Temperatura base inferior, soma térmica e fenologia de cultivares de videira e quivizeiro

Rafael Anzanello, Mariane Castanho de Christo

Resumo


Este estudo objetivou avaliar a temperatura-base inferior (Tb), soma térmica e fenologia de cultivares de videira e de quivizeiro. Estacas com 25-35 cm das cultivares de videira Chardonnay (CH), Isabel (IS), Niágara Branca (NB), Concord (CO) e Bordô (BO) e de quivizeiro Bruno (BR), Monty (MO), Elmwood (EL), MG06 (MG) e Yellow Queen (YQ) foram coletadas em pomares localizados em Veranópolis, RS, em 03/06/2015. As estacas intactas foram submetidas a 0 °C por 1.008 Horas de Frio (HF), em câmaras incubadoras para a superação da dormência, embaladas em filme plástico preto. Na sequência, foram transferidas para as temperaturas de 4, 6, 8, 10 e 12 °C, em estacas de nós-isolados, plantadas em espuma fenólica. Durante 150 dias, as gemas foram avaliadas a cada 2-3 dias quanto à brotação, no estádio de ponta verde e seus dados (1/dias para brotação) inseridos em curvas de regressão para estimativa da Tb para cada genótipo. Séries históricas de fenologia de 10 anos das cultivares e dados meteorológicos dos locais de cultivo foram utilizados para o cálculo da soma térmica (graus-dia) das frutíferas durante o ciclo vegetativo. A Tb se diferenciou entre as espécies frutíferas. A Tb foi menor para cultivares de quivizeiro (BR=3,0 °C; MO=3,3 ºC; EL=3,1 °C; MG=3,2 °C e YQ=3,0 °C) e maior para cultivares de videira (CH=4,2 °C; IS=4,3 °C; NB=4,1 °C; CO=6,2 °C e BO=4,4 °C). A soma de graus-dia (GD) variou de 1670,9 a 2060,7 para as cultivares de videira e de 3179,6 a 3762,0 para as cultivares de quivizeiro. A maior soma de GD para a cultura do quivizeiro é dada pelo maior número de dias do seu ciclo vegetativo associada a menor Tb dos genótipos, se comparada à cultura da videira. O subperíodo fenológico (brotação à maturação) das frutíferas, em 100% dos casos, respondeu mais ao tempo térmico (graus-dia) do que ao tempo cronológico (dias) para completar o ciclo vegetativo


Palavras-chave


ciclo vegetativo, dormência, graus-dia, Actinidia sp., Vitis sp

Texto completo:

PDF

Referências


ANZANELLO R. 2012. Fisiologia e modelagem da dormência de gemas em macieira. Tese (Doutorado em Fitotecnia). Porto Alegre: UFRGS. 281p.

ANZANELLO R et al. 2014. Métodos biológicos para avaliação da brotação de gemas em macieira para modelagem da dormência. Semina: Ciências Agrárias 35: 1163-1176.

ARNOLD CY. 1959. The determination and significance of the base temperature in linear heat unit system. Journal of the American Society for Horticultural Science 74: 430-445.

BERGAMASCHI H. 2007. O clima como fator determinante da fenologia das plantas. In: REGO GM et al. (Ed.). Fenologia ferramenta para conservação, melhoramento e manejo de recursos vegetais arbóreos. Colombo: Embrapa Florestas. p. 291-310.

BERLATO MA & SUTILI VR. 1976. Determinação das temperaturas-base dos subperíodos emergência-pendoamento e emergência-espigamento de três cultivares de milho (Zea mays L.). In: Reunião Técnica do Milho e Sorgo, 21. Anais... Porto Alegre: UFRGS. p. 523-527.

BONHOMME R. 2000. Bases and limits to using "degrees day" units. European Journal of Agronomy 13: 1-10.

CARDOSO LS et al. 2012. Disponibilidades climáticas para macieira na região de Vacaria, RS. Ciência Rural 42: 1960-1967.

CARVALHO RIN et al. 2010. Estádios de brotação de gemas de fruteiras de clima temperado para o teste biológico de avaliação de dormência. Revista Acadêmica de Ciências Agrárias e Ambientais 8: 93-100.

CARVALHO RIN & BIASI LA. 2012. Índice para a avaliação da intensidade de dormência de gemas de fruteiras de clima temperado. Revista Brasileira de Fruticultura 34: 936-940.

