A trajetória do uso do solo por florestas na região dos campos de Lages

Guilherme dos Santos Floriani, João Fert Neto

Resumo


Estudou-se a história do uso do solo por florestas durante o século XX na região dos Campos de Lages, em Santa Catarina, Brasil. Abordaram-se as mudanças no uso do solo e suas relações com contextos sóciotécnicos, e como estas relações afetaram o significado e o valor dos solos florestais ao longo da história da região. Para compreender as relações entre solos, florestas e sociedade, foi adotado um arranjo conceitual com base na Teoria do Ator-rede (ANT - Actor-network Theory). Trabalhou-se com a hipótese de que a história florestal da Região está relacionada com a dinâmica da ocupação do território e a percepção do valor dos solos ocupados por florestas, mudando esta de acordo com o contexto e as redes socioeconômicas na qual estava inserido o território, mantendo, no entanto uma sociológica similar. Desde a inserção da região na rede das Minas Gerais através do tropeirismo, no início do século XIX, a pecuária tem sido o retrato do uso de uma paisagem campestre nativa, até que, a partir da década de 40, mudanças sociotécnicas dessem início ao “ciclo do pinho”, com intensa exploração da madeira da Araucaria angustifolia. No final do século XX a silvicultura altera a “vocação florestal do solo”, mas controvérsias existentes sobre os reflorestamentos ressignificam o solo utilizado por florestas, instaurando um novo conflito socioambiental. Em todo o período, os solos florestais assumiram significados distintos para os diferentes atores com o passar do tempo, contudo, mantendo uma mesma sociológica do uso do solo.

Palavras-chave


História florestal; Solos florestais; Política florestal; Redes sociotécnicas; Araucaria angustifolia.

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Revista de Ciências Agroveterinárias (Rev. Ciênc. Agrovet.), Lages, SC, Brasil        ISSN 2238-1171