Abordagens educacionais sobre crimes virtuais: relato de um estudo de caso

Fernanda Beatriz Ferreira de Macedo, Martha Kaschny Borges

Resumo


As tecnologias digitais nos modificaram, mudamos e ampliamos o uso destes aparatos, estamos dependentes e diariamente envolvidos com seu uso, para quase tudo. A quantidade de tempo nas redes sociais digitais expõe de certa forma nossas crianças e adolescentes a essa nova característica de delitos, os crimes virtuais. Partindo desta necessidade, de abordar e debater esses assuntos em sala de aula é que realizamos no ano de 2015, em uma Escola Pública do Município de Florianópolis um Projeto Escolar que debatia e problematizava os Crimes Virtuais. Estes 180 estudantes que participaram destas dinâmicas tem entre 9 e 11 anos e as temáticas eram trazidas por eles, problematizadas e pesquisadas na internet.

Sendo assim, no mestrado vamos percorrer o caminho inverso, através da escuta destes alunos e alunas, reviver e retirar as impressões destes estudantes sobre o projeto vivido no ano de 2015. A questão levantada é: o comportamento dos estudantes que participaram das atividades relacionadas ao projeto, modificou ou permaneceu? Quais suas impressões, lembranças e relevâncias com relação ao tema abordado? O objetivo principal é identificar as possíveis mudanças comportamentais que o projeto pode ter contribuído junto a estes educandos que são usuários das redes sociais digitais. Por meio do embasamento teórico que nos dará subsídios para este estudo, vamos nos aprofundar no campo teórico do ciberespaço, espaço onde os sujeitos ubíquos praticam e/ou percebem atitudes ilícitas, dialogando com os autores Santaella (2004, 2013); Lemos (2002, 2015); Serres (2013) e Sibilia (2012); na Teoria Ator-rede, nosso quadro teórico-metodológico que estuda a relação entre humanos e não-humanos, no nosso caso, alunos e crimes virtuais, a teoria Ator-Rede, nos fundamentando nos autores Latour (2013, 2016); Lemos (2013), e com relação à temática de crimes virtuais, nosso diálogo será principalmente com o autor Colli (2010).

Trata-se de uma pesquisa do tipo estudo de caso (YIN, 2001), de cunho quali-quantitativa, na qual aplicaremos um questionário com questões abertas e fechadas que versará sobre os aspectos: temas mais marcantes abordados no projeto (roubo de senhas e dados, ciberbullyng, sexting, crimes de ódio, etc), conversas realizadas com familiares, parentes ou amigos, prática de algum crime virtual (ele mesmo ou algum conhecido) e, por fim, caso o projeto fosse realizado hoje, o que deveria ser diferente. A segunda etapa da pesquisa será a realização de uma entrevista coletiva (grupo focal) na qual aprofundaremos as questões do questionário e coletaremos os sentimentos e impressões dos participantes do projeto realizado em 2015.

Abordar a temática dos crimes virtuais nas redes digitais, junto a estudantes em sala de aula é desafiador, uma vez que poucas pesquisas e estudos têm sido feitas no âmbito da educação. Assim, nossa proposta é promover, por meio deste estudo, uma reflexão para a ação consciente e consistente dos docentes, a partir da escuta atenta dos alunos que vivem de maneira intensa as possibilidades e também os riscos que a rede digital traz, especialmente com relação aos crimes virtuais. 


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Referências


AVILA, Silviane de Luca. BORGES, Martha Kaschny. Modernidade líquida e infâncias na era digital. Cadernos de Pesquisa da Universidade Federal do Maranhão, v. 22, n. 2, 2015, p. 102 – 114.

COLLI, Maciel. Cibercrimes. Limites e perspectivas à investigação policial de crimes cibernéticos. Curitiba: Juruá, 2010.

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LATOUR, Bruno. Jamais Fomos Modernos. São Paulo: Editora 34, 2013.

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_____________. Cibercultura. Tecnologia e vida social na cultura contemporânea. 2002.

PIERRE, Lévy. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

SANTAELLA, Lúcia. Comunicação ubíqua: repercussões na cultura e na educação. São Paulo: Paulus, 2013.

________________; Lemos, Renata. Redes sociais digitais: a cognição conectiva do Twitter. São Paulo: Paulus, 2015.

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SIBILIA, Paula. Redes e paredes. A escola em tempos de dispersão. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.

YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e método. Porto Alegre: Bookman, 2001.


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