DAY K et al. 2008. Using growing degree hours accumulated thirty days after bloom to predict peach and nectarine harvest date. Acta Horticulturae 803: 163-166.

GIOVANINNI E. 2008. Produção de uvas para vinhos, suco e mesa. 3.ed. Porto Alegre: Renascença. 362p.

GREEN SR. 2007. Kiwifruit dry matter platform: exploiting water stress using summer deficit irrigation. HortResearch 36: 1-2.

HAWERROTH FJ et al. 2010. Dormência em frutíferas de clima temperado. Pelotas: Embrapa Clima Temperado. 56p. (Documentos 310).

HIDALGO L. 1980. Caracterización microfisica del ecosistema médio-planta em los viñedos españoles. 1.ed. Madrid: Instituto Nacional de Investigaciones Agrárias. Serie producción vegetal 29. 255p.

LAZZARI M. 2011. Cima e fenologia de cultivares de pessegueiro (Prunus persica) na região do Alto e Médio Vale do Uruguai, RS. Tese (Doutorado em Fitotecnia). Porto Alegre: UFRGS. 169p.

LAW ML & KELTON WD. 2000. Simulation Modeling and Analysis. 3.ed. Boston: McGraw-Hill. 760p.

LEGAVE JM et al. 2008. Selecting models of apple flowering time and understanding how global warming has had an impact on this trait. Journal of Horticultural Science and Biotechnology 83: 76-84.

MARRA FP et al. 2002. Thermal time requirement and harvest time forecast for peach cultivars with different fruit development periods. Acta Horticulturae 592: 523-529.

MILLER P et al. 2001. Using growing degree days to predict plant stages. 1.ed. Bozeman: State University Montana. 8p.

MORLEY-BUNKER MJ & SALINGER MJ. 1987. Kiwifruit development: the effect of temperature on bud burst and flowering. Weather and Climate 7: 26-30.

NAGATA RK et al. 2000. Temperatura-base e soma térmica (graus-dia) para videiras ‘Brasil’ e ‘Benitaka’. Revista Brasileira de Fruticultura 22: 329-333.

PEDRO JUNIOR MJ et al. 1994. Determinação da Temperatura-base, graus-dia e índice biometeorológico para a videira ‘Niagara Rosada’. Revista Brasileira de Agrometeorologia 2: 51-56.

PUTTI GL et al. 2000. Unidades de frio e de calor para a brotação de macieira (Malus domestica, Borkh), “Gala” e “Fuji”. Revista Brasileira de Agrociência 6: 194-196.

PUTTI GL et al. 2003. Temperaturas efetivas para a dormência da macieira (Malus domestica Borkh). Revista Brasileira de Fruticultura 25: 210-212.

RICHARDSON EA et al. 1975. Pheno-crimatografy of spring peach bud development. HortScience 10: 236-237.

RODRÍGUEZ AR. 1995. Multiple regression models for the analysis of potential cultivation areas for Japanese plums. HortScience 30: 605-610.

SCHWARTZ MD. 2003. Phenology: An Integrative Environmental Science. 1.ed. Hardcover: Tasks for Vegetation Science. 132p.

SILVEIRA SV et al. 2012. Aspectos técnicos da produção de quivi. Bento Gonçalves: Embrapa. 84p. (Documentos 79).

SOUZA AP et al. 2011a. Comparison of methodologies for degree-day estimation using numerical methods. Acta Scientiarum. Agronomy 33: 391-400.

SOUZA AP et al. 2011b. Basal temperature and thermal sum in phonological phases of nectarine and peach cultivars. Pesquisa Agropecuária Brasileira 46: 1588-1596.

SPIEGEL-ROY P & ALSTON FM. 1979. Chilling and post-dormant heat requirement as selection criteria for late flowering pears. Journal of Horticultural Science 54: 115-120.

VILLA NOVA NA et al. 1972. Estimativa de graus-dia acumulados acima de qualquer Tb em função das temperaturas máxima e mínima. Ciência da Terra 30: 1-8.




DOI: http://dx.doi.org/10.5965/223811711832019313

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


______________________________________________________________________________________________________________________________

Revista de Ciências Agroveterinárias (Rev. Ciênc. Agrovet.), Lages, SC, Brasil        ISSN 2238-1171