Impacto do microclima sobre a fisiologia, pelame e produção de leite de vacas lactantes em diferentes estações do ano

Laize Vieira Santos, Cinara da Cunha Siqueira Carvalho, José Reinaldo Mendes Ruas, Thamara Amaral Diniz, Edilane Aparecida da Silva, Sóstenes de Jesus Magalhães Moreira

Resumo


Objetivou-se com este trabalho avaliar o efeito do ambiente climático sobre as respostas fisiológicas, alterações no pelame e produção de leite de vacas F1 Holandês x Zebu, de diferentes bases maternas em duas estações do ano distintas. O trabalho foi conduzido na Fazenda Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, no município de Felixlândia, Minas Gerais. Foram avaliadas 50 vacas em lactação em duas épocas do ano (outono e primavera), com período de avaliação de 21 dias, com 25 animais avaliados em cada época, pertencentes a 5 grupos genéticos, sendo cada grupo composto por 5 animais. Foram feitas medições diárias da temperatura e umidade relativa do ar, com o uso de dataloggers de leitura contínua, em intervalos de 10 minutos. Foram mensurados com auxílio de estetoscópio, termômetro clínico digital e termômetro de infravermelho digital portátil os seguintes parâmetros fisiológicos: frequência respiratória e cardíaca, temperatura de superfície corporal e temperatura retal. As medições foram realizadas antes e após as ordenhas pela manhã e à tarde, diariamente, no outono e na primavera. O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial 5 x 2 (5 grupos genéticos e 2 épocas do ano). As variáveis foram submetidas à análise de variância e, quando significativas pelo teste F, tiveram as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Não houve variação para a maioria dos parâmetros fisiológicos estudados, entre os grupos genéticos, sendo estes mais elevados na época da primavera e no horário da tarde (média de 33,2 movimentos respiratórios por minuto, 79,4 batimentos cardíacos por minuto, temperatura de superfície corporal de 33,7 °C e temperatura retal de 38,7 °C). As variáveis ambientais nas duas estações do ano não promoveram alterações nas respostas produtivas dos animais (temperatura do ar máxima de 40,1 °C e 44,8 °C e índice de temperatura de globo negro e umidade máximo de 95,4 e 96,0 no outono e primavera, respectivamente), indicando a adaptação e resistência dos animais F1 Holandês x Zebu.


Palavras-chave


adaptabilidade, ambiência, bovinos leiteiros.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5965/223811711732018368

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Revista de Ciências Agroveterinárias (Rev. Ciênc. Agrovet.), Lages, SC, Brasil        ISSN 2238-1171