descendentes em suas manifestações religiosas, além dos Poloneses e Austríacos que também deixaram suas marcas.

Formação de professores(as)

Vasconcellos (2011) indica que o sujeito se constitui pelo social em interação com o objeto que pode ser físico ou espiritual. Sujeito concreto “considerado em todas as suas dimensões existenciais” (VASCONCELLOS, 2011, p. 46). Tanto o espiritual quanto a cultura estão imbricados na constituição do sujeito, se tornando, portanto, campo indispensável de conhecimento do docente que irá lidar com sua concretude.

Souza e Martins Filho (2015) indicam que para haver justiça social, é necessário a diminuição das lacunas que alcancem a diversidade dos estudantes, por meio da conexão com a formação reflexiva dos professores. Conexões que apontam para um olhar sociológico que vislumbre a realidade concreta histórica da diversidade catarinense. Pais (1990) aponta para a necessidade de um olhar sociológico que vislumbre a cultura tida como um conjunto de significados compartilhados por um grupo que faz parte de um conhecimento ordinário e cotidiano. Os sujeitos se constroem no contexto de uma pluralidade de mundos sociais não homogêneos e, muitas vezes, contraditórios. Lahire (1997) propõe a desconstrução das realidades baseadas em estatísticas qualitativas, presentes nos currículos, e heterogeneizar o que havia sido, forçosamente, homogeneizado. No caso da formação de professores, não basta estudar as teorias genéricas e as leis homogeneizadas, precisamos conhecer os contextos precisos de nossa atuação profissional.

Considerações provisórias

No intuito de estimular o acolhimento, o respeito, o convívio e o reconhecimento dos diferentes e das diferenças, este estudo se estabelece. Permeou e estabeleceu conexões histórico-sociais da diversidade presente na sociedade catarinense. Indicou a necessidade de um olhar menos eurocêntrico do currículo, com base na necessidade de ampliação de visibilidade da multiplicidade das culturas catarinenses antes homogeneizadas pelos discursos imigrantistas presentes na história oficial de grande parte do país. Sem deixar de destacar a necessidade de estabelecer discussões e reflexões sobre a formação docente na intenção de conhecer e identificar o sujeito concreto, objeto de trabalho do professor, que deve ser entendido nos processos de formação dos docentes contemporâneos.


[1] Elisa São Thiago Cunha- graduanda em Pedagogia na Universidade do Estado de Santa Catarina. Bolsista de Iniciação Científica - PIBIC/UDESC. lisastcunha@gmail.com

[2] Evita Alicia Gomes Silveira - graduanda em História - habilitação licenciatura na Universidade do Estado de Santa Catarina. Bolsista de Iniciação Científica - PIBIC/CNPQ. evita.alicia99@gmail.com

[3] Lourival José Martins Filho - Docente do Departamento de Pedagogia da Universidade do Estado de Santa Catarina. Grupo de Pesquisa didática e Formação docente. lourivalfaed@gmail.com


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Referências


CECHETTI, E. (2008). Diversidade cultural religiosa na cultura da escola (Dissertação de Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis.

FERNANDES, José Ricardo O. Ensino de História e Diversidade Cultural: desafios e possibilidades. Programa de Pós - Graduação em Educação, Universidade de São Paulo (USP), Campinas.

LAHIRE, B. Sucesso escolar nos meios populares: as razões do improvável. São Paulo: Ática, 1997.

PAIS, J. M. A construção sociológica da juventude. Análise Social (Porto), vol. XXV (105-106), p. 139-165, 1990.

SOUZA. A.R.B e MARTINS FILHO. L.J. Formação docente e PIBID: interfaces e desafios. COCAR, Belém, v.9, n.18, p.211 a 232, Julho/Dezembro 2015. Disponível em: Acesso em: 18 de setembro de 2017.

VASCONCELLOS, C. S. Currículo: a atividade humana como princípio educativo. São Paulo: Libertad, 2011.


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