Abordagens tecnológicas contemporâneas no ensino de geografia

Larissa Anjos Santos

Resumo


Tendo em vista o recorte contemporâneo, marcado por constantes e rápidas transformações na sociedade, a relação ensino de geografia e tecnologia é apresentado como um tema constantemente debatido por integrantes do Laboratório de Estudos e Pesquisas de Educação em Geografia (LEPEGEO FAED/UDESC) atendendo as demandas trazidas por estes do ambiente escolar no qual estão inseridos. Tendo em vista tal discussão, a escrita desse trabalho baseia-se nas possibilidades e usos que as ferramentas tecnológicas podem contribuir para a educação geográficas.

Seguindo a linha de raciocínio de Parnaíba e Gobbi (2010), imagine a situação: uma jovem, acorda em com o seu celular despertando, enquanto espera seu café ficar pronto, atualiza seu perfil em suas redes sociais. Enquanto come, joga online com alguém de qualquer lugar do mundo. Apressada, pega o seu celular e vai para a escola. No caminho utilizando aplicativo de mensagens, vai conversando com seus colegas.

Chegando à escola, antes de ouvir o sinal sonoro para entrar nas salas, ela se reúne com seus colegas, escutam músicas, jogam. A conversa é interrompida. O sinal ecoa. Todos guardam seus celulares e vão para a sala. Ela se senta, em uma das cadeiras enfileiradas e escuta, por cerca de quatro horas o professor explicar diversos conteúdos.

            Começamos essa escrita com esta situação – nada – hipotética, para exemplificar casos cotidianos do uso e desuso da tecnologia. Esta, está presente de maneira efetiva na vida das pessoas. Como já relata Prensky (2001), os estudantes que encontramos hoje representam as primeiras gerações que cresceram com o uso intensivo das tecnologias, diferentemente de seus professores, que na maioria das vezes não possuem tanta proximidade com esta.

Atualmente principalmente nas salas de aula, encontramos jovens que “apresentam novas necessidades, inquietudes e desejos” (CANTO, 2016) comparados aos jovens de décadas atrás. Para tanto, a necessidade de utilizar as tecnologias parte do princípio de que estas acabaram se tornando “parte integrais de suas vidas” (PRENSKY, 2001) e por isso, aulas e métodos estritamente tradicionais de ensino não despertam interesse nesses sujeitos. Não queremos excluir ou diminuir tal metodologia, uma vez que sabemos que, por vezes, aulas teóricas e expositivas são necessárias. Muitos professores também trabalham em condições precárias e sem amparo de políticas educacionais e metodológicas para inclusão de novas metodologias em sala de aula, entretanto, o que queremos enfatizar é a possibilidade de permear novos caminhos e novas técnicas, incluindo as tecnologias que nos cercam. 

É necessário ressaltar que a tecnologia, sozinha, não é capaz de conduzir quaisquer conteúdos para os estudantes. É indispensável então, que o professor de Geografia seja um mediador entre as tecnologias e os conceitos e objetivos da ciência geográfica conhecimentos, ou seja, é passível ao professor que “...realize uma releitura de todos os conteúdos para poder organizar todos os conceitos e análises da ciência e conseguir trazer para o mundo real do aluno toda a sua condição de existência no espaço geográfico” (CANTO, 2016).

Diariamente os estudantes estão conectados a dispositivos que possuem diversos conteúdos geográficos em suas funções, seja no ato de visualizar uma foto e em seguida já saber sua localização ou de se locomover até este local utilizando um GPS. A Geografia está e pode ser vivenciada no dia a dia.

Utilizando estes exemplos como gatilho, traremos aqui, de forma breve, algumas ferramentas para a aplicabilidade das tecnologias nas aulas de Geografia. Uma das possibilidades, é utilizar as próprias redes sociais dos estudantes: fazendo uso de seus perfis ou ferramentas de pesquisa, é possível realizar análises culturais, politicas, climáticas, regionais e entre outras. Outra forma, seria a  utilização de sites, como o FlightAware[1], onde é possível pesquisar e visualizar as rotas dos aviões que encontram-se viajando no globo terrestre. Jogos e aplicativos de celulares também são possibilidades. Com o Pokemon Go[2], por exemplo, é possível abordar temáticas cartográficas e territoriais.

Existem diversas possibilidades e maneiras de utilizar as tecnologias nas aulas de geografia, cabe ao professor pesquisar e mediar tais alternativas metodológicas, tendo em vista cada realidade escolar e suas particularidades.


[1] Disponível em: https://pt.flightaware.com/live/

[2] Jogo de realidade aumentada com narrativas e personagens do desenho animado Pokémon. 


Texto completo:

PDF

Referências


CANTO, Josi Zanette. O desenvolvimento colaborativo de um aplicativo móvel como recurso pedagógico no ensino de geografia. Araranguá, 2016.

PRENSKY, Marc. Nativos digitais, imigrantes digitais. NCB University Press, Vol. 9 No. 5. Outubro de 2001.

PARNAIBA, Cristiane dos Santos. GOBBI, Maria Cristina. Os jovens e as tecnologias da informação e da comunicação: aprendizado na prática. Revista Cientifica Interdisciplinar da Graduação. São Paulo, Vol. 4 N. 3, P. 1-14, 2010.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.