O PIBID Geografia na UDESC: Contribuições para formação de professores

Larissa Anjos Santos, Rosa Elisabete M. W. Martins

Resumo


O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à docência – PIBID tem como propósito, segundo o decreto n° 7.219[1], incentivar a formação de docentes à educação básica, valorizar o magistério e dentre outros. Para tanto, através de programa de bolsas, o PIBID oportuniza graduandos de cursos de licenciatura o contato direto com a vivência escolar, onde podem ter a oportunidade de planejar e participar de experiências pedagógicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar, buscando a superação de problemas identificados no processo de ensino-aprendizagem (MAKOWIECKY, 2015).

Tendo em vista o melhoramento do processo de formação de professores, o PIBID possibilita aos graduandos a integração teórico-prática em sua área de conhecimento durante toda a graduação, divergindo dos moldes curriculares normativos, que como aponta Rodrigues (2015), primeiro apresenta a ciência; depois, a sua aplicação, e por último, o estágio supervisionado que supõe a aplicação pelo estudante de conhecimentos técnicos e profissionais adquiridos ao longo de sua formação universitária. O programa possibilita ao graduando transitar pelo conhecimento teórico advindo da academia, juntamente com os conhecimentos oriundos das vivências dos estudantes, trabalhando de maneira efetiva, com o, denominado por Veiga Neto, “saber escolar”, que nada mais é que o “[...] conhecimento acadêmico que, num complicado processo de transposição didática, [é] transformado, adaptado e recontextualizado para depois ser ensinado” (VIEGA NETO – p. 40).

Para tanto, essa aproximação do saber acadêmico com o saber escolar estabelece, não somente uma ruptura nos moldes de currículos normativos, mas também reconfigura os modelos de formação técnica e prática, que delineiam, segundo Rodrigues (2015) que os professores em formação devem compreender primeiramente a teoria na universidade para depois ir às escolas aplicar e praticar o que aprenderam (racionalidade técnica) ou que os conhecimentos necessários para o desempenho e exercício da profissão se dá somente no exercício da função (racionalidade prática).  Por isso, o programa contribui na formação de professores ao passo que trabalha com ambas perspectivas de maneira concomitante. 

A Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, aderiu ao programa no edital CAPES 01/2011,e segundo Martins (2015): 

As ações propostas, em Geografia, visam, acima de tudo, pensar alternativas para o ensino desta ciência na educação básica, propiciando a pesquisa da realidade escolar e profissional por meio de um processo de estudo e problematização das questões que envolvem a docência. (MARTINS, 2015, p. 45)

Sendo assim, além das idas a escola para socialização de projetos e oficinas, o Pibid Geografia[2] proporciona aos bolsistas a participação em eventos e a aproximação da escrita acadêmica.

Na perspectiva de pensar propostas e alternativas para o ensino de geografia, o grupo do PIBID trabalha na perspectiva de que o currículo não é vinculado somente “como um fenômeno eminentemente escolar” (COSTA, WORTMANN e BONIN, 2016, p. 521), mas sim, que este tem o potencial de ser vislumbrado em artefatos culturais como filmes, revistas, séries televisivas, músicas e outros.

Atualmente o grupo é composto por cerca de oito bolsistas, entre remunerados e voluntários, que atuam no ensino fundamental de uma escola da Rede Estadual de Ensino de Santa Catarina com projetos e oficinas vinculados ao conteúdo programático das turmas. Algumas das oficinas que foram aplicadas no ano de 2017 trabalharam com a temática regiões e regionalização através de brincadeiras como cabra cega e caça ao tesouro. Outras, abordaram a temática de astronomia construindo nebulosas em utensílios recicláveis e outros.


[1] Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7219.htm>

[2]  O PIBID Geografia da UDESC é orientado por duas professoras que coordenam dois grupos de trabalho. Este relato apresenta as práticas realizadas pelos bolsistas que estão sob a tutoria da Professora Doutora Rosa Elisabete M. W. Martins. 


Texto completo:

PDF

Referências


COSTA, M. V. WORTMANN, M. L. BONIN, I.T. Contribuições dos estudos culturais às pesquisas sobre currículo – uma revisão. Currículo sem Fronteiras, v. 16, n. 3, p. 509-541, set/dez. 2016.

MAKOWIECKY, S. Por uma educa-ação plena: a UDESC e o PIBID. In: Martins, R. E. M. W. e Rossato, L. (Org.). Reflexões sobre as experiências do PIBID na UDESC. 01 ed. Santa Cruz do Sul/RS: EDUNISC, 2015, v. 01, p. 15-39.

MARTINS, R. E. M. W. PIBID Geografia da FAED/UDESC: experimentações na iniciação a docência. In: Martins, R. E. M. W. e Rossato, L. (Org.). Reflexões sobre as experiências do PIBID na UDESC. 01 ed. Santa Cruz do Sul/RS: EDUNISC, 2015, v. 01, p. 41-56.

RODRIGUES, R. C. C. A FORMAÇÃO DOCENTE: PIBID E O ESTÁGIO

SUPERVISIONADO. 2015. Dissertação (mestrado em educação) – Pontífica Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, São Paulo: PUC/SP, 2015.

VEIGA NETO, A. J. Cultura e currículo. Porto Alegre: Contrapontos, 2002.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.