ÁGUAS SALGADAS: UMA GENEALOGIA DO PIQUENIQUE DO GINÁSIO SANTA CATARINA EM FLORIANÓPOLIS (1906 – 1918)

Thiago Jorge

Resumo


A natureza constituída de exuberante mata nativa, rios, lagos e mares forma o cenário da emergência de uma atividade promovida pelos padres jesuítas do Ginásio Santa Catarina, instituição privada de ensino secundário e masculino, inaugurada em Florianópolis, em 1906, como parte das estratégias republicanas de modernização do Estado de Santa Catarina. Trata-se do piquenique, prática vista como pedagógica que contempla na relação entre corpo e comidas, o contato com a natureza, os exercícios físicos e diversão, no interior da Ilha de Santa Catarina. Neste artigo busca-se ler o convescote a partir dos pressupostos de Hanna Arendt acerca do diagnóstico da condição humana, caracterizado pela vitória do trabalho nesta sociedade ocidental e globalizada e da sua categoria de “obra”. O recorte temporal situa-se entre 1906, o início dos convescotes pela cidade, e 1918, quando os mesmos contemplam todas as regiões, de norte a sul, leste a continente de Florianópolis. As fontes analisadas são os Diários dos Padres, fotografias, e Relatórios do educandário e jornais de época. A analítica aponta um tipo de pedagogia que, entre águas salgadas, dos variados tipos de locais para banhos em contato com o suor dos corpos, é fabricada pelos padres-professores e consumida pelos alunos em um dado contexto histórico. Parece que o “animal laborans necessita da ajuda do homo faber para facilitar seu trabalho e remover sua dor” (ARENDT, 2010, p.217). Portanto, apresenta-se uma historiografia que interpreta o ritual do piquenique tanto como objeto fabricado quanto como instrumento do processo de fabricação de outro objeto: o corpo escolarizado dos jovens.


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