Perfil aromático de vinhos ‘Canaiolo Nero’ em regiões de altitude de Santa Catarina

André Luiz Kulkamp de Souza, Edson Luiz de Souza, Stefany Grutzmann Arcari, Alberto Fontanella Brighenti, Duilio Porro, Marco Stefanini, Vinicius Caliari

Resumo


As regiões de altitude elevada são uma nova fronteira para a produção de vinhos finos no Sul do Brasil (27º12'24" S, 51º06'96" W, 1211 m de altitude) por apresentar características enológicas diferenciadas com uma boa adaptação de algumas variedades, entre elas Canaiolo Nero. Para caracterizar os vinhos desta região, durante as colheitas 2012 e 2014 foram determinados os compostos voláteis por meio da técnica de MHS-SPME-GC-MS. As uvas foram colhidas, as amostras analisadas em triplicada e a identificação positiva dos voláteis foi realizada comparando o espectro de massa e o índice de retenção experimentalmente obtidos com os espectros de referência e os índices de retenção disponíveis na literatura. Para a avaliação quantitativa foram utilizadas quatro extrações consecutivas, para evitar o efeito da matriz e o valor da atividade do odor foi calculado a partir do limiar de percepção para cada composto avaliado. Os sólidos solúveis médios foram 21,55° Brix e acidez total de 81,0 meq L-1; o peso médio dos cachos foi de 176 g e a produtividade de 2,2 toneladas por hectare (espaldeira - 1,5 m x 3,0 m). Um total de 31 voláteis foram identificados e quantificados nas amostras analisadas. Os principais componentes foram os ésteres álcool 2-feniletanol (38,364 μg L-1), succinato de dietilo (6,357 μg L-1) e acetato de etilo (2,005 μg L-1); e o composto da classe C6, 1-hexanol (3,2 μg L-1). Os valores da atividade do odor mostraram os compostos de maior contribuição para o aroma dos vinhos analisados, destacando o isovalerato de etila (OAV 394,38), o hexanoato de etila (OAV 9,22), o isobutanoato de etila e cinamato de etila (OAV 8,62) (OAV 5,59), β-damascenona ( OAV 2,44), ácido hexanóico (OAV 4,03), ácido octanóico (OAV 3,64) e acetato de isoamila (OAV 3,01). Estes resultados mostraram o caráter aromático de vinhos da variedade Canaiolo Nero produzidos em Santa Catarina, especialmente aromas frutados de maçã, maçã verde, morango, ameixa e banana; e aroma floral de violeta e rosas.


Palavras-chave


Vitis vinífera, valor de odor ativo, cromatografia, limite, compostos voláteis.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5965/223811711732018344

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Revista de Ciências Agroveterinárias (Rev. Ciênc. Agrovet.), Lages, SC, Brasil        ISSN 2238-1171