Um olhar crítico pela cidade através das lentes do celular

Hilma Liana Soares Garcia da Silva, Verônica Maria de Araújo Pontes

Resumo


Palavras-chave: Tecnologia. Celular. Práticas educativas.

 

Linha Temática: Tecnologia Educacional

 

Este trabalho tem o objetivo de apresentar um relato de experiência sobre o uso do celular nas práticas educativas, tomando como base o projeto interdisciplinar “Paisagens, imagens, escritas e leituras: uma viagem sociocultural pela cidade de Mossoró”, realizado nas turmas das primeiras séries do Ensino Médio da Escola Estadual Jerônimo Rosado, Mossoró – RN, a fim de desenvolver aprendizagens significativas através de práticas de leitura, escrita, utilização dos gêneros discursivos no ambiente escolar e de aparelhos tecnológicos como o celular, para a efetivação de uma viagem sociocultural pela cidade de Mossoró, a partir do conhecimento de sua história, sua cultura, sua paisagem e as vivências sociais do seu povo em tempos remotos e na contemporaneidade. Além disso, desenvolveu nos alunos uma ressignificação das aprendizagens pela compreensão do uso e função social da língua na aquisição de informações, na atuação nos diversos campos da sociedade, na visão de mundo virtual e real, na leitura e escrita dos diversos gêneros discursivos presentes na escola e fora dela e na efetivação do exercício da cidadania. Para alicerçar este trabalho, amparamo-nos nos Parâmetros Curriculares do Ensino Médio (1999) e nos pressupostos teóricos de Rojo (2012) e  Marchuschi (2012).

O campo educacional na contemporaneidade se vê diante de grandes desafios numa sociedade que passa por intensas e velozes transformações causadas pelos avanços tecnológicos e sociais, mudanças de comportamento e atitudes que perpassam, também, pela aquisição de informações e conhecimentos. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (1999, p. 135), é necessário “entender o impacto das tecnologias da comunicação na sua vida, nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social”. Em virtude disso, a escola e seus agentes, imbuídos de uma responsabilidade social, necessitam articular saberes e ressignificar as suas práticas pedagógicas em meio a esse constante e diversificado desafio, no qual a utilização de aparelhos tecnológicos digitais como os celulares nas atividades de sala de aula faz-se necessário, visto que eles estão presentes no cotidiano do aluno, fazendo parte de suas práticas sociais.

Assim sendo, o recorte em análise do trabalho aqui explicitado apresenta os benefícios trazidos pelo uso do celular nas aulas de língua portuguesa, visto que, na metodologia utilizada, os alunos utilizaram as lentes de seus celulares para captar imagens do lugar em que vivem, observando-se os encantos, os desencantos e o cotidiano da cidade, que, muitas vezes, passam despercebidos de seus olhares mais atenciosos. Nesse processo, a atividade fotográfica, além de possibilitar a funcionalidade do aparelho celular nas atividades educativas, oportunizou um novo olhar dos estudantes sobre os problemas latentes de sua cidade, bem como das paisagens naturais ou artificiais que causam atratividade e prazer e uma visão crítica sobre o cotidiano de cada comunidade e das pessoas que nela vivem. A partir disso, novas atividades foram delineadas nas aulas de língua portuguesa com vistas ao produto final da disciplina, que foi a escrita do gênero crônica direcionado pela temática “O lugar onde vivo”. Para Marcuschi (2008, p. 190) os gêneros “[...] funcionam como uma espécie de modelo comunicativo global que representa um conhecimento social localizado em situações concretas”. Dessa forma, o desenvolvimento do gênero crônica, intermediado pela fotografia, apresentou um viés comunicativo construído em práticas sociais concretas.

Ainda no desenvolvimento das atividades, foi realizada uma exposição das fotos tiradas por cada aluno no espaço virtual da rede social Facebook e também na sala de aula, por intermédio do projetor multimídia, tendo em vista a valorização da percepção dos estudantes sobre a sua comunidade. Fato que favoreceu, também, os debates, discussões e o compartilhamento de novas ideias sobre o contexto social, político e econômico da cidade, ampliando assim o repertório cultural dos alunos e a sua visão crítica expressa por meio do exercício da oralidade, da leitura, da escrita e do uso das tecnologias digitais. Esse procedimento vai ao encontro do pensamento de Rojo (2012, p. 37), quando diz que “a presença das tecnologias digitais em nossa cultura contemporânea cria novas possibilidades de expressão e comunicação”, pois suscita no aluno o desejo de se expressar, de exercer a sua cidadania e criatividade utilizando-se de tecnologias que lhe causam atratividade e satisfação.

Em face do exposto, o uso das tecnologias digitais em sala de aula é uma realidade que precisa ser aproveitada em benefício do processo de ensino e aprendizagem, pois dinamizam as práticas educativas e aproximam o contexto social extraescolar do aluno, favorecendo as atividades comunicativas e ampliando as suas possibilidades de interação.


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Referências


BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais (Ensino Médio). Brasília: MEC, 1999.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

ROJO, Roxane; MOURA, Eduardo. Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.


